Fé inabalável é aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade. A partir dessa premissa, a conjugação do binômio fé e razão ganha singular relevância porque respalda os estudos científicos acerca do enigma denominado de morte e, sobretudo, o que acontece com o corpo quando se dá a cessação irreversível dos processos vitais, ou seja, a morte.
Santo Agostinho, um dos principais teólogos e filósofos dos primeiros anos do Cristianismo, já exortava que “a morte não é nada” porque simplesmente “passamos para o outro lado do Caminho” e continuamos “vivendo no mundo do Criador”.
A doutrina espírita, por sua vez, busca o estudo do tema e, em síntese, encontra a resposta de que a morte não existe ao demonstrar que ela é apenas um retorno à vida espiritual. Tanto a vida terrestre, em um corpo físico, como a vida espiritual, em um corpo sutil, são etapas do aperfeiçoamento e aprendizado de cada espírito. Nascer e morrer são apenas etapas da vida!
Pode-se de se dizer que o espírito, ainda que em outra esfera, continua vivo, dando sequência ao seu progresso evolutivo.
No campo da ciência, pesquisas realizadas em todo mundo admitem a dualidade espírito (mente) e matéria ao confirmarem que a mente humana sobrevive à morte e mantém intacta a capacidade de influir sobre outras mentes do mundo material. Demonstra, portanto, que todo ser vivo tem um corpo energético que sobrevive aquilo que chamamos de morte.
Questão que também tem sido debatida e comprovada pela comunidade científica é relativa à comunicação entre o mundo material e o espiritual.
A ciência, por meio da Transcomunicação Instrumetal (TCI) – utilizando a física, da fonética, biometria e tecnologia digital -, comprova a possibilidade da interação entre os mundos material e espiritual por meio de instrumentos eletrônicos, com gravação de vozes e até filmagens de pessoas desencarnadas. Na doutrina espírita essa interação se dá por meio dos médiuns, que são intermediários entre os espíritos e os homens.
Mas, sob qualquer ótica, é fato que a conjugação Fé e Ciência já quebra paradigmas que ainda limitam uma melhor compreensão acerca das ações do homem encarnado na sua vida futura, bem como evidencia que, no mínimo, é pouco inteligente supor que a realidade material é a única expressão do universo, uma vez que muitas são as moradas do Pai.
Oportuno lembrar que, objeto de estudos pelos antigos filósofos, a espiritualidade e o mundo espiritual são sentimentos inatos das pessoas que precisam passar por um processo reflexivo para que permita apoiar os fatos na lógica, na razão, de modo que a fé raciocinada se torne inabalável e, repita-se, possa encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade.
É nesse sentido que a doutrina codificada pelo pedagogo, professor e filósofo francês Hippolyte Léon Denizard Rivais, também conhecido como Allan Kardec, que não tem sacerdócio, mas um forte conteúdo moral que liga os homens ao Criador associando-se à ciência, comprova a natureza trina do homem: espírito, perispírito e corpo físico.
Nesse contexto, acredito que quando a humanidade compreender a imortalidade da alma e, ademais, admitir a reencarnação – tema que também tem sido objeto de estudos e comprovações científicas -, o mundo será melhor porque, certamente, as posturas dos homens serão mais espiritualizadas e voltadas para o bem-estar coletivo, prevalecendo a humildade, o respeito e a caridade, e todos estarão edificando o caminho que conduz para mais próximo de Deus.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca