Aguarde, carregando...

Domingo, 17 de Maio 2026
Notícias Colunistas

Ex-acadêmico: uma heresia

Colunista *José Renato Nalini

Ex-acadêmico: uma heresia
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Academia com “A” maiúsculo é aquela em que estigmatiza o eleito com a marca irremovível da imortalidade. É algo que o acompanha enquanto viver. Só “academias” têm a categoria de “ex-acadêmico vivo”. É uma verdadeira heresia.

            Como é ridículo que alguém que aceite ser empossado na Cadeira de alguém vivo ou faça o elogio do morto-vivo ou o esqueça. Seja qual for a escolha, estará laborando em ridículo.

            Essa ideia da imortalidade perene não é nova. Chegou a ser discutida no âmbito da Academia Brasileira de Letras, que é o modelo para todas as demais experiências acadêmicas tupiniquins.

            Olavo Bilac foi um dos desgostosos com a Academia. Manifestava esse desgosto em uma roda de amigos, em qualquer lugar que fosse. Geralmente em bares. Alguém lhe aconselhou pedisse demissão.

            - “É inútil: o acadêmico, uma vez empossado, pode demitir-se, atacar a Academia, dar o fardão aos criados; não adianta nada; só perde essa condição quando morre!”.

            E acrescentou:

            - “Três classes de indivíduos estão sujeitos a essa fatalidade: o acadêmico, o padre e o filho natural. O padre pode deixar a batina, casar-se no civil, romper com a religião; para a Igreja continuará sendo sempre o padre, que ela jamais casará. O acadêmico pode fazer como o Clóvis Bevilaqua, que nunca mais quis ouvir falar da Academia; mas só será substituído por morte. É como o filho natural”.

            Clóvis Beviláqua ficou ressentido quando a ABL não aceitou a inscrição de sua mulher, Amélia Beviláqua. Desde então, nunca mais compareceu à Academia.

            Àquela época, valia o que Bilac afirmava: “O filho natural, a mãe pode se casar com o pai. Este pode perfilhá-lo. Mas continuará a ser filho natural!”

            Duas dessas situações foram alteradas no decorrer do tempo. Hoje, o Padre já pode se casar, inclusive fruir do sacramento do matrimônio, embora já tivesse se ordenado. Também já não existe a condição de filho natural. É uma questão humanitária. Todos os filhos são simplesmente filhos. Mas ex-acadêmico persiste em não existir. É incrível que pessoas presumivelmente cultas e inteligentes aceitem conviver com esse ridículo.

 

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

+ Lidas

Nossas notícias no celular

Receba as notícias do Semanário ZN no seu app favorito de mensagens.

Telegram
Whatsapp
Entrar

Veja também

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR