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Terça-feira, 16 de Junho 2026
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Desmatamento na COP30

Colunistas *José Renato Nalini

Desmatamento na COP30
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É triste constatar que o desmatamento ilegal na Amazônia recrudesça no ano em que o Brasil receberá a COP30. Acelerou-se a devastação em maio de 2025, um sinal de alerta não apenas ao governo, como a toda a nacionalidade. O bioma é um dos mais importantes do planeta para o equilíbrio ecológico total.

            De acordo com os dados do Deter – sistema de monitoramento via satélite do Inpe – Instituto Nacional de Pesquisa Espacial, divulgados em 6.6.25, a destruição do bioma amazônico em 2025 superou o registrado em 2024 pelo segundo mês seguido. Em maio, foram destruídos 960 km2, contra 400 km2 em 2024. Aumento de 92%! Em abril o aumento foi de 55%, cenário muito preocupante, já que se aproxima nova temporada de incêndios.

            A degradação da floresta assumiu novo perfil. Colabora com a devastação o agravamento da emergência climática e das graves secas consecutivas. Foram muitos incêndios neste século: 2005, 2010, 2015, 2016, 2021 e 2024. Aquele temido “ponto de não retorno” e “colapso do bioma” parece estar chegando. Já existe um colapso registrado na área incendiada, que era floresta e já não é. Um colapso existe quando um local é reiteradamente incendiado e a área deixa de ter as características de floresta.

            O prejuízo é evidente: perda da biodiversidade, do carbono, da função ecológica. Já não é mais um espaço florestal, um colapso nessa estrutura imprescindível à vida. Qualquer espécie de vida, inclusive a humana. A Amazônia era úmida e se regenerava naturalmente. Mas as emergências climáticas evidenciaram sua fragilidade. Quem diria que ela enfrentaria secas, se ela é detentora – ou pelo menos foi – de vinte por cento da água doce disponível para todos os terráqueos?

            Houve

uma flagrante mudança da trajetória histórica, ainda até então desconhecida pelos climatologistas. Isso é motivo para preocupação de toda a nacionalidade. O Sudeste depende da Amazônia para manter o seu regime de chuvas. Será preciso explicar que todos estamos no mesmo barco? No caso, o único planeta que nos acolhe e que nos permitiu edificar esta civilização que nos encanta, nos extasia, nos emociona?

            Por egoísmo, por ganância – que rima com ignorância – vamos jogar tudo isso fora? Parece que essa escolha já foi feita. Lamentável!

 

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.    

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