O empresário visitou na manhã do dia 9 de janeiro, a sede do jornal e foi recebido pelo diretor responsável João Carlos Dias.
Na ocasião, eles abordaram vários assuntos tais como; os problemas na cidade de São Paulo, a verticalização nas grandes metrópoles, a saúde na cidade, a parceria público – privada, a importância das mídias regionais em especial o Jornal Semanário da Zona Norte, entre outros.
Confira na íntegra entrevista concedida ao jornal
JSZN: Conte-nos um pouco sobre sua trajetória profissional.
Guilherme Corrêa: Tenho 55 anos, nasci e fui criado na Vila Albertina, Zona Norte de São Paulo, sou formado em Gestão Pública e fiz MBA em Gestão Pública com ênfase em Cidades Inteligentes. Sou especialista na Gestão de Projetos do Terceiro Setor e Projetos Sociais.
Já fui comerciante, no ramo de bar e restaurante, mas foi no transporte coletivo que atuei o maior tempo da minha vida. Fui sócio-fundador e ex-presidente da maior cooperativa da América Latina, a Transcooper (ZN) em 1997 e, da Norte Buss Transportes S.A, 2015, bem como dos consórcios que essas compõem, Transcooper Fênix & Transnoroeste, respectivamente. Hoje, sou membro do Movimento Salve Periférico, atuante em políticas públicas e sociais por toda São Paulo, em especial na Zona Norte.
JSZN: Sendo o Sr. um especialista no transporte coletivo de passageiros, é viável e possível a implantação da Tarifa Zero na Cidade de São Paulo?
Guilherme Corrêa: A Tarifa Zero é amplamente viável e possível. Não apenas na cidade, como em todo Estado de São Paulo. Estamos na maior metrópole da América Latina e o orçamento em nosso País está distribuído em 3 esferas de governo, sendo elas: 1ª da união (com mais de 5,5 trilhões); 2 ª o do Estado de São Paulo (com mais de 328 bilhões) e a 3 ª a da cidade de São Paulo (com mais de 110 bilhões).
A nossa constituição assegura que o transporte é um direito social do cidadão, desta forma a gestão Ricardo Nunes iniciou a implantação da Tarifa Zero aos domingos e feriados.
Há de se ressaltar que hoje as operadoras do sistema de transporte são remuneradas pela quantidade de veículos à disposição e operando, combinando com o investimento ora aplicado no sistema de forma que o impacto do quantitativo de usuários no sistema de transporte não onera a operação do mesmo. O prefeito já provou que é um bom gestor e que certamente conseguirá suprir, com uma otimização da máquina pública eventuais novos dispêndios para a alocação de novos veículos para operação na cidade, caso, o número de usuários aumente muito.
Hoje o dispêndio para operar o sistema é custeado principalmente por 2 pilares (1) receita oriunda dos usuários e dos empreendedores que têm funcionários com registro em carteira (sistema Caged) e (2) subsídio dos governos, isso na ordem de mais ou menos 50% para cada lado, em um total aproximado de 11 bilhões de reais.
O Governo Federal vem criando mecanismos para que o Tarifa Zero saia do papel, ampliando a legislação para que Prefeituras e Estados possam ter mais liberdade nessa pauta.
Eu, e também o movimento Salve Periférico, defendemos a implantação e a manutenção de 100% da Tarifa Zero. Além de realizarmos a inclusão social, com a garantia do pleno direito de ir e vir, realizaremos uma revolução que, inevitavelmente, movimentará também os comércios da nossa São Paulo.
JSZN: Como o Sr. vê os problemas na cidade de São Paulo?
Guilherme Corrêa: Temos problemas crônicos e antigos, alguns polêmicos, como por exemplo a “Cracolândia” que de “lândia”, não tem nada e, precisa ser extirpada da nossa sociedade. Aqui, abro um aspas ao governador Tarcísio, que se comprometeu (durante campanha) solucionar essa questão e até agora não moveu uma palha para tal. Outra questão, é o povo que mora em situação de rua (que nada tem a ver com usuário de entorpecentes), o governo municipal criou a “Vila Recomeço”, um programa acolhedor e que dá novas oportunidades às famílias para se reintegrarem à sociedade e uma nova vida. Novamente, aqui, o governador nada fez, parece que questões humanitárias não têm atrativo para o novo governo e sim apenas questões que têm algum impacto econômico, como as privatizações, ou seja, é mais do mesmo.
O Governo do Estado e a Prefeitura devem andar juntos, sempre alinhados, independente de cor de bandeira partidária, para solucionar todos os problemas da cidade.
JSZN: Problemas relacionados à poda de árvores lideram as queixas registradas na Ouvidoria da Controladoria Geral da Prefeitura de São Paulo. Na sua opinião como resolver o problema de zeladoria na cidade?
Guilherme Corrêa: As equipes de zeladoria devem ser ampliadas e, também, fazer um trabalho preventivo. Na Subprefeitura do Jaçanã/Tremembé, por exemplo, a atual gestão, sob administração de Fábio Polillo, atuou de forma preventiva e não houve ocorrências graves na região.
E, para agilizar, serviços de zeladoria, emissão de licenças, fiscalização, deveriam ser descentralizados, ficando sob custódia da subprefeitura, o gabinete do prefeito deveria, apenas, fiscalizar. Houve um movimento inverso e enxugaram as atribuições das subprefeituras, levando tudo às secretarias. Serviços como tapa- buracos, que funcionavam bem, não resolvem mais. Ora, se temos 32 subprefeituras, a ideia razoável é a descentralização e não manter tudo nas secretarias. Ou, é melhor acabar com as subprefeituras, já que o subprefeito virou um zelador de luxo.
JSZN: Outra reclamação diz respeito aos buracos e asfaltos mal conservados nas principais vias da cidade. Como solucionar esta questão que coloca em risco a vida dos motoristas e da população?
Guilherme Corrêa: Como exemplifiquei anteriormente, o serviço foi destinado à Secretaria de Infra Estrutura e Obras – SIURB, como o próprio nome fala: serviço de tapa buraco, é um reparo que deveria ter celeridade e não afundado em burocracia da secretaria.
JSZN: A saúde da cidade de São Paulo é precária, com a falta de medicamentos e equipamentos médicos. O Sr. acredita que deveria existir mais Unidades Básicas de Saúde (UBS) para atender a população ou é preciso fortalecer as já existentes?
Guilherme Corrêa: Sou favorável a melhorar e otimizar o que temos, ou seja, fazer funcionar de verdade. Após esses eventuais ajustes, aí sim poderíamos pensar em construir novas.
O nosso maior problema é que a Zona Norte está sempre sendo deixada para depois. Aqui, faltam representantes políticos do bairro. Nada tem sido realizado ou construído por anos. A última unidade de saúde construída aqui, tem mais de 30 anos. E, sequer, tem equipamento para atender a demanda da população da Zona Norte. Infelizmente, é comum que pacientes da Zona Norte tenham que se deslocar às Zona Leste ou Zona Sul para fazerem exames e tratamentos. É lamentável.
JSZN: A parceria público-privada é uma solução?
Guilherme Corrêa: As PPPs são um meio inteligente para solução do que não funciona, mas, o Governo não pode abrir mão da fiscalização dos serviços e obras. As PPPS não são um cartão verde para tocarem as coisas como bem querem. Temos visto o Governo terceirizar serviços de fiscalização, chegando ao absurdo da empresa que está tocando a obra, fiscalizar a própria obra. É aí que ocorre desvios, acidentes e prejuízo, principalmente para quem mais precisa, o paulistano.
JSZN: Qual sua opinião sobre a nova Lei de Zoneamento na cidade de São Paulo?
Guilherme Corrêa: A nova Lei de Zoneamento foi discutida em várias audiências públicas e junto com o Salve Periférico, estive em algumas delas. A principal solicitação da comunidade é que os bairros consolidados devem ser regulamentados e salvar as áreas de preservação, de modo que ajustem o que têm e não se construam mais. Já que existiu certa negligência por parte do Governo que deixou que se construísse onde não poderia, então que se cuide e de o mínimo de dignidade para aquelas famílias.
JSZN: O Sr. é favor da verticalização nas grandes metrópoles?
Guilherme Corrêa: A verticalização, desde que bem planejada. É inevitável, porém, deve haver espaços comuns para as diversas necessidades para uma vida digna dos seres humanos. A COHAB e a SEHAB ultimamente têm alguns projetos habitacionais que na verdade querem empilhar moradores sem verificar as leis, como nas comunidades do Boi Malhado e do Mutirão Sonda II ou Sonda B, onde não têm nenhuma infraestrutura para esporte, lazer, cultura e recreação e, ainda querem construir mais unidades habitacionais onde, infelizmente, nem as pessoas que lá moram estão sendo atendidas.
JSZN: O Sr. acredita que a cidade de São Paulo deveria destinar mais espaços para áreas verdes?
Guilherme Corrêa: Sim, claro. E elas precisam ser planejadas de modo que as comunidades possam usar e explorar essas áreas, com todo respeito, claro, à preservação necessária. Nós vivemos em coletivo e assim sendo, o coletivo deve estar acima do individual. Não podemos apenas plantar árvores sem nenhum estudo ou planejamento do local, em tempos atrás, compraram várias espécies importadas e espalharam pela cidade, o que aconteceu depois? Muitas não vingaram ou acabaram atrapalhando o local.
JSZN: Qual a importância das mídias regionais, em especial o jornal Semanário da Zona Norte?
Guilherme Corrêa: O jornal Semanário da Zona Norte é um excelente veículo de comunicação, atingindo seu propósito de utilidade pública. As notícias do nosso bairro não se encontra nos grandes jornais e grandes mídias. Se a gente quer uma Zona Norte mais forte, fortalecer o Semanário da Zona Norte é um dos caminhos.
O empresário
A cada quinze dias, o empresário Guilherme Corrêa se reúne no Clube Guapira com diversos empresários da Zona Norte, para discutir todos os bairros da Zona Norte e suas possíveis alterações e melhorias.
Para quem quiser conhecer um pouco mais do Guilherme Corrêa, acesse as redes através do @guilhermecorrea.sp ou, ainda, através do whatsapp (11) 94985-8565.