O diretor do jornal Semanário da Zona Norte, João Carlos Dias, recebeu na manhã de terça-feira, dia 20 de dezembro, a visita do dermatologista e autor do livro Girassol, Rodrigo Monteiro.
Na ocasião, Monteiro falou de sua trajetória profissional e sua experiência como ex-dependente químico de álcool e drogas e de um projeto por ele idealizado, chamado “Projeto Vida Azul”, que tem o objetivo de oferecer conhecimentos e ferramentas para as pessoas adquirirem e melhorarem sua qualidade de vida.
“Eu me formei em 2007 e o que mais motivou a seguir essa carreira de medicina foi o meu pai, que também é médico. Escolhi a medicina também pela minha história de vida, passei por coisas que me trouxeram o desejo de ter uma profissão que ajudasse as pessoas”, ressaltou o médico.
Há mais de 23 anos em recuperação, Rodrigo Monteiro relatou que a primeira experiência como dependente químico foi aos 13 anos de idade, durante uma festa de colégio.
“Estou há 23 anos e seis meses em recuperação. A dependência química é uma doença reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo que o dependente não tem controle sobre uso de álcool e outras drogas. A minha porta de entrada foi o álcool, e na maioria das vezes, a dependência começa dentro de casa. Existe uma cultura milenar de que o álcool está presente na sociedade e não um olhar de álcool como droga. Exceto quando a pessoa se torna um alcóolatra e gera uma série de problemas. Bebi pela primeira vez aos 13 anos de idade numa festa de escola. A partir daí me tornei dependente, pois, a dependência me dava a sensação de poder e liberdade. Para mim, o álcool preencheu um buraco. E a droga em si está na nossa sociedade diariamente. Tive a oportunidade de fumar maconha. Depois fui para cocaína e o crack. Na minha cabeça, a droga era algo bom e que trazia sensações boas. Ela realmente dá, mas cobra um preço por isso. Hoje, muitas doenças psiquiátricas são desencadeadas pelo uso de álcool e drogas. Há um momento que chamamos de despertar químico. O dependente químico começa a ter a consciência dos riscos das drogas quando perde tudo. Consegui sair dessa vida através de uma internação numa comunidade terapêutica. Os quatro principais pilares eram a espiritualidade, consciência, disciplina e conscientização. Sou grato à vida e às pessoas que me acolheram e ajudaram de forma gratuita”.
O livro
Para Monteiro, o livro Girassol é o resultado de uma trajetória de dedicação e esforço.
“Sempre gostei de ler e escrever. Esta obra é a realização de um sonho, é o resultado final de uma trajetória de dedicação e esforço que mirava um único objetivo: dividir conhecimento e gerar sabedoria. Porém, ao longo do caminho surgiu a necessidade de ir além do esperado, por isso toda a renda gerada com a venda do livro será destinada ao Projeto Vida Azul. A obra conta a história de uma criança cheia de vazios existenciais, que se torna um adolescente entorpecido e que vive um mundo colorido, quando, na verdade, tudo é cinza”.
Sobre o Projeto
Já o Projeto Vida Azul destina-se a ajudar pessoas carentes que não têm condições financeiras de arcar com o tratamento médico e psicológico.
“O Projeto Vida Azul tem como meta oferecer conhecimento e ferramentas para as pessoas adquirirem e melhorarem sua qualidade de vida. Seja por mensagem, vídeo, palestras, livros, cursos ou consultoria, o projeto visa oferecer conhecimento de qualidade para que as pessoas deixem de viver uma droga de vida. A ideia ainda é produzir vídeos motivacionais. Mas a principal ação deste projeto é financiar internações para pessoas carentes. Outra finalidade é saber se o local é um espaço recomendável para aceitar dependentes químicos, e que acima de tudo, tenha uma programação terapêutica. Além disso, iremos em busca de apoiadores e patrocinadores”.
Para adquirir o livro ou ajudar o projeto, o interessado deve entrar em contato através do site www.projetovivaazul.com.br.