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Segunda-feira, 21 de Setembro 2026
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Educação como política de Estado

Ninguém pode negar que a educação brasileira é deficitária e ostenta índices incompatíveis com o grau de desenvolvimento

Educação como política de Estado
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Ninguém pode negar que a educação brasileira é deficitária e ostenta índices incompatíveis com o grau de desenvolvimento atingido em outros setores, dos quais o exemplo emblemático é o agronegócio.

A situação não difere na escola pública e na escola privada ou confessional. Dificuldade no letramento, na compreensão e na interpretação de textos, fragilidade na matemática e pouco desenvolvimento em ciências.

Insiste-se, todavia, em prosseguir nas mesmas práticas, embora à espera de resultado diverso.

O governo precisa reconhecer que educação é questão muito séria e grave para ser preocupação exclusiva do Estado. Tanto é que o constituinte, no artigo 205 da Constituição da República, a erigiu em direito de todos, mas em dever do Estado e da família, em colaboração com a sociedade.

Incumbe ao Governo investir na conscientização de que todos são responsáveis por uma educação de qualidade. E educação de qualidade não é aferida pela capacidade mnemônica, mas alicerçada no desenvolvimento de competências socioemocionais.

A educação brasileira não se apercebeu de que a 4ª Revolução Industrial afetou profundamente a vida de todos os seres humanos. Enquanto o conhecimento está inteiramente disponível e acessível a quem tiver curiosidade, o educando não está sendo treinado para enfrentar o inesperado, a necessidade de sobreviver sem as profissões tradicionais, a lidar com a transformação estrutural que subverteu cultura, costumes e tradições.

Urge reconhecer que as novas gerações, cuja circuitaria neuronal é digital, necessitam de um itinerário personalizado, de um projeto de futuro individualizado e que a padronização é própria de outros coletivos – v.g. abelhas, formigas – e não da sociedade humana. Esta é heterogênea, irrepetível, insuscetível de homogeneização.

Daí prestigiar a diversidade, a convivência de múltiplas concepções pedagógicas, o pluralismo e a fórmula feliz do ensinar menos e aprender mais, do aprender fazendo e da autonomia das unidades educacionais para a escolha de opções que atendam à vocação individual, local, regional e passível de mudanças de rota, quando for o caso, sem que isso ocasione traumatismo, pois o sistema de aprendizado há de ser flexível e prático.

José Renato Nalini

* Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista    

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