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Quinta-feira, 25 de Junho 2026
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Diversidade de dons

Indubitável que vivamos uma civilização cristã.

Diversidade de dons
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Indubitável que vivamos uma civilização cristã. O Cristianismo trouxe uma concepção fundamental para propiciar um convívio em que as pessoas não se trucidassem entre si e acabassem com a aventura neste globo. O fato de todos serem filhos de Deus e irmãos de Cristo oferece a igualdade como direito a qualquer ser humano.

Isso foi alicerce para a construção de uma civilização viável. Mas o Cristianismo fez muito mais. Preservou a cultura em tempos obscuros, estimulou todas as atividades artísticas, ensinou a educar e a cultivar ordem, disciplina e obediência como valores sem os quais nada se constrói.

Reler as Sagradas Escrituras não faz mal a ninguém. Ainda que ateu ou agnóstico. Mas para saborear estilo e também para assimilar algumas lições instigantes.

Paulo, que não conviveu com Cristo, oferece páginas importantes para o momento que o Brasil vivencia. Em sua Primeira Carta aos Coríntios, fala sobre a diversidade de dons. Estes são múltiplos, mas o Espírito – Deus – é um só e o mesmo. Há diferentes atividades, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um se manifesta de forma distinta.

Ou seja, os seres humanos são indivíduos únicos, singulares, irrepetíveis. Cada qual tem o seu dom, o seu talento. É a exuberância da espécie racional. Se as particularidades distribuídas entre os seres provêm de uma única Providência, todas elas são suscetíveis de respeito, de acolhimento e de consideração.

Está aí a raiz do pluralismo, valor abrigado na Constituição da República e de urgente observância em nossos dias. As redes sociais se valem das “dicas” que nós mesmos fornecemos aos algoritmos e reforça aquilo que já possuímos. A tendência é a intensificação dos ressentimentos, dos preconceitos, da ira e do ódio.

Isso não é compatível com a riqueza de nossas diferenças como pessoas heterogêneas e complexas. Ao contrário: é o mosaico de nossas particularidades que forma o magnífico painel da Humanidade. Espaço e lugar para todos, a oportunidade ímpar de aprender com o outro, de trocar experiências e de se maravilhar com a infinitude dos talentos com os quais fomos aquinhoados.

Desarmemo-nos. Abramo-nos ao contato com o diferente. Aprendamos a reconhecer naquilo que nos distancia, o ímã irresistível que nos aproximará e nos fará mais tolerantes, mais afetivos, em síntese, mais humanos.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Uninove, autor de “Ética Geral e Profissional” e Presidente da Academia Paulista de Letras.

José Renato Nalini

 

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