Vivemos em uma época de urgências. Entre crises econômicas e debates acalorados sobre o futuro da tecnologia, é comum que temas fundamentais acabem relegados ao rodapé das nossas preocupações diárias. No entanto, ao chegarmos a mais um Dia da Educação (28 de abril), é preciso interromper o fluxo do imediato para fazer uma pergunta incômoda: o que resta de uma sociedade que negligencia o ato de ensinar?
Celebrar esta data não é um exercício de nostalgia ou apenas uma homenagem cortês aos professores. É, antes de tudo, um ato de consciência coletiva. A educação é o único solo onde a democracia consegue fincar raízes profundas. Sem ela, o que chamamos de cidadania torna-se uma casca vazia, vulnerável ao autoritarismo e às notícias falsas que prosperam onde o pensamento crítico é escasso.
O erro mais comum — e talvez o mais caro — é tratar a educação como um compartimento isolado da vida pública, uma etapa que se encerra com um diploma na mão. A educação é, em verdade, a infraestrutura invisível de um país. Ela está na saúde, quando entendemos a importância da ciência; está na economia, quando formamos mentes capazes de inovar; e está na segurança, quando oferecemos caminhos que o crime não consegue oferecer.
Não podemos aceitar que o CEP de uma criança determine o limite do seu conhecimento. Onde há uma sala de aula sem recursos, há um futuro sendo sequestrado.
É necessário que o poder público entenda que orçamento para o ensino não é despesa, é fundação. É preciso que a sociedade civil valorize o educador não com palavras doces, mas com condições dignas de trabalho. E é fundamental que cada um de nós recupere a curiosidade intelectual, entendendo que o aprendizado é um processo que só termina com a própria vida.
Que este dia não passe como uma nota protocolar. Que ele nos lembre de que, se a educação é cara, o preço da ignorância é uma conta que nenhuma nação consegue pagar por muito tempo. Investir no saber não é uma escolha política; é uma estratégia de sobrevivência.
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