O país, tal como ocorre com o planeta, passa por grandes transformações. Questões éticas e morais têm sido amplamente debatidas e todos têm sido chamados a opinar e se posicionar. Sob todos os aspectos, há um crescente clamor pelo exercício consciente da cidadania.
Nos próximos dias, nossa sociedade terá mais uma oportunidade para demonstrar o que ela espera daqueles que irão gerir os destinos da nossa nação no próximo quadriênio.
Esse é um momento muito significativo e todos precisam estar conscientes da importância do ato que em breve irão praticar. Indistintamente, todos podem e devem ser partícipes do processo de transformação da sociedade.
O exercício do dever cívico do voto deve ser praticado em favor daquele que trabalhará pelo bem comum da coletividade. Por isso, o exercício do voto, enquanto o poder e a liberdade plena da cidadania, deve ser praticado com absoluta responsabilidade.
Se pretendemos conviver numa sociedade mais justa e perfeita precisamos nos preocupar em escolher representantes que tenham preocupação verdadeira com o bem comum e não com seu interesse pessoal.
Neste momento histórico é oportuno lembrar da lição de Rui Barbosa – in Obras Completas de Rui Barbosa – ao dizer que “Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se excluem, se repulsam mutualmente. A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis. A politicalha é a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou o conjunto das funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si mesma. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.”.
Quando o poder da inteligência for banhado pelo poder moral e ético a sociedade atingirá um mundo mais justo e mais de acordo com o bem comum, pois os que governam estarão imbuídos de propiciar sob todos os meios possíveis a felicidade natural da maioria.
Portanto, é importante que estejamos conscientes da responsabilidade individual de cada um na viabilização da construção de uma sociedade melhor, de modo que nossa ação de cidadania deve refletir uma atuação consciente, na busca de uma ordem social que privilegie o bem comum – que é um conjunto de condições concretas que permite a todos os membros de uma comunidade atingir um nível de vida à altura da dignidade humana ¬-, e não o interesse pessoal daquele que irá governar.
Ora, como o homem de bem não declina da sua cidadania e da vivencia de forma consciente e responsável, os justos e bons não têm o direito de se omitir.
O voto não tem preço, mas tem consequências!
Assim, ao sermos chamados às urnas, ao exercício pleno da cidadania, nossa atitude, nossa postura, revelará a nossa radiografia moral. Logo, não podemos nos permitir afrouxar no campo moral, com pequenas concessões morais pois, fatalmente, as consequências virão.
Esta é uma oportunidade em que todo indivíduo tem condições de exercer a cidadania e, sobretudo, de influenciar de modo significativo no coletivo, ajudando na transformação e evolução da sociedade, notadamente escolhendo o justo para governar porque, como dito em Provérbios 29:2,
“quando o justo governa, o povo se alegra”.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca
Secretário Geral da APAESP- Associação dos Procuradores Aut. do Estado de São Paulo
Sócio Sheldon Barros Fonseca – Advogados