SEMANÁRIO ZONA NORTE - JORNAL DE MAIOR CIRCULAÇÃO NA ZONA NORTE

Freguesia do Ó faz aniversário em 29 de agosto

No dia 29 de agosto, a Freguesia do Ó faz aniversário, completando 439 anos de história e muita tradição

No dia 29 de agosto, a Freguesia do Ó faz aniversário, completando 439 anos de história e muita tradição. É um distrito localizado na região noroeste de São Paulo, que servia de caminho entre a cidade e a região de Campinas e Jundiaí, no interior do Estado. Abriga a escola de samba Sociedade Rosas de Ouro, heptacampeã do carnaval paulistano. Freguesia vem do latim Filli Eclesiae, e significa “filhos da igreja”. Atualmente é unica região da cidade que se manteve a palavra que indicava a forma de divisão do Episcopado.

Imortalizada por Gilberto Gil na música “Punk da Periferia”, a Freguesia do Ó é a única região que conserva em seu nome a denominação antiga para “bairro”. A área tem 10,50 km², distribuídos por 49 bairros, que abrigam uma população de aproximadamente 144 mil habitantes.  A Freguesia do Ó, um dos bairros mais antigos de São Paulo e ainda guarda várias características do século passado como árvores centenárias, construções antigas e o Largo da Matriz, localizado em uma das colinas da Freguesia, onde desde 1901 está a bela Igreja de Nossa Senhora do Ó, palco de festas tradicionais como: a Festa do Divino (em abril), o Assentamento da Cruz (em maio) e a da Nossa Senhora do Ó (em agosto). O bairro iniciou sua história em 1580 quando o bandeirante português Manoel Preto construiu a sede de sua fazenda próxima as margens do Rio Tietê. Da Freguesia do Ó, mais precisamente do Largo Velho da Matriz saíam diversas expedições de bandeirantes rumo ao interior. Com o passar dos anos a Freguesia foi se desenvolvendo, mas sem perder as características de uma tranquila cidade do interior.

História

A Freguesia do Ó foi fundada pelo bandeirante Manuel Preto em 1580, quando, com sua família e índios escravos, tomou posse daquelas terras. O local, inicialmente era apenas para descanso dos bandeirantes que acreditavam que o Pico do Jaraguá tinha ouro. O primeiro nome do bairro foi “Citeo do Jaragoá”, e era compreendido desde o próprio pico, passando por onde hoje ficam Pirituba, o próprio bairro, Limão, Casa Verde até Santana. Em 1610 solicitou à sede da paróquia autorização para erguer uma capela em honra de Nossa Senhora do Ó, que deu nome ao lugar. Em 1615 a obra foi finalizada e este foi o ano do primeiro registro oficial da existência do bairro. Durante muitos anos o bairro foi considerado como pertencente ao chamado “Cinturão Verde” da capital paulista, tendo como característica, inclusive, um sotaque pronunciado em seus moradores, que eram considerados “caipiras” pela população dos bairros centrais. No início, a principal cultura era a de cana-de-açúcar para a produção de aguardente, que durante muitos anos foi seu negócio de maior destaque. Café, mandioca, algodão, milho e legumes eram outras culturas, porém, utilizadas para a subsistência. A importância da cana foi tamanha, que ainda hoje algumas casas conservam pequenas plantações em seus quintais. Um dos fatores que contribuíram para que o bairro mantivesse aspectos preservados foram as constantes enchentes do Rio Tietê, que também era de traçado tortuoso, da topografia íngreme e do seu relativo afastamento do centro de São Paulo. Por vezes, são características que podem remeter a cidades do interior do Estado de São Paulo, como as edificações planas (casas em vez de edifícios), ruas estreitas e sinuosas, calçamento feito com paralelepípedos, criação de bois, carneiros e galinhas, dentre outros fatores. Para se dar um exemplo das dificuldades de locomoção entre o centro e o bairro, as tropas expedicionárias (os Voluntários da Pátria), que saíram no começo da manhã do centro paulistano (aproximadamente às 7 horas) com destino ao Paraguai, no final do século 19, só atingiram o Largo da Matriz no fim da tarde, em torno das 18 horas. Isto por que era uma tropa militar no primeiro dia de deslocamento, marchando com regularidade e com apoio logístico. Atualmente o bairro sofre um aumento do ataque especulativo de empresas construtoras. Um dos motivos se deve justamente a presença de terrenos descampados e casas velhas simples, de baixo valor comercial, em comparação a outros bairros. Isto se deve em grande parte a retificação pela qual o Rio Tietê passou, durante a administração do prefeito Prestes Maia, além das obras que abriram as avenidas Inajar de Sousa e General Edgard Facó nos anos 1980, e nelas, a canalização dos rios Cabuçu e Verde (respectivamente). É considerado um dos bairros com melhor qualidade no fornecimento de água dentro da cidade de São Paulo.

O Largo da Matriz

Em janeiro de 1901, foi inaugurada a nova igreja Matriz, que foi construída em razão de um incêndio que destruiu a antiga igreja, que se localizava no Largo da Matriz Velha. No Largo da Matriz Nova é onde encontramos mais facilmente edificações que remontam ao começo do século passado, inclusive com alguns casarões tombados pelo Condephaat. Em 1947 sofre alteração, quando foram criadas ruas para circulação de carros. No Largo da Matriz Nova temos vários bares e alguns restaurantes. Uma das mais antigas pizzarias da cidade se encontra neste local. Alguns bares são realmente muito frequentados, apresentando um aspecto convidativo, com sua aparência antiga, para se ficar e encontrar os amigos. Criam uma referência de sociabilidade, renovando o uso deste casarão. São quatro choperias que se instalaram em casarões antigos na parte baixa da Matriz Nova, onde quase todas têm música ao vivo e uma tem em seu cardápio pratos da cozinha alemã. Dentre eles, se destaca o Frangó, não apenas por ser o mais velho de todos, mas há anos o local se tornou um ponto de encontro de universitários, jornalistas, empresários e pessoas famosas “de fora”, como Washington Olivetto. Atualmente, principalmente à noite e aos finais de semana, também adolescentes, especialmente de outros bairros como Brasilândia, Vila Nova Cachoeirinha e até Pirituba se concentram lá, convivendo com outros grupos sociais. O Largo da Matriz tornou-se um local de sociabilidade para moradores de bairros mais afastados. Ao mesmo tempo, com o afluxo de frequentadores e habitués “de fora”, houve um aumento na violência, além da degradação do local e do tráfico de drogas. Porém, o problema não é tão simples, já que nesses bairros mais periféricos quase não há praças ou algum tipo de área de lazer. Ou seja, a Freguesia do Ó, que era apenas um local de passagem entre seus bairros e o centro ou Lapa, hoje se tornou ponto de encontro de jovens - em outras palavras, passou a ser local de lazer para a periferia mais distante.

A origem do nome do bairro

O nome do bairro é uma curiosidade a parte. Freguesia vem do latim Filli Eclesiae, e significa “filhos da igreja”. Esta honraria foi a única que se manteve no nome oficial dentre os bairros paulistanos, e que foi concedida como uma forma de divisão do Episcopado, facilitando assim a vida dos fiéis moradores de bairos longínquos, que não mais precisariam se deslocar por horas para receberem amparo religioso. Os demais bairros, como o Brás, Penha e Santo Amaro, aos poucos deixaram de usá-lo nos nomes, e a Freguesia de Nossa Senhora do Ó passou a ser chamada simplesmente de “Freguesia do Ó”. Nossa Senhora do Ó era a Santa de devoção do Bandeirante Manuel Preto, porém o nome correto é Nossa Senhora da Expectação (ou Esperança). O invocativo Ó, faz parte de sete antífonas cantadas durante a novena, que é realizada todos os anos como preparação para o Natal.

Curiosidades locais

  • O plantio de cana-de-açúcar sempre foi a principal atividade rural da região, até a metade do século 20, antes da expansão da urbanização da cidade. Inúmeros alambiques asseguravam a produção de fina cachaça, conhecida como caninha do Ó.
  • Os moradores antigos do bairro tinham muitas relações com Pirapora do Bom Jesus, sendo tradicional a romaria anual a essa vila.
  • A Chácara do Rosário (antigamente chamada de Vila Albertina, depois alterado por homonimia com outro bairro) era a antiga chácara de Dona Veridiana Prado, senhora de tradicional família paulistana e ligada à Semana de Arte Moderna de 1922. A antiga sede foi doada à cúria e transformada em seminário para formação de padres católicos. O restante da área foi loteado, com projeto topográfico do então jovem engenheiro Prestes Maia, depois prefeito da Capital.
  • A Escola de Samba Sociedade Rosas de Ouro, heptacampeã do carnaval, se situa no bairro, junto à Marginal do Tietê.
  • Na década de 1960 a população do bairro passava horas agradáveis no Cine Clipper, o único cinema da região que deu origem ao nome do largo mais conhecido da região comercial da Freguesia, o Largo do Clipper, a praça onde a maioria dos moradores conhecem. O apelido da praça sobrevive até hoje embora o Cinema não exista mais, e muitos nem ao menos saibam o verdadeiro nome do Largo (Oliveira Viana), ou sabiam também da existência deste cinema (especialmente os mais jovens), onde hoje está instalado um Banco.
  • A Festa do Divino Espírito Santo, uma das mais tradicionais do calendário da Igreja Católica, faz da Freguesia do Ó uma das poucas localidas no Brasil onde ainda é celebrada esta Festa.
  • No Largo da Matriz Velha ainda se mantém em pé um casarão construído pela família Ribeiro. Esta casa ainda pertence aos descendentes de Luís Ribeiro, pai da conhecida “D.Sulu” (Benedita Ribeiro Abrahão) e do senhor Lilico (Luís Benedito Ribeiro), antigo morador desta casa.
  • O invocativo Ó tornou-se inspiração para a canção “Punk da Periferia”, de Gilberto Gil. Além de que, no início dos anos 1980, havia um reduto punk no Largo da Matriz Velha.

Cronolgia

1580 - O bandeirante português Manoel Preto muda-se com a mulher e 155 índios escravizados para a imensa sesmaria à margem direita do Rio Tietê, herdada do pai, próxima às minas de ouro do Pico do Jaraguá.

1610 - A capela de Nossa Senhora da Expectação ou Esperança é erguida no topo da colina, onde hoje fica o Largo da Matriz Velha.

1630 - Manoel Preto morre com uma flecha no peito ao enfrentar índios. A sesmaria começa a ser dividida pelos descendentes.

1796 - A capela é elevada à categoria de paróquia (a segunda na cidade, depois da Sé).

1824 - A duquesa de Goiás, filha bastarda do imperador dom Pedro I com a marquesa de Santos, é batizada na Paróquia Nossa Senhora do Ó.

1896 - Na tentativa de extinguir um enxame de vespas, o sacristão incendeia a igreja. Sobrou apenas a cabeça de Nossa Senhora das Dores.

1901 - São inaugurados o cemitério e a paróquia no Largo da Matriz Velha. Os moradores assistem estupefatos aos passeios de dona Veridiana Prado, uma das mais conhecidas figuras da sociedade paulista, em um automóvel Motobloc. Ela tinha uma bela chácara na região.

1915 - Durante a Festa do Divino, a luz elétrica ilumina o Largo da Matriz. É o fim dos lampiões de gás. Começam a aparecer os imigrantes italianos, poloneses e húngaros.

1920 - Chegam o primeiro telefone e a primeira padaria.

1925 - É inaugurada a fábrica de meias Lopes, pioneira de uma série de estabelecimentos a promover o desenvolvimento do bairro.

1929 - A Cia. Predial faz o primeiro loteamento.

1936 - O coreto do Largo da Matriz Velha dá lugar a uma enorme caixa-d’água.

1939 - Redondas preparadas em panelas cheias de óleo quente viram atração na Pizzaria do Bruno. A receita do italiano Bruno Bertucci, que morreu em 1976, ainda é sucesso na casa hoje comandada pelos descendentes do imigrante.

1947 - A CMTC inaugura a linha que liga a Freguesia ao centro.

1951 - A energia elétrica chega ali, mas para terem luz em casa os moradores devem arranjar postes e puxar a fiação.

1953 - Uma televisão comunitária vira a atração do bairro.

1956 - Após ser inaugurada às pressas em 1950, por razões políticas, a Ponte da Freguesia do Ó fica pronta e tira o bairro do isolamento.

1964 - A Editora Abril instala-se na região e desde então é a maior empresa do bairro.

1968 - O aniversário da Freguesia é comemorado com uma grande Festa do Bandeirante, organizada pelo Centro de Tradições Paulistas (CTP).

* Fonte: Prefeitura Municipal de São Paulo e wikipedia

 

 

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Freguesia do Ó faz aniversário em 29 de agosto

No dia 29 de agosto, a Freguesia do Ó faz aniversário, completando 439 anos de história e muita tradição. É um distrito localizado na região noroeste de São Paulo, que servia de caminho entre a cidade e a região de Campinas e Jundiaí, no interior do Estado. Abriga a escola de samba Sociedade Rosas de Ouro, heptacampeã do carnaval paulistano. Freguesia vem do latim Filli Eclesiae, e significa “filhos da igreja”. Atualmente é unica região da cidade que se manteve a palavra que indicava a forma de divisão do Episcopado.

Imortalizada por Gilberto Gil na música “Punk da Periferia”, a Freguesia do Ó é a única região que conserva em seu nome a denominação antiga para “bairro”. A área tem 10,50 km², distribuídos por 49 bairros, que abrigam uma população de aproximadamente 144 mil habitantes.  A Freguesia do Ó, um dos bairros mais antigos de São Paulo e ainda guarda várias características do século passado como árvores centenárias, construções antigas e o Largo da Matriz, localizado em uma das colinas da Freguesia, onde desde 1901 está a bela Igreja de Nossa Senhora do Ó, palco de festas tradicionais como: a Festa do Divino (em abril), o Assentamento da Cruz (em maio) e a da Nossa Senhora do Ó (em agosto). O bairro iniciou sua história em 1580 quando o bandeirante português Manoel Preto construiu a sede de sua fazenda próxima as margens do Rio Tietê. Da Freguesia do Ó, mais precisamente do Largo Velho da Matriz saíam diversas expedições de bandeirantes rumo ao interior. Com o passar dos anos a Freguesia foi se desenvolvendo, mas sem perder as características de uma tranquila cidade do interior.

História

A Freguesia do Ó foi fundada pelo bandeirante Manuel Preto em 1580, quando, com sua família e índios escravos, tomou posse daquelas terras. O local, inicialmente era apenas para descanso dos bandeirantes que acreditavam que o Pico do Jaraguá tinha ouro. O primeiro nome do bairro foi “Citeo do Jaragoá”, e era compreendido desde o próprio pico, passando por onde hoje ficam Pirituba, o próprio bairro, Limão, Casa Verde até Santana. Em 1610 solicitou à sede da paróquia autorização para erguer uma capela em honra de Nossa Senhora do Ó, que deu nome ao lugar. Em 1615 a obra foi finalizada e este foi o ano do primeiro registro oficial da existência do bairro. Durante muitos anos o bairro foi considerado como pertencente ao chamado “Cinturão Verde” da capital paulista, tendo como característica, inclusive, um sotaque pronunciado em seus moradores, que eram considerados “caipiras” pela população dos bairros centrais. No início, a principal cultura era a de cana-de-açúcar para a produção de aguardente, que durante muitos anos foi seu negócio de maior destaque. Café, mandioca, algodão, milho e legumes eram outras culturas, porém, utilizadas para a subsistência. A importância da cana foi tamanha, que ainda hoje algumas casas conservam pequenas plantações em seus quintais. Um dos fatores que contribuíram para que o bairro mantivesse aspectos preservados foram as constantes enchentes do Rio Tietê, que também era de traçado tortuoso, da topografia íngreme e do seu relativo afastamento do centro de São Paulo. Por vezes, são características que podem remeter a cidades do interior do Estado de São Paulo, como as edificações planas (casas em vez de edifícios), ruas estreitas e sinuosas, calçamento feito com paralelepípedos, criação de bois, carneiros e galinhas, dentre outros fatores. Para se dar um exemplo das dificuldades de locomoção entre o centro e o bairro, as tropas expedicionárias (os Voluntários da Pátria), que saíram no começo da manhã do centro paulistano (aproximadamente às 7 horas) com destino ao Paraguai, no final do século 19, só atingiram o Largo da Matriz no fim da tarde, em torno das 18 horas. Isto por que era uma tropa militar no primeiro dia de deslocamento, marchando com regularidade e com apoio logístico. Atualmente o bairro sofre um aumento do ataque especulativo de empresas construtoras. Um dos motivos se deve justamente a presença de terrenos descampados e casas velhas simples, de baixo valor comercial, em comparação a outros bairros. Isto se deve em grande parte a retificação pela qual o Rio Tietê passou, durante a administração do prefeito Prestes Maia, além das obras que abriram as avenidas Inajar de Sousa e General Edgard Facó nos anos 1980, e nelas, a canalização dos rios Cabuçu e Verde (respectivamente). É considerado um dos bairros com melhor qualidade no fornecimento de água dentro da cidade de São Paulo.

O Largo da Matriz

Em janeiro de 1901, foi inaugurada a nova igreja Matriz, que foi construída em razão de um incêndio que destruiu a antiga igreja, que se localizava no Largo da Matriz Velha. No Largo da Matriz Nova é onde encontramos mais facilmente edificações que remontam ao começo do século passado, inclusive com alguns casarões tombados pelo Condephaat. Em 1947 sofre alteração, quando foram criadas ruas para circulação de carros. No Largo da Matriz Nova temos vários bares e alguns restaurantes. Uma das mais antigas pizzarias da cidade se encontra neste local. Alguns bares são realmente muito frequentados, apresentando um aspecto convidativo, com sua aparência antiga, para se ficar e encontrar os amigos. Criam uma referência de sociabilidade, renovando o uso deste casarão. São quatro choperias que se instalaram em casarões antigos na parte baixa da Matriz Nova, onde quase todas têm música ao vivo e uma tem em seu cardápio pratos da cozinha alemã. Dentre eles, se destaca o Frangó, não apenas por ser o mais velho de todos, mas há anos o local se tornou um ponto de encontro de universitários, jornalistas, empresários e pessoas famosas “de fora”, como Washington Olivetto. Atualmente, principalmente à noite e aos finais de semana, também adolescentes, especialmente de outros bairros como Brasilândia, Vila Nova Cachoeirinha e até Pirituba se concentram lá, convivendo com outros grupos sociais. O Largo da Matriz tornou-se um local de sociabilidade para moradores de bairros mais afastados. Ao mesmo tempo, com o afluxo de frequentadores e habitués “de fora”, houve um aumento na violência, além da degradação do local e do tráfico de drogas. Porém, o problema não é tão simples, já que nesses bairros mais periféricos quase não há praças ou algum tipo de área de lazer. Ou seja, a Freguesia do Ó, que era apenas um local de passagem entre seus bairros e o centro ou Lapa, hoje se tornou ponto de encontro de jovens - em outras palavras, passou a ser local de lazer para a periferia mais distante.

A origem do nome do bairro

O nome do bairro é uma curiosidade a parte. Freguesia vem do latim Filli Eclesiae, e significa “filhos da igreja”. Esta honraria foi a única que se manteve no nome oficial dentre os bairros paulistanos, e que foi concedida como uma forma de divisão do Episcopado, facilitando assim a vida dos fiéis moradores de bairos longínquos, que não mais precisariam se deslocar por horas para receberem amparo religioso. Os demais bairros, como o Brás, Penha e Santo Amaro, aos poucos deixaram de usá-lo nos nomes, e a Freguesia de Nossa Senhora do Ó passou a ser chamada simplesmente de “Freguesia do Ó”. Nossa Senhora do Ó era a Santa de devoção do Bandeirante Manuel Preto, porém o nome correto é Nossa Senhora da Expectação (ou Esperança). O invocativo Ó, faz parte de sete antífonas cantadas durante a novena, que é realizada todos os anos como preparação para o Natal.

Curiosidades locais

  • O plantio de cana-de-açúcar sempre foi a principal atividade rural da região, até a metade do século 20, antes da expansão da urbanização da cidade. Inúmeros alambiques asseguravam a produção de fina cachaça, conhecida como caninha do Ó.
  • Os moradores antigos do bairro tinham muitas relações com Pirapora do Bom Jesus, sendo tradicional a romaria anual a essa vila.
  • A Chácara do Rosário (antigamente chamada de Vila Albertina, depois alterado por homonimia com outro bairro) era a antiga chácara de Dona Veridiana Prado, senhora de tradicional família paulistana e ligada à Semana de Arte Moderna de 1922. A antiga sede foi doada à cúria e transformada em seminário para formação de padres católicos. O restante da área foi loteado, com projeto topográfico do então jovem engenheiro Prestes Maia, depois prefeito da Capital.
  • A Escola de Samba Sociedade Rosas de Ouro, heptacampeã do carnaval, se situa no bairro, junto à Marginal do Tietê.
  • Na década de 1960 a população do bairro passava horas agradáveis no Cine Clipper, o único cinema da região que deu origem ao nome do largo mais conhecido da região comercial da Freguesia, o Largo do Clipper, a praça onde a maioria dos moradores conhecem. O apelido da praça sobrevive até hoje embora o Cinema não exista mais, e muitos nem ao menos saibam o verdadeiro nome do Largo (Oliveira Viana), ou sabiam também da existência deste cinema (especialmente os mais jovens), onde hoje está instalado um Banco.
  • A Festa do Divino Espírito Santo, uma das mais tradicionais do calendário da Igreja Católica, faz da Freguesia do Ó uma das poucas localidas no Brasil onde ainda é celebrada esta Festa.
  • No Largo da Matriz Velha ainda se mantém em pé um casarão construído pela família Ribeiro. Esta casa ainda pertence aos descendentes de Luís Ribeiro, pai da conhecida “D.Sulu” (Benedita Ribeiro Abrahão) e do senhor Lilico (Luís Benedito Ribeiro), antigo morador desta casa.
  • O invocativo Ó tornou-se inspiração para a canção “Punk da Periferia”, de Gilberto Gil. Além de que, no início dos anos 1980, havia um reduto punk no Largo da Matriz Velha.

Cronolgia

1580 - O bandeirante português Manoel Preto muda-se com a mulher e 155 índios escravizados para a imensa sesmaria à margem direita do Rio Tietê, herdada do pai, próxima às minas de ouro do Pico do Jaraguá.

1610 - A capela de Nossa Senhora da Expectação ou Esperança é erguida no topo da colina, onde hoje fica o Largo da Matriz Velha.

1630 - Manoel Preto morre com uma flecha no peito ao enfrentar índios. A sesmaria começa a ser dividida pelos descendentes.

1796 - A capela é elevada à categoria de paróquia (a segunda na cidade, depois da Sé).

1824 - A duquesa de Goiás, filha bastarda do imperador dom Pedro I com a marquesa de Santos, é batizada na Paróquia Nossa Senhora do Ó.

1896 - Na tentativa de extinguir um enxame de vespas, o sacristão incendeia a igreja. Sobrou apenas a cabeça de Nossa Senhora das Dores.

1901 - São inaugurados o cemitério e a paróquia no Largo da Matriz Velha. Os moradores assistem estupefatos aos passeios de dona Veridiana Prado, uma das mais conhecidas figuras da sociedade paulista, em um automóvel Motobloc. Ela tinha uma bela chácara na região.

1915 - Durante a Festa do Divino, a luz elétrica ilumina o Largo da Matriz. É o fim dos lampiões de gás. Começam a aparecer os imigrantes italianos, poloneses e húngaros.

1920 - Chegam o primeiro telefone e a primeira padaria.

1925 - É inaugurada a fábrica de meias Lopes, pioneira de uma série de estabelecimentos a promover o desenvolvimento do bairro.

1929 - A Cia. Predial faz o primeiro loteamento.

1936 - O coreto do Largo da Matriz Velha dá lugar a uma enorme caixa-d’água.

1939 - Redondas preparadas em panelas cheias de óleo quente viram atração na Pizzaria do Bruno. A receita do italiano Bruno Bertucci, que morreu em 1976, ainda é sucesso na casa hoje comandada pelos descendentes do imigrante.

1947 - A CMTC inaugura a linha que liga a Freguesia ao centro.

1951 - A energia elétrica chega ali, mas para terem luz em casa os moradores devem arranjar postes e puxar a fiação.

1953 - Uma televisão comunitária vira a atração do bairro.

1956 - Após ser inaugurada às pressas em 1950, por razões políticas, a Ponte da Freguesia do Ó fica pronta e tira o bairro do isolamento.

1964 - A Editora Abril instala-se na região e desde então é a maior empresa do bairro.

1968 - O aniversário da Freguesia é comemorado com uma grande Festa do Bandeirante, organizada pelo Centro de Tradições Paulistas (CTP).

* Fonte: Prefeitura Municipal de São Paulo e wikipedia

 

 

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