Penso, logo existo!
Numa reflexão entre pensamento e existência, o filósofo francês René Descartes – 1596/1650 –, em suas “Meditações”, questiona o conhecimento tido como correto e após duvidar de sua própria existência emitiu a opinião de que em sendo um ser pensante, existia. Para ele, “a essência do homem é pensar”. Assim, nos convida a explorar a consciência, a identidade e o papel do raciocínio na compreensão do nosso ser e do mundo.
Fato é que os pensamentos são todos os estados internos da alma: memória, percepção, desejo, vontade, consciência etc. e, portanto, goza de plena liberdade, porque a ele não podem ser impostas quaisquer barreiras ou limites, desmaterializa o mundo exterior para torná-lo numa imagem interior, de modo que o homem pode se aprofundar em si mesmo.
A reflexão sobre essa matéria, como de resto as grandes questões da filosofia, é metafísica e não física, mas também se encaixa, por exemplo, na assertiva de Buda ao dizer que “o mundo é criado pelos pensamentos”; no dizer de Allan Kardec no sentido de que “quando o pensamento está em alguma parte, a alma também aí está, pois é a alma quem pensa. O pensamento é um atributo”; e, também, na ponderação do espírito de André Luiz ao afirmar que “a ideia é um ser organizado por nosso espírito, que o pensamento da forma e ao qual a vontade imprime movimento e direção”.
Os pensamentos, portanto, são os estados internos da alma que determinam o estado de nossa consciência, além de exercerem forte influência em nossos sentimentos e nas ações que são praticadas ao tornar a imagem interior em realidade.
Isso ganha relevância quando consideramos que o pensamento é um atributo fundamental nos processos de mudança porque ao trocarmos com o mundo exterior e o interior estabelecemos a ponte entre o pensar e o agir por meio do sentir, que fertiliza o terreno das emoções. Desse modo, quando a ideia fomenta as emoções, nasce à fonte motivadora da ação, porque se pensar é criar, o pensamento e a ação marcham unidos. O pensamento gera sentimento que, por sua vez, provoca a ação.
Daí a importância do cultivo dos bons pensamentos que fortalecem o corpo e o espírito, mesmo porque, se nossas ações são decorrentes das idéias que geramos, nosso sofrimento ou nossa felicidade estão diretamente ligadas à forma como pensamos, sentimos e agimos.
Como os pensamentos são todos os estados internos e, portanto, emanam da alma, a relação entre pensamento e existência nos impulsiona a explorar a consciência, a identidade e o papel do raciocínio na compreensão do nosso ser e do mundo.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca