O que vimos na atualidade, num mundo onde ocorre uma revolução tecnológica por minuto, são pessoas regredindo em sua forma de lidar com os semelhantes.
Há um bombardeio de notícias lançadas nas redes sociais; e uma infinidade de possibilidades de buscas por informações a respeito qualquer assunto. Mas tudo isso não tem sido o bastante para impedir que o fanatismo e a intolerância impulsionem o confronto nocivo.
Nas eleições passadas, inundadas por provocações e “fake news”, presenciamos amizades desfeitas e famílias separadas por causa de divergências de opiniões a respeito de quem seria o melhor candidato.
Em uma escala maior, ainda no nosso território, assistimos atitudes desordeiras praticadas em nome do patriotismo; e pelo mundo afora, temos guerras eclodindo.
Pouco ou nenhum estudo sério foi elaborado para conhecer de perto o que tem conduzido grupos e autoridades a seguirem por esse caminho obscuro. Portanto, podemos conjecturar a respeito das inúmeras possíveis causas desses conflitos. Eu arrisco duas: o fanatismo e a intolerância.
Digo isso porque o fanatismo escraviza a pensamento. Nos torna refém de uma crença. Nos tira a capacidade de discernir além do dogma ou do comportamento de manada. Nos impede de ter um olhar humanizado a respeito de qual causa vale a pena lutar. Alias, todo fanático traz consigo a convicção de que suas atitudes estão sendo praticadas em nome do “bem”, ou de que ele está, de fato, do lado certo, combatendo um “mal”. O fanatismo pode estar presente em muitos lugares, como no esporte, na política, nos sindicatos, associações ou religiões. E um fanático jamais vai se ver como tal.
Já o intolerante tem posições rígidas e pré concebidas a respeito dos valores que devem nortear a vida em sociedade. Ele acredita ter a fórmula correta para conduzir a humanidade. Ele divide o mundo entre pessoas boas e pessoas ruins; e claro, ele acredita que está no grupo das boas. Ele acredita que sua forma de pensar e agir são as únicas capazes de garantir a verdadeira conduta moral, ética e geradora dos bons costumes.
Não é incomum que uma mesma pessoa seja fanático e intolerante ao mesmo tempo.
No entanto a sociedade se modifica. A liberdade individual ganha maior espaço. Conceitos passam a ser relativizados. E apesar de tudo, o intolerante se mantém inflexível.
Enquanto isso, aqui mesmo onde moramos, pessoas que desejam apenas ser respeitadas em suas escolhas - e falo de escolhas que não mudam em nada a vida do vizinho - por serem minoria, quando apenas querem sair de casa sem serem notadas ou confrontadas, ficam vulneráveis e à mercê de serem ofendidas - na honra e no corpo.
E pelo mundo, há quem pague o preço com o simples fato de ter nascido num lugar carregado de disputas, quer pelo poder, quer pela terra, ou pela prevalência de uma ideologia.
Ficam duas perguntas para reflexão: O que há de santa numa terra cuja disputa pela posse cobra tantas vidas? O que há de santa numa terra regada de sangue, onde não há paz e que é constantemente devastada pela guerra?
A única guerra que a humanidade reclama hoje é a presença de um batalhão de homens imbuídos de combater, apenas com ideias - argumentos - ensinamentos, a onda de fanatismo e intolerância que cada vez mais ganha adeptos.
Esses homens existem. Estão espalhados por todos os cantos da terra. Só precisam acordar para a sua verdadeira missão!
É possível, sim, tornar feliz a humanidade!
Autor: Marcos Bazzana Delgado - Especialista em Segurança Pública e Pós-Graduado em Filosofia e Ciências da Religião