Há a ditado popular que diz que “o ano só começa depois do carnaval”. Essa percepção, que se sustenta em premissas equivocadas, mantem-se nos comportamentos, rotinas, decisões e, principalmente, em como o marketing se comporta.
Mas, independentemente das épocas do ano, essa sensação é inconsistente simplesmente porque o tempo segue sua marcha e a humanidade, envolta em grandes transformações, vive o dilema com questões éticas e morais decorrentes do acelerado desenvolvimento científico e tecnológico e a urgente reconexão humana e desenvolvimento espiritual.
De fato, esta geração está sendo chamada a opinar e se posicionar na busca de um humanismo que equilibre tecnologia com criatividade e empatia gerando um clamor pelo exercício consciente da cidadania, cujo conceito, numa acepção contemporânea, é fundamental para a organização da vida social e pode ser entendido como o conjunto de direitos e deveres dos quais o indivíduo é titular perante a sociedade em que vive.
Ocorre que o dever do cidadão transcende a simples obediência às leis humanas; ele é uma obrigação moral baseada na responsabilidade perante Deus, a sociedade e a si mesmo. Ao cumprir seu dever de cidadão, o ser humano se eleva e fortalece a alma para o seu desenvolvimento.
Aliás, a preocupação com o bem comum - e não com o interesse pessoal – evidencia a concretização prática da moral e da ética na vivência em sociedade, bem como reflete uma atuação consciente na busca de uma ordem social que leve em conta os princípios cristãos e, consequentemente, privilegie o bem comum e não o interesse pessoal daquele que irá governar.
Cumprir as leis civis e respeitar os direitos do próximo é essencial para a harmonia social. Sem negligenciar o progresso espiritual, o dever começa onde a felicidade ou tranquilidade do próximo é ameaçada. Basta observarmos as chagas expostas da miséria, da violência e da indiferença pelo próximo, tão evidentes no noticiário cotidiano, para concluirmos que há distância significativa entre a sociedade na qual vivemos e aquela que consideramos ideal segundo os valores humanistas e espirituais que cultivamos.
Se pretendemos conviver numa sociedade mais justa e perfeita, o exercício de cidadania é uma oportunidade significativa de demonstrar clara conduta cristã e, atuando com consciência, coerência e responsabilidade, servir como um agente de transformação da sociedade ao escolher o justo para governar.
É por isso que o homem de bem exercita sua cidadania e a vivência de forma responsável sem declinar de sua integridade e dever de agir. A cidadania, portanto, deve refletir uma atuação consciente na busca de uma ordem social que leve em conta os princípios cristãos e, consequentemente, privilegie o bem comum e não o interesse pessoal daquele que irá governar.
É preciso lembrar que o exercício da cidadania é responsabilidade com consequências duradouras que moldam o futuro.
Nesse contexto, o respeito à cidadania é o exercício diário de conduta cristã que atua pelo bem comum ao viabilizar a construção de uma sociedade mais Justa e perfeita, inclusive porque, conforme Provérbios 29:2, “quando os justos florescem, o povo se alegra; quando os ímpios governam, o povo geme
*Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International
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