SEMANÁRIO ZONA NORTE - JORNAL DE MAIOR CIRCULAÇÃO NA ZONA NORTE

Notícias Segurança Pública

Dia da Cavalaria - 10 de maio

Exército brasileiro a Cavalaria é a arma que é empregada à frente dos demais integrantes da “força terrestre”

Dia da Cavalaria - 10 de maio
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Cavalaria é a arma das forças terrestres que, antigamente se destinava ao combate a cavalo, em ações de choque ou de reconhecimento. Historicamente, a Cavalaria é a arma mais móvel dos exércitos e a segunda mais antiga - a seguir à Infantaria. Hoje em dia, são raros os exércitos que mantêm forças de combate a cavalo. No entanto, em muitos deles, por tradição, continua a chamar-se “Cavalaria” às forças e unidades que desempenham missões semelhantes às da antiga Cavalaria, mas fazendo uso de veículos motorizados, de veículos blindados ou de helicópteros. Normalmente, a designação “cavalaria” não se estendia às forças que combatiam montadas em outros animais que não o cavalo, como o camelo ou o elefante. Igualmente, as tropas que se deslocavam a cavalo, mas que desmontavam para combater, eram conhecidas como “dragões”, não sendo consideradas parte da cavalaria, senão a partir da segunda metade do século 18.

Desde os tempos mais remotos que a elevada mobilidade da Cavalaria lhe deu uma vantagem como um instrumento multiplicador de forças. Mesmo uma pequena força de Cavalaria poderia manobrar de forma a flanquear, evitar, surpreender, retirar e escapar, de acordo com as necessidades do momento. Um homem combatendo montado num cavalo tinha também a vantagem de uma maior altura, velocidade e massa inercial sobre um oponente a pé. Outro elemento da guerra a cavalo era o impacto psicológico que um soldado montado poderia infligir sobre um oponente. O valor da mobilidade e do choque da Cavalaria foi muito apreciado e explorado pelos exércitos da Antiguidade e da Idade Média, muitos dos quais eram constituídos, praticamente, apenas por tropas a cavalo. Isso acontecia especialmente nas sociedades nómadas da Ásia que originaram os exércitos mongóis. Na Europa, a Cavalaria transformou-se, essencialmente, numa Cavalaria pesada constituída por cavaleiros de armadura. Durante o século 17 a Cavalaria europeia perdeu a maior parte das suas armaduras e, no final do século já só algumas unidades usavam armadura e esta, limitando-se à couraça do peito. A Cavalaria tradicional sobreviveu até ao início da guerra de trincheiras na Primeira Guerra Mundial. A maioria das unidades de Cavalaria foram então desmontadas e empregues como Infantaria na Frente Ocidental. No período entre guerras, muitas unidades de Cavalaria, foram motorizadas ou mecanizadas. No entanto, algumas tropas a cavalo ainda combateram durante a Segunda Guerra Mundial sobretudo na União Soviética, onde foram usadas tanto pelos soviéticos como pelos alemães e seus aliados. Hoje em dia, a maioria das unidades militares a cavalo ainda existentes, são usadas apenas para funções cerimoniais. Existem no entanto, algumas forças de combate a cavalo que atuam como Infantaria montada para operar em terrenos de acesso difícil, como florestas densas e montanhas.

Em muitos dos exércitos modernos, o termo “cavalaria” ainda é usado para se referir à arma que desempenha funções semelhantes às que a antiga Cavalaria ligeira desempenhava, montada a cavalo. Essas funções incluem a exploração, a caça aos elementos de reconhecimento inimigos, a segurança avançada, o reconhecimento ofensivo pelo combate, cobertura das forças amigas durante movimentos retrógrados, a retirada, a recuperação do comando e controlo, a decepção, a ligação, a penetração e a incursão. Para desempenhar estas funções, a Cavalaria moderna trocou o cavalo por um conjunto de equipamentos que inclui veículos ligeiros todo-o-terreno, motociclos, veículos blindados, helicópteros, radares de superfície e drones. Já a função de choque, antigamente desempenhada pela Cavalaria pesada, é, em muitos exércitos hoje desempenhada por uma arma própria (normalmente designada “arma blindada” ou “ de blindados”) ou, nalguns casos, pela infantaria. No entanto, em outros exércitos, esta função também ainda se mantém como atribuição da arma de Cavalaria. Para desempenho da função de choque, os cavalos de grande porte e as armaduras foram substituídos pelos carros de combate.

No Brasil

No Exército brasileiro a Cavalaria é a arma que é empregada à frente dos demais integrantes da “força terrestre”, em busca de informações sobre o inimigo e sobre o teatro de operações. Na frente de combate, participa de ações ofensivas e defensivas, usando de suas características básicas: alta mobilidade, elevada potência de fogo, ação de choque e surpresa, proteção blindada e sistema de comunicações avançado. As unidades de Cavalaria podem ser: blindadas, mecanizadas, de guardas, de carros de combate. Alguns quartéis de Cavalaria do Brasil usam a boina preta, tradicional da Cavalaria Mecanizada da Europa. O Patrono da Arma de Cavalaria do Exército brasileiro é o marechal Manoel Luís Osorio. No dia 10 de maio de 1808 é celebrado em comemoração ao aniversário do Patrono da Arma de Cavalaria, marechal de exército Manoel Luis Osório. Ele viveu um período conturbado da história brasileira. Tomou parte nas lutas de independência, na Campanha Cisplatina, na Revolução Farroupilha, na Batalha de Monte Caseros e na Guerra da Tríplice Aliança. Em Montes Caseros, o marechal Osório, ainda tenente-coronel, conduziu o 2° Regimento de Cavalaria.

A Cavalaria, no início das operações, é empregada à frente dos demais integrantes da Força Terrestre, na busca de informações sobre o inimigo e sobre a região de operações. Participa de ações ofensivas e defensivas, aplicando suas características básicas: mobilidade, potência de fogo, ação de choque, proteção blindada e sistema de comunicações amplo e flexível. Seus elementos podem ser blindados, mecanizados e de guardas. Participa do cerimonial com escoltas mecanizadas e a cavalo. A Cavalaria brasileira tem sua origem ligada à organização do Regimento de Dragões Auxiliares, em Pernambuco, ao término da guerra contra os holandeses, remunerada por homens abastados, como João Fernandes Vieira. Mais tarde, na época do governo do Marquês de Pombal, criou-se, no Rio de Janeiro, o Regimento de Dragões, que visava a garantir a autoridade e o cumprimento das leis, ficando ainda em condições de acorrer, em tempo de guerra, onde necessário fosse. No sul, durante as lutas em torno da Colônia do Sacramento, Silva Pais organizou o Regimento de Dragões do Rio Grande para guarnecer as fronteiras, em face do fracassado Tratado de Limites de 1750 (Madri). Durante o II Reinado, teve a Cavalaria ativa participação nos conflitos sulinos. Em 1851/52, o 2º Regimento de Cavalaria, com Osorio à frente, integrou as tropas que invadiram o Uruguai, culminando com sua participação na Batalha de Monte Caseros, na qual foi derrotado Juán Manuel Rosas. Na Guerra da Tríplice Aliança, empenhou o Brasil seis divisões de Cavalaria (DC), distinguindo-se, à frente delas, a figura lendária do marechal Osorio, o futuro marquês do Herval. Após as reformas de 1908/15 e a influência da Missão Francesa (1921), nossa Cavalaria foi alvo de profundas modificações, que se intensificaram a partir da década de 1960, com o Acordo Militar Brasil-Estados Unidos. Esse acordo possibilitou à Cavalaria brasileira dotar seus regimentos com os mais modernos materiais blindados da América do Sul da época.

O patrono

Manoel Luis Osório nasceu em 10 de maio de 1808 na Vila de Nossa Senhora da Conceição do Arroio, atual Município de Osório (RS). Filho de estanceiro, aprende desde cedo a dominar como ninguém os animais que lhe servem de montaria. De praça do Exército Imperial aos quinze anos de idade, galga todos os postos da hierarquia militar de sua época, mercê dos atributos de soldado que o consagram como “O Legendário”. Comandante de esquadrões, regimentos e exércitos, em período conturbado de nossa história, participa com brilhantismo das Campanhas da Independência, Cisplatina, de Monte Caseros e da Guerra da Tríplice Aliança. De seus vários atos de bravura, astúcia e heroísmo destaca-se a atuação como tenente-coronel em Monte Caseros, quando, à frente do 2º Regimento de Cavalaria, na vanguarda das tropas brasileiras, inflige ao inimigo o rompimento do seu dispositivo de defesa e comanda decisivas operações de aproveitamento do êxito e perseguição. Marechal e marquês, em seu brasão há três estrelas douradas que representam os ferimentos sofridos no rosto durante a cruenta Batalha de Avaí, em dezembro de 1868. A despeito do reconhecimento que lhe fora dispensado até mesmo pelos inimigos de então e da popularidade que o transformara em mito nos campos de batalha, Osorio expirou em 4 de outubro de 1879 com a mesma simplicidade que o acompanhara durante toda a vida. Hoje, o Parque Osório, situado na mesma terra que o viu nascer, acolhe os restos do insigne Patrono da Arma de Cavalaria.

 

Comentários:

Veja também

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!