Na sexta-feira, dia 4 de setembro, a Força Aérea Brasileira comemorou com uma cerimônia militar a data de aniversário do Patrono da Aeronáutica Brasileira e Pai da Aviação, o Marechal do Ar Alberto Santos Dumont. O evento também celebrou o Dia do Especialista de Aeronáutica.
As cerimônias aconteceriam, respectivamente, nos dias 25 de março e 20 de julho, devido à pandemia de coronavirus.
Na ocasião, foram homenageados militares e civis que prestaram relevantes serviços à Aeronáutica e à Força Aérea Brasileira, com a entrega das medalhas Mérito Santos Dumont e Bartolomeu de Gusmão.
O evento contou com a participação de convidados e autoridades.
Para o diretor do Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA –SP), cel. Marcos Dias Marschall, “a Medalha Santos Dumont “é um ícone da Força Aérea Brasileira onde homenageamos os militares, autoridades e personalidades que prestaram algum serviço relevante à instituição. E a Medalha Bartolomeu de Gusmão presta homenagem àqueles que executam os serviços e atividades aéreas.”
“E o apoio da imprensa é essencial, em especial do jornal Semanário da Zona Norte pois a atividade militar nem sempre chega à sociedade e tem parte decisiva na nossa Nação. Então, o Semanário tem propiciado essa fonte de informação e ajudado a propagar aquilo que as Forças Armadas têm feito em prol da Nação”.
O oficial destacou também a união feita em conjunto com todas as Forças Armadas no combate à Covid. “ Estamos passando por um momento delicado mundialmente onde realmente essa congregação das Forças Armadas tem trazido os benefícios e a tranquilidade para a sociedade. A forte atuação das Forças Armadas é fundamental para que a gente consiga superar esta fase”, finalizou o cel. Marschall.
Já para o brigadeiro Sérgio Carvalho “ a solenidade é um momento inesquecível e não podemos deixar de comemorar mesmo no meio desta pandemia de coronavírus. O evento homenageia oficiais graduados e vários civis da sociedade paulistana com as comendas Mérito Santos Dumont e Bartolomeu de Gusmão. Isso mostra que essas pessoas, de uma forma especial, fizeram alguma coisa em prol da instituição. Eles são merecedores desta homenagem justa. Ambas as medalhas carregam muita simbologia. Tenho certeza que cada vez mais temos que estar sempre nos reunindo em torno de algo marcante. E em meio a esta pandemia temos que nos precaver fazendo com que o trabalho das Forças Armadas exista acima de tudo com responsabilidade e cumprindo os protocolos de segurança e distanciamento tais como uso de máscaras permanente e álcool gel”.
Em relação à imprensa o brigadeiro destacou “que o jornal Semanário da Zona Norte é um veículo de comunicação diferenciado, pois faz com que todo o trabalho das Forças Armadas esteja em evidência. O Semanário tem um maravilhoso papel frente à população do Estado de São Paulo. Ele faz parte da família militar em todos os sentidos”.
Para o brigadeiro do ar José Virgílio Guedes de Avellar, subdiretor de Fiscalização e Controle da Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico (DIRMAB), “ este tipo de evento é importante para valorizar os excelentes serviços prestados ao nossos oficiais. A Medalha Santos Dumont remete ao nosso Pai da Aviação e tem um simbolismo muito significativo para todos nós da Força Aérea. E as Forças Armadas estão muito engajadas, sob coordenação do Ministério da Defesa, em busca de fornecer suporte logístico e saúde para toda a população”.
De acordo com o brigadeiro, o papel da imprensa é importantíssimo na cobertura desses eventos. “O trabalho da imprensa é essencial para divulgar os acontecimentos e iniciativas em prol da nossa população”.
Para o vice-almirante Sergio Fernando de Amaral Chaves Junior, comandante do Comando do 8º Distrito Naval “é uma honra ser agraciado com a homenagem. Somos como forças irmãs. Trabalhamos sempre juntos e temos os mesmos objetivos. Para mim é de muita alegria ser condecorado. É fundamental o trabalho das Forças Armadas no combate à Covid-19. Com isso, conseguimos unir especificidades e forças que cada um de nós tem. Esse trabalho em conjunto torna-se muito mais eficaz para a radicação dessa pandemia.
O vice-almirante destacou a importância da imprensa, em especial do jornal Semanário da Zona Norte. “É muito importante divulgar esses valores de civismo que nós cultuamos. Parabenizo o jornal por este magnifico trabalho e prestígio que confere às três Forças, hoje principalmente à Força Aérea Brasileira”.
Discurso do Chefe do Estado-Maior do COMGAP, major-brigadeiro do ar
Ricardo Augusto Fonseca Neubert
“Gostaria de agradecer a presença do vice- almirante Chaves, comandante do 8º Distrito Naval que muito nos honra, ao major-brigadeiro Sérgio, brigadeiro Luis Fernando, diretor de Tecnologia da Informação da Aeronáutica, brigadeiro Salgado, brigadeiro Avellar, subdiretor da DIRMAB, todos os nossos comandantes, chefes, diretores e organizações da Força Aérea Brasileira do Estado de São Paulo, oficiais superiores e principalmente aos nossos agraciados e familiares . A condecoração é derivada do latim condecorare, que significa adornar e conferir honra em um conceito amplo. A condecoração é um símbolo de distinção honorifica representada por uma insígnia e distribuída pelos chefes de governo em instituições para agraciar pessoas físicas e jurídicas pelo seu desempenho no processo de engrandecimento de uma Nação ou no estritamento das relações entre os povos. A partir do século 19, o Brasil enfrentou diversos conflitos externos para consolidar a soberania nacional. Os imperadores e presidentes, por meio dos seus ministros militares, concederam diferentes condecorações de guerra para premiar a bravura do combatente brasileiro. O agraciado sentiu-se, então, honrado com a disfunção outorgada. Este sentimento de honra continuou vivo nos integrantes de caça na Itália e naqueles que participaram nas missões de patrulha no Atlântico Sul.
Acabada a guerra, o Ministério da Aeronáutica criou várias condecorações de paz, algumas destinadas a recompensar militares e civis por destacados serviços prestados à Força Aérea Brasileira. Outros para estimular os estudos e as pesquisas. Os exemplos mais expressivos são os da Medalha Mérito Santos Dumont e Bartolomeu de Gusmão. Pode parecer surpreendente que em momento de intenso imediatismo e materialismo em que vivemos alguém se preocupe com valor tão subjetivo como as condecorações militares.
No dia 25 de março, data em que se comemora o Dia do Especialista da Aeronáutica outorgamos a Medalha Bartolomeu de Gusmão. A distinção é concedida a militares e civis pelos destacados serviços prestados à Aeronáutica com intuito de homenagear esse insigno brasileiro.
Já no dia 20 de julho concedemos a Medalha Mérito Santos Dumont que é um reconhecimento aos militares que se destacaram no exercício da profissão aos cidadãos brasileiros e estrangeiros que tenham prestados notáveis serviços ao país e foram julgados merecedores da condecoração. Uma homenagem alusiva ao nascimento do Pai da Aviação e Patrono da Aeronáutica Brasileira, precursor daquelas que seriam como as das invenções mais extraordinárias da historia da humanidade que impulsionaram a indústria da Aeronáutica, o avião.
Os meses de março e julho são simbólicos para a Força Aérea Brasileira, entretanto, devido às circunstancias de pandemia que enfrentamos realizamos a solenidade no dia 4 de setembro.
Aos militares, nobres defensores da Pátria que foram condecoradas com as medalhas, quero lhes agradecer, enaltecer e felicitar fazendo justiça à dedicação, empenho, disciplina, espirito de equipe e esforço contribuindo com o melhor de si para que essa instituição tivesse os melhores resultados. Parabenizo também os agraciados pela homenagem.
Continuaremos defendendo e estimulando essa parceria da sociedade civil e militar como uma forma de criar ações positivas em prol da coletividade. Entendam com essa comenda como se fosse uma senha de entrada às nossas organizações.
Por fim, quero deixar registrado nossos sentimentos e parabéns à família aqui representada pela esposa do 1º sargento Tiago Abdalla Razuk, militar dedicado e conhecido pela qualidade de seu trabalho em seus mais de 16 anos de bons serviços prestados à Pátria que nos deixou precocemente. Hoje agraciado com a Medalha Bartolomeu de Gusmão pós-morte.
Além dele, não podemos nos esquecer do Sr. Lucio Antonio Totaro, aqui representado pela esposa e filha. Empresário e proprietário da Confex Bel Tecidos, amigo e parceiro que também nos deixou prematuramente. Hoje, agraciado com a Medalha Bartolomeu de Gusmão pós-morte. Ele foi um cidadão muito especial que prestou relevantes serviços à Força Aérea Brasileira”.
Medalha Santos Dumont
A Medalha “Mérito Santos Dumont” foi criada pelo Decreto nº 39.905, de 5 de setembro de 1956, alterado pelo Decreto número nº 66.815, de 30 de junho de 1970, ambos revogados pelo Decreto nº 4.209, de 23 de abril de 2002, em homenagem ao espírito do imortal brasileiro Alberto Santos Dumont, nascido em 20 de julho de 1873, por ocasião do cinquentenário do primeiro voo do “Mais Pesado Que o Ar”.
Alberto Santos Dumont dedicou sua vida à aviação e foi o primeiro aeronauta a alcançar a dirigibilidade dos balões e a voar em um aparelho mais pesado que o ar com propulsão própria.
A honraria é uma distinção concedida a militares da Força Aérea Brasileira e Forças Armadas Nacionais e Estrangeiras e aos cidadãos brasileiros ou estrangeiros pelos relevantes serviços prestados à Aeronáutica brasileira ou, por suas qualidades ou valores, em relação à Aeronáutica, sejam julgados merecedores.
A entrega das condecorações aos agraciados é efetuada em 20 de julho, que é o dia do aniversário de Alberto Santos Dumont, Pai da Aviação e Patrono da Aeronáutica Brasileira, ou dia útil anterior caso a data coincida com um sábado ou domingo.
A Medalha “Mérito Santos Dumont”, se usada concomitantemente com condecorações estrangeiras, terá precedência sobre estas. Dentre as medalhas nacionais, será usada após as condecorações de bravura militar, de feridos em ação, de participação em campanha e do cumprimento de missões ou operações de guerra, as de atestar o mérito, as de serviços relevantes, as de recompensar bons serviços militares e as de recompensar contribuição ao esforço nacional de guerra.
Terá precedência às de mesma classificação para os integrantes do Comando da Aeronáutica, sobre aquelas destinadas a premiar Mérito Cívico e as de aplicações aos estudos.
Para os militares, a utilização da barreta, em substituição à Medalha, obedece às mesmas prescrições, cabendo seu uso nas situações definidas pelos respectivos Regulamentos de Uniformes.
A utilização da condecoração em trajes civis, observando a ordem de precedência, será de acordo com as seguintes orientações.
- Traje Casaca: usa-se na lapela a miniatura;
- Traje Smoking: usa-se na lapela as miniaturas quando for estipulado o traje “com condecorações”, ou a roseta (botão) caso o evento seja “sem condecorações”;
- Traje Passeio Completo: usa-se na lapela a roseta (botão), mesmo não se tratando de solenidade. Exceção feita à cerimônia de imposição da condecoração, quando o agraciado usa a medalha.
Medalha Bartolomeu de Gusmão
Criada pelo Decreto nº 68.886, de 6 de julho de 1971. As instruções para a sua concessão foram aprovadas pela Portaria nº 1999/SCGC, de 27 de novembro de 2014.
São premiados com a “Medalha Bartolomeu de Gusmão” os militares e civis do Comando da Aeronáutica que tenham prestado relevantes serviços à Força Aérea Brasileira.
A condecoração é concedida, preferencialmente, aos suboficiais, sargentos, cabos e taifeiros da ativa e funcionários civis da Aeronáutica até o nível correspondente a suboficial, em atividade. Ela é destinada, prioritariamente, a quem ainda não possui a medalha “Mérito Santos Dumont”, mas os militares devem ter a “Medalha Militar”, e os funcionários da Aeronáutica, mais de dez anos de serviço.
A medalha leva o nome do Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão (1685-1724), nascido em Santos-SP, porque foi um dos precursores da aviação, por seus trabalhos e realizações no campo da aerostação. Ele foi pioneiro na utilização do ar quente como elemento capaz de fazer ascender um corpo no espaço: em 1709, no centro de Lisboa, em Portugal, o primeiro balão livre levantou voo na história. Era o “Passarola”, engenho do “Padre Voador”.
A condecoração deverá ser usada, mandatoriamente, nas Paradas e Desfiles, nas recepções e cerimônias em que assim for determinado ou quando o Uniforme prescrito para o ato ou solenidade fixar expressamente essa obrigatoriedade, de acordo com o Regulamento de Uniformes da Força.
As Barretas serão utilizadas em substituição às Medalhas nos Uniformes que assim estipulem ou quando for determinado por autoridade competente.
Terá precedência às de mesma classificação para os integrantes do Comando da Aeronáutica e sobre aquelas destinadas a premiar Mérito Cívico e as de aplicações aos estudos.
Para os militares, o uso da barreta, em substituição à Medalha, obedece às mesmas prescrições, cabendo seu uso nas situações definidas pelos respectivos Regulamentos de Uniformes.
Os militares da Reserva ou Reformados e Civis, em traje Passeio Completo, poderão usar, a critério próprio, a roseta na lapela, mesmo não se tratando de solenidade. Quanto aos trajes civis, o procedimento é análogo ao dos militares, isto é, usa-se esta condecoração no lado esquerdo do peito, observando a ordem de precedência e as seguintes orientações:
- a condecoração será usada em solenidade cujo traje seja casaca, na lapela; exceção feita à cerimônia de imposição da condecoração, cujo traje, normalmente, será o Passeio Completo;
- no “Smoking” poderá ser usada a roseta (botão), uma de cada vez, a critério próprio, na lapela, quando for estipulado que a solenidade será “com condecorações”;
- o traje Passeio Completo admite, somente, o uso da roseta (botão) na lapela, mesmo não se tratando de solenidade.
Para as senhoras, nas cerimônias de imposição, naturalmente será usada a medalha de tamanho normal. Quando a solenidade exigir traje equivalente a “Smoking” com condecorações, usa-se a roseta (botão) ou quando, não se tratando e solenidades, em trajes menos formais.
Santos Dumont
Alberto Santos Dumont (1873-1932) nasceu na Fazenda Cabangu, em João Gomes - hoje Santos Dumont, Minas Gerais, no dia 20 de julho de 1873. Filho de Henrique Dumont, engenheiro francês e plantador de café, e de Francisca Santos Dumont, de origem portuguesa.
Seu avô, François Dumont, joalheiro francês, veio para o Brasil em meados do século 19 e escolheu Diamantina para morar. Santos Dumont teve cinco irmãs e dois irmãos. Entre os homens, era o caçula da família. Aprendeu a ler com sua irmã Virgínia. Estudou no Colégio Culto à Ciência, em Campinas, depois no Instituto dos Irmãos Kopke e no Colégio Morethzon, no Rio de Janeiro.
Em 1891, acompanhado da família, Dumont visitou a França pela primeira vez. No fim do século 19, o motor a gasolina era a sensação das exposições em Paris. Santos Dumont ficou fascinado, pois sempre se interessou por mecanismos.
Seu sonho, desde criança, era criar um aparelho que permitisse o homem voar controlando seu próprio curso. Passou a adolescência lendo Júlio Verne, observando os pássaros e estudando sua constituição física.
Em 1892, após seu pai adoecer e adiantar parte da herança aos filhos, Dumont mudou-se para Paris e começou a oportunidade de construir as próprias aeronaves. Lá, ele fez contato com baloeiros, como Albert Chapin, que viria a se tornar mecânico de seus inventos.
Em Paris, Santos Dumont se aprofundou nos estudos, principalmente em mecânica e no motor de combustão, pelo qual se apaixonou à primeira vista. Seu primeiro Balão, o “Brasil”, com apenas 15 kg ganhou altura, mas dependia do vento para se movimentar. A dirigibilidade era o que realmente interessava a Santos Dumont e as pesquisas continuaram.
Depois de muitos estudos, mandou construir o “nº1”, primeiro de uma série de “charutos voadores” motorizados. No dia 20 de setembro de 1898, sob o comando do inventor, o balão subiu aos céus, chegando à altura de 400 metros e retornando ao mesmo ponto de partida.
Construindo diversos balões sucessivamente e realizando experiências, Santos Dumont foi desenvolvendo os mistérios da navegação aérea. O balão “Nº3” já possuía um motor a gasolina.
Com o “14 Bis”, uma “aeronave mais pesada que o ar”, o brasileiro cumpriu alguns desafios em exibições públicas nos arredores de Paris. No dia 23 de outubro de 1906, realizou um voo de 60 metros.
O segundo desafio se deu no dia 12 de novembro de 1906, quando o “14 Bis”, com um motor de 50 cavalos de potência, partiu do Parque de Bagatelle e subiu a uma altura de 6 metros, percorrendo 220 metros, tendo como testemunha os membros da comissão do Aeroclube da França.
Em 1908, Santos Dumont constrói o “Demoiselle”, cujo desenho serviria de modelo a todos os projetistas que se seguiram. Tudo nela era obra de Dumont, inclusive o motor. Em 1910, na primeira exposição da Aeronáutica realizada no Grand Palais de Paris, o “Demoiselle” foi um sucesso.
Ainda em 1910, Dumont encerrou sua carreira. Passou a supervisionar as indústrias que surgiram na Europa. Doente, resolve voltar ao Brasil. No dia 8 de dezembro de 1914, ao ver seu invento ser usado para bombardear a cidade de Colônia, se decepciona.
No Brasil, sua tristeza aumentou quando o aeroplano foi usado durante a revolução de 1932 em São Paulo.
Com esclerose múltipla e depressão, Santos Dumont se suicida em um hotel no Guarujá.
Alberto Santos Dumont faleceu no Guarujá, São Paulo, no dia 23 de julho de 1932. Deixou dois livros: “Dans-L’air” (1904) e “O que Vi e o que Nós Veremos” (1918)
Bartolomeu Lourenço de Gusmão
Em dezembro de 1685, nascia na então Vila de Santos, em São Paulo, filho de Francisco Lourenço, cirurgião- mor do Presídio da Vila de Santos, litoral paulista, e de sua mulher Maria Alvares, o jovem Bartolomeu Lourenço de Gusmão. Rapaz brilhante, de ideias avançadas para sua época, logo se destacou. Fez os estudos primários em Santos, seguiu para o Seminário de Belém (Bahia), a fim de completar o Curso de Humanidades , vindo a filiar-se à Companhia de Jesus, sob orientação do grande amigo de seu pai e fundador daquele Seminário, padre Alexandre de Gusmão. Em1705, com apenas 20 anos de idade, requereu à Câmara da Bahia, o privilégio para o seu primeiro invento. Era um aparelho que fazia subir água de um riacho até uma altura de cerca de 100 metros. A água não precisava mais ser transportada morro acima nas costas de homens ou em lombo de animais.
Bartolomeu de Gusmão se incorporou à série das figuras que pertencem à história da Humanidade, no campo das ciências com sua invenção notabilíssima, integrando a galeria das nossas glórias nacionais e nas do Mundo, com o primacial relevo que assumiu na prioridade de navegação aérea.
Entre 1708 e 1709, Bartolomeu de Gusmão, já ingresso no sacerdócio, embarcou para Lisboa, capital do Império, onde aprofundaria seus conhecimentos.
Na Universidade de Coimbra realizou profundos estudos da Ciência Matemática, além das Ciências de Astronomia Mecânica, Física, Química e Filologia, isto sem falar no exercício da Diplomacia e da Criptografia , atendendo designação de d. João V, tendo bacharelado-se ao 5 de maio de 1720 e completado o Curso de Doutoramento de Faculdade Canones, da Universidade de Coimbra, em 16 de junho de 1720. Foi uma bolha de sabão elevando-se ao se aproximar do ar quente ao redor da chama de uma vela que acendeu o intelecto de Gusmão para a diferença entre as densidades do ar. Um objeto mais leve que o ar poderia então voar! Em 1709, anunciou à corte que apresentaria uma “Máquina de Voar”. Em 19 de abril daquele ano, recebeu autorização do Rei d. João V para demonstrar seu invento perante a Casa Real.
Em 3 de agosto de 1709 foi realizada a primeira tentativa na Sala de Audiências do Palácio. No entanto, o pequeno balão de papel aquecido por uma chama incendiou-se antes ainda de alçar voo. Dois dias mais tarde, uma nova tentativa deu resultado: o balão subiu cerca de 20 palmos, para verdadeiro espanto dos presentes. Assustados com a possibilidade de um incêndio, os criados do palácio se lançaram contra o engenho antes que este chegasse ao teto.
Três dias mais tarde, exatamente no dia 8 de agosto de 1709, foi feita a terceira experiência , agora no Pátio da Casa da Índia perante d. João V, a rainha d. Maria Ann e Habsburgo, o núncio cardeal Conti, o Infante d. Francisco de Portugal, o marquês de Fonte, fidalgos e damas da Corte e outros personagens. Desta vez, sucesso absoluto. O balão ergue-se lentamente , indo cair , uma vez esgotada sua chama, no Terreiro do Paço. Havia sido construído o primeiro engenho mais leve que o ar. O rei ficou tão impressionado com o engenho que concedeu a Gusmão direito sobre toda e qualquer nave voadora desde então. E para todos aqueles que ousassem interferir ou copiar-lhe as ideias, a pena seria a morte.
O invento do padre chamou-se Passarola , em razão de ter a forma de um pássaro, crivado de multiplicados tubos pelos quais coava o vento e a encher um bojo que lhe dava a ascensão; e, se o evento minguasse conseguia-se o mesmo efeito, mediante uma serie de foles dispostos dentro da tramoia.
A concepção e realização do aeróstato por Bartolomeu de Gusmão, mostrou o passo gigantesco que representou sua invenção, idealização e objetivação do flutuador aerostático , donde deveria sair a aeronave, sendo corretamente considerado o Pai da Aerostação, tendo precedido em 74 anos os irmãos Montgolfier, que voaram em um balão de ar quente em 1783.
Bartolomeu de Gusmão foi uma figura singular, na qual o homem, o sacerdote e o bem-dotado se fundiam numa personalidade complexa, que enxergava muito à frente de seu tempo, sofrendo os naturais e inevitáveis consequências dessa excepcionalidade.
O padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão faleceu em 19 de novembro de 1724, em Toledo, na Espanha, sendo considerado pelos seus feitos a primeira e mais bela página da Aeronáutica.
Na manhã do dia 24 de março de 2004, após uma missa solene celebrada por dom Claudio Hummes, cardeal arcebispo de São Paulo, foram sepultados na Cripta da Catedral da Sé, os restos mortais do padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão.
Com o intuito de homenagear esse insigne brasileiro que se tornou, por seus trabalhos e realizações no campo da Aerostação, um dos precursores da Aviação, motivo porque deve ser cultuado como paradigma de dedicação, zelo e amor à Aeronáutica, o presidente da República pelo Decreto nº 68.886, de 6 de julho de 1971, resolveu criar o Ministério da Aeronáutica, a Medalha “Bartolomeu de Gusmão”, considerando o que expôs o Ministro da Aeronáutica sobre a conveniência da instituição de uma medalha com a finalidade de premiar aqueles que tenham prestado serviços apreciáveis ao Ministério da Aeronáutica.
Atualmente, a Portaria nº 1.999/SCGC, de 27 de novembro de 2014, regula o critério para a concessão e anulação de referida Medalha e dá outras providências.