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Sábado, 27 de Junho 2026
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Fazer o bem faz bem!

Colunista Paulo Eduardo de Barros Fonseca

Fazer o bem faz bem!
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Às vezes nos pegamos chateados e entristecidos com algum fato. Por certo, isso também acontece comigo. 

Mas, nas ações que procuramos desenvolver em prol do nosso semelhante, encontramos uma fonte verdadeira e viva que nos encoraja, restabelecendo nossa energia e motivação. 

Permita-me, em algumas palavras, reprisar um fato ocorrido comigo, no ano de 2006, durante minha governadoria à frente do Distrito 4430 de Rotary International.  

 “Eram 6 horas de uma manhã de inverno em São Paulo. Fazia muito frio, e eu, minha esposa Diva e Ana Paula, nossa filha, então com 13 anos de idade, nos preparávamos para mais um dia de trabalho profissional e, sobretudo, rotário. Naquele dia a agenda era intensa e eu somente teria alguns momentos de convívio com Ana Paula no período da manhã, ou seja, entre o despertar, o café da manhã e no trajeto até sua escola.  

Assim foi ....  Levei-a para a escola, na zona norte da cidade, onde, na portaria principal, por volta das 6:45 horas, encontrei um companheiro a quem relatei minha agenda do dia a qual, inclusive, inviabilizaria quase que por completo minha atividade profissional, além de tolher minha chance de desfrutar momentos fraternos com minha filha, já que Diva e eu teríamos três compromissos rotários durante o dia, em três localidades diferentes do Distrito, terminando com uma visita oficial e jantar festivo num clube da cidade de Mogi das Cruzes. 

De modo bastante “confortador” o companheiro indagou se “tudo isso valia a pena???”.  Essa frase explodiu com uma bomba dentro de mim, seja porque, naquele dia eu estava cansado, chateado com algumas coisas e também triste por não poder dedicar tempo maior à Ana Paula, já que o trabalho profissional e a governadoria estavam consumindo todo nosso tempo.  

Enfim, eu não estava num dia bom... 

De qualquer forma, segui para o primeiro compromisso, na zona leste da cidade de São Paulo, mais precisamente no populoso e carente bairro de Itaquera, não sem antes, ter ido ao escritório para despachar um processo importante e ir buscar a Diva em seu trabalho - ela teve de ir ao escritório para resolver uma pendência -, no centro da cidade. 

De lá, partimos para a solenidade de entrega de um projeto a um grande hospital gerenciado por irmãs de caridade, que atende somente pelo SUS, ou seja, trata somente gratuitamente de pessoas carentes. 

Seria a entrega de um software / equipamento de imagem para diagnóstico de câncer que mapeia o corpo do doente, propiciando que a aplicação da radio e/ou quimioterapia seja feito somente na área afetada pela doença, deixando, assim, de matar células sãs que não haviam sido afetadas pela doença.  Outro e único modelo desse equipamento que, na época, existia na cidade estava instalado num famoso hospital particular e o custo do exame era inacessível aos mais necessitados. 

Às 9:30 hs. Diva e eu já havíamos chegado ao hospital e aguardávamos o início da solenidade, marcada para as 10:00 horas, na entrada do prédio. Nesse meio tempo, pudemos notar que as pessoas que buscavam socorro naquele hospital eram, efetivamente, carentes e que se não fosse a ação do Rotary elas nunca teriam a chance de receber o tratamento que aquele equipamento propiciaria.  

Nada obstante, a indagação que me fora feita na porta da escola da Ana Paula (tudo isso valia a pena???) continuava a “martelar” em minha mente e isso, de algum modo, estava me martirizando. 

A cerimônia de entrega do projeto teve início. As irmãs de caridade,administradoras do hospital, fizeram um relato acerca do trabalho que carinhosamente e com abnegação ali executavam e executam, bem como falaram acerca da importância do trabalho que o Rotary vinha fazendo para aquela comunidade sofrida e as vezes esquecida, numa região com mais de 2 milhões de habitantes, e agradeciam a entrega daquele equipamento que ajudaria a melhorar e salvar a vida de inúmeras pessoas. 

Não é preciso dizer que todos que participavam do evento se emocionaram.... Nós estávamos fazendo a diferença na vida de muitas pessoas que nem mesmo iriamos conhecer!!! Levávamos a esperança a inúmeros corações!!! Estávamos fortalecendo e transformando aquela comunidade!!! 

Mas, para Diva, a quem eu havia relatado a conversa tida na porta da escola, e para mim, cujo estado de espírito não era dos melhores, aquilo calou muito mais forte demonstrando que se algum sacrifico pessoal nós estivéssemos fazendo ou se algum ato ou fato nos tivesse chateado aquela ação seria muito maior, porque atenderia pessoas que nós nem mesmo conhecíamos ou iremos conhecer; mas nós estávamos ali fazendo o bem sem se importar a quem. 

Quase não consegui fazer meu pronunciamento porque a voz estava embargada e lágrimas teimosas insistiam em verter de meus olhos. 

Mas, o mais importante é que esse fato respondeu, com folga, a indagação que a mim havia isso feita e firmou, ainda mais, o sentimento de que o que fazemos por nós mesmos morre conosco, mas o que fazemos pelos outros e pelo mundo permanece e é imortal. 

Ali, restabelecemos nossas forças e energizados cumprimos com alegria e disposição nossa obrigação daquele dia.”. 

Para nós, desse fato, ficou a lição de que precisamos sempre acreditar que por menores que sejam as ações que praticamos nós podemos ajudar - e ajudamos - na construção de um mundo melhor. 

Se e quando, por algum motivo, nós nos entristecermos um pouco lembremos que sempre haverá um nosso irmão mais necessitado que nós e que nossa ajuda será benéfica para ele e também para nós, porque fazer o bem faz bem! 

Paulo Eduardo de Barros Fonseca

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