Antes que o pó volte à terra e o espírito volte a Deus
Jesus, em suas pregações, sutilmente separava o espírito do corpo carnal, demonstrando que é preciso que estejamos preparados para o dia em que cada qual for chamado a encarar suas responsabilidades enfrentando o implacável tribunal da consciência.
Apesar disso, a morte sempre foi - e segue sendo - objeto de preocupação para o ser humano. Parece que o ser humano se esquece de que todos somos espíritos encarnados e que num inevitável evento, único e último em nossa breve existência material, retornaremos à pátria espiritual. Por maiores que sejam nossas condições de riqueza e poder - se é que existem -, ela chega inexoravelmente, desde que a finitude está implícita nos nossos ciclos de vida.
Havendo o entendimento disso durante a jornada terrestre, que é breve, empreendemos esforços para nos despir do manto do orgulho, do apego, da ganância, da arrogância, que nos atrela aos bens materiais e, como consequência, buscamos o desenvolvimento da verdadeira moral cristã, amando ao próximo como a si mesmo, levantando templos à virtude, separando o bem do mal.
Quem assim procura viver, invariavelmente, prepara-se com tranquilidade para o inevitável reencontro consigo mesmo, inclusive porque a evolução espiritual é sempre um estado de expansão de consciência e de maior liberdade. É quando passamos a entender, a observar a nós mesmos e ver todas as nossas facetas. É quando a luz da nossa alma brilha cada vez mais e se torna mais potente do que o nosso ego.
De fato, de nada vale entesourar os tesouros da Terra, onde a ferrugem e a traça os consomem, e onde os ladrões os desenterram e roubem, porque o verdadeiro tesouro está em nossos corações (Mateus, 6:19-21). Se, de um lado, é lícito buscar o crescimento, o progresso material, por meio do estudo e do trabalho; de outro lado, o apego às coisas da matéria em detrimento do aperfeiçoamento moral, portanto, espiritual é, no mínimo, negligenciar em relação ao futuro.
Lembremos que “na morte, o espírito volta a Deus que o deu. As palavras dos sábios são como aguilhões. O dever de todo homem é temer a Deus e guardar os Seus mandamentos”. Nesse passo, “antes que rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como era, e o espírito a Deus, que o deu” é de se preparar para o inexorável tempo em que a matéria perecerá e o espírito sobreviverá, desenvolvendo nossa moral a ponto de podermos ser como faróis permanentemente acessos para iluminar não somente o nosso caminho mas também daqueles que nos cercam (Eclesiastes 12:6-7).
Sendo assim, antes que o pó volte a terra e o espírito volte a Deus, procure livrar sua consciência das amarras do mundo físico, para que seu coração seja como um farol que ilumina o caminho que te leva e eleva para mais perto do Pai celestial.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca