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Ex-secretário municipal da Secretaria de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, visita a sede do jornal Semanário

O ex-secretário falou sobre os principais problemas enfrentados na cidade de São Paulo

Ex-secretário municipal da Secretaria de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, visita a sede do jornal Semanário
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O ex-secretário  municipal da Secretaria de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, acompanhado pelos assessores Paola Rosa Estevão, Rafael Queiroz e o cel. PM José Giannoni, visitou a sede do jornal Semanário da Zona Norte, na segunda-feira, dia 22 de abril, e foi recebido pelo diretor João Carlos Dias.

Na ocasião, o ex-secretário  falou sobre os principais problemas enfrentados na cidade de São Paulo tais como zeladoria, transporte público e saúde, o papel da cultura no Estado e a importância das mídias regionais.

Andrea Matarazzo é paulistano, empresário, radialista e político brasileiro, sobrinho-neto do conde Francesco Matarazzo, sobrinho de Ciccillo Matarazzo e irmão da jornalista de etiqueta e comportamento, Claudia Matarazzo.

Já foi vereador da cidade de São Paulo, subprefeito, secretário de Serviços, de Subprefeituras, secretário de Estado de Energia, da Cultura, ministro da Comunicação e embaixador do Brasil na Itália.

Vereador na Câmara Municipal de São Paulo, foi líder da bancada do PSDB até se filiar ao PSD, em março de 2016. Desde 2013, aprovou 20 leis municipais, entre elas: Pro-Mac, que aumenta o incentivo a projetos culturais por meio de isenção fiscal na capital (e substitui a Lei Mendonça); a lei que regula a comida de rua; lei que agiliza serviços de poda de árvore na capital; isenção de IPTU para teatros; lei que desburocratiza instalação de creches na periferia, etc.

Como secretário de Estado da Cultura, trabalhou para democratizar e levar a cultura ao interior, promovendo espetáculos gratuitos ou a preços populares – como o Circuito Cultural Paulista e apresentações da OSESP – e valorizando as expressões culturais locais por meio de programas como Fábricas de Cultura e Revelando São Paulo.

Já como secretário das Subprefeituras, entre outras ações, coordenou a reforma da Av. Paulista, tornando-a mais segura e acessível e trazendo à tona a questão da acessibilidade urbana, até então ignorada. Idealizou a criação do Parque do Povo e foi um dos responsáveis pela Virada Cultural – evento que já se integrou ao calendário de São Paulo. Também foi o responsável pela implementação da Lei Cidade Limpa, que retirou outdoors e despoluiu a paisagem da capital.

Andrea Matarazzo   é lembrado  pela população por sua luta por uma cidade mais solidária e amiga de seus moradores.

Confira na integra a entrevista com Andrea Matarazzo.

JSZN: Como o Sr. vê os problemas na cidade de São Paulo?

Andrea Matarazzo:  “Eu sempre digo que a cidade de São Paulo possui milhares de problemas de interesse  local e três ou quatro problemas de interesse geral. Educação, saúde e segurança são problemas gerais. Agora, cada região tem suas peculiaridades, não podemos dizer que os problemas da Zona Norte sejam os mesmos da Zona Central. Mesmo dentro da região norte, se considerarmos  os bairros de Santana e Jardim Fontalis, no Jaçanã são coisas completamente diferentes. A melhor forma de conseguirmos saber quais são os reais  problemas é falar com quem reside e trabalha nas regiões.  O cidadão é o melhor fiscal da cidade. Existem ainda problemas pequenos que são gerais, como por exemplo a poda de árvore que é um problema geral. Quando fui vereador criei um projeto de lei para aliviar e resolver muito essa questão, mas infelizmente o então prefeito Fernando Haddad vetou.  O projeto consistia em credenciar agrônomos para a cidade de uma forma que não se perderia o controle.  Recentemente, vi no jornal Semanário da Zona Norte um buraco ecológico, as pessoas estão buscando alternativas, enquanto  a Prefeitura cadastra buracos, quando devia  tampá-los. Outro problema enfrentado na cidade são as calçadas que estão muito ruins.  É preciso definir as prioridades enfrentadas por São Paulo. A cidade possui 12 milhões de habitantes, cerca de 4 milhões não têm saneamento básico e 3,5 milhões de pessoas morando em favela, são mais de mil favelas”. 

JSZN: Problemas  relacionados à poda de árvores cresceram 39% no ano passado em relação à 2017 liderando as queixas registradas na Ouvidoria da Controladoria Geral da Prefeitura de São Paulo. Na sua opinião como resolver o problema de zeladoria na cidade?

Andrea Matarazzo:  “São Paulo possui um grande parque arbóreo, são 900 mil árvores. Elas são como gente, ou seja, nasce, cresce, envelhece e morre. Então, quando plantamos uma árvore é preciso ter controle. Aqui na cidade há muitas irregularidades. Existem muitas árvores plantadas debaixo da rede elétrica. Há ainda áreas da cidade como Santana, Lapa, Alto de Pinheiros, Jardim Paulista, Jardim Europa e Jardins  que possuem árvores muito antigas, plantadas quando esses bairros foram loteados. Todas elas precisam de inspeção por serem muito antigas. A maioria delas estão infestadas por cupins . É necessário removê-las previamente. Um exemplo são as chuvas de verão, num final de semana deste ano caíram 700 árvores na cidade. A situação piora no fim de tarde quando os temporais acontecem. Imagine o tempo que leva o caminhão da Enel para chegar até o local, sem contar a maçaroca de fios encontrada pelas vias. Tudo isso conspira contra o cidadão.  Outra questão gravíssima encontrada na cidade é a falta de limpeza no sistema de drenagem, há mais de 3 anos que não se limpa. Então, temos que limpar bueiros, galerias e os córregos  e intensificar a operação cata-bagulho. Se limpássemos esse sistema no período seco e substituíssemos  as árvores antigas por novas iriamos encontrar menos problemas. É preciso usar os veículos de comunicação para conscientizar a população da importância de não jogar lixo na rua. É preciso falar pelo jeito certo com as pessoas certas”.

JSZN: Outra reclamação diz respeito aos buracos e asfaltos mal conservados nas principais vias da cidade. Como solucionar esta questão  que coloca em risco a vida dos motoristas e da população?

Andrea Matarazzo:  “Antes de fechar a usina de asfalto deveriam ter pensado como iam fazer e qual substituição. O ideal seria selar parcerias com empresas terceirizadas. É preciso ter uma ação concreta com essas empresas privadas, ou seja, profissionais têm que fiscalizar as obras. Tem um ditado muito comum que é ‘quem quer faz, quem não quer manda”. O papel de prefeito de uma cidade é de zelador e não glamour. São muitos problemas, nunca iremos agradar a todos. Quem quer ser prefeito tem que ter humildade para ouvir as reclamações da população”.

JSZN: O Sr. já foi secretário de Estado da Cultura de São Paulo.  Na sua opinião qual o principal papel do Estado na cultura?

Andrea Matarazzo:  “Sou apaixonado por cultura. Venho de uma família que fez muito pela cultura de São Paulo. Meu tio  Ciccillo Matarazzo  foi criador e financiador da Fundação Bienal de São Paulo, dos museus de Arte Contemporânea e Moderna, da Companhia Vera Cruz de Cinema, Teatro Brasileiro de Comédia. O papel da cultura é muito importante e para se ter uma sociedade moderna  é necessário fomentar e estimular a cultura em áreas públicas da cidade. A educação forma pessoas, já a cultura transforma. Hoje, os empregos procuram pessoas que sejam criativas. O jovem de hoje é empreendedor. As pessoas são aproveitadas nas atividades que exigem criatividade e a cultura é uma componente importantíssima para o desenvolvimento da criatividade. Quando fui secretário de Cultura criei 10 fábricas de cultura, inclusive duas na Zona Norte. As fábricas de cultura são grandes centros culturais de formação, ou seja, escola que oferece aula de música, pintura, cenografia, etc. Ali, formamos jovens ou pequenos produtores culturais. Elas não só transformaram as crianças que frequentam as fábricas mas também a própria região”.

JSZN: A saúde da cidade de São Paulo é precária, com a falta de medicamentos e equipamentos médicos. O Sr. acredita que deveria existir mais Unidades Básicas de Saúde (UBS) para atender a população ou é preciso fortalecer as já existentes?

Andrea Matarazzo:   Percebo muito que o problema da saúde na cidade tem haver com gestão, porque dinheiro tem. Quando estávamos na Prefeitura de São Paulo construímos  o Hospital Municipal M’Boi Mirim. Percebemos que não iriamos administrar direito o empreendimento. Então, criamos uma organização social junto ao Hospital  Israelita Albert Einstein, ou seja, a Prefeitura ofereceu o recurso e o Einstein faz a gestão. A mesma coisa com a Cidade Tiradentes, o Hospital Irmãs Marcelinas que está impecável. E o Instituto do Câncer que é administrado por uma entidade privada. Agora, organização social sem fiscalização, não acontece nada. Acho que quando queremos, fazemos. A culpa sempre é da falta de dinheiro ou do funcionário público”.

JSZN: A parceria público-privada é uma solução?

Andrea Matarazzo:   “Sem dúvida nenhuma. A parceria também funciona no setor cultural. Eu acho que a cidade de São Paulo e a Cultura devem estar acima das discussões ideológicas. Cada ação reflete diretamente no cidadão. Não podemos deixar que questões políticas interfiram nas ações”. 

JSZN: O transporte público na cidade é outra questão que preocupa a população. A maioria dos passageiros passam quase um terço do dia dentro de ônibus, metrô ou trem. Qual a solução para melhorar o transporte público na cidade?

Andrea Matarazzo:   “O transporte público de São Paulo tem custo alemão e qualidade cubana. É algo horroroso. Temos uma frota de 15 mil ônibus mas apenas 15% deles possui ar condicionado. Boa parte da população dorme menos do que cinco horas por noite na cama. E 80% dos empregos na cidade ficam na região central. Esses são os reais problemas que afligem a população paulista e não é fazer parque em cima de viaduto. Infelizmente, São Paulo não é Nova York. É difícil mudar isso, vai mudar se tiver alguém com mais firmeza e entenda os problemas da população”.

JSZN: Em 2012, o Sr. lançou um livro de fotos para retratar a cidade e fiscalizar as obras das Subprefeituras.  Como surgiu a iniciativa?

Andrea Matarazzo: A iniciativa surgiu pela paixão que temos pela cidade de São Paulo. Estudei e conheço a história dos bairros. Ninguém acredita nas coisas que existem na cidade. A elite paulistana está muito no centro expandido. Ela não conhece as belezas que temos em regiões como Parelheiros, na Freguesia do Ó, onde encontramos a matriz e a Pizzaria Bruno que foi a primeira inaugurada na  cidade . A reforma e restauração  que realizamos na Capela de São Miguel Arcanjo, situada na   Praça Padre Aleixo, em São Miguel Paulista. São lugares belíssimos. Infelizmente, as pessoas veem apenas o lado contemporâneo e cosmopolita e não enxergam a grande pobreza que existe neste cinturão”.  

JSZN: Qual a importância das mídias regionais em especial o Jornal Semanário da Zona Norte?

Andrea Matarazzo:  “O Semanário da Zona Norte é muito importante. As mídias regionais antecipam o que as grandes mídias dizem hoje. Elas falam com o cidadão especifico que é o morador da região. Esses jornais também criaram seus sites e suas páginas nas redes sociais. Eu apresento um programa na Rádio Capital AM, onde leio os jornais da cidade, inclusive os regionais. É uma oportunidade de falar com os moradores de diversas regiões da cidade. São assuntos que interessam especificamente àquele cidadão”.

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