Certa vez ouvi de um palestrante que havia sofrido de Depressão, após o suicídio de seu pai, a seguinte explicação sobre o que sentia: “tinha a sensação de estar parado à beira de um terraço de um prédio de quarenta andares olhando para baixo, querendo saltar e também voltar para trás.
Sentia um desespero por estar naquela situação, mas não tinha forças e coragem nem para voltar e nem para saltar”.
Conhecida como “mal do século”, presume-se que este transtorno mental seja conhecido pela maioria das pessoas, pois quem não o teve pelo menos conhece alguém que já sofreu com isso, mesmo porque afeta pessoas independentemente da faixa etária (inclusive crianças), do gênero, grau de escolaridade e classe social. Além disso, o Brasil é o 5° país com a maior prevalência do mundo com mais de 12 milhões de casos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Requer uma intervenção terapêutica o mais depressa possível, pois postergar o diagnóstico e o tratamento pode aumentar os prejuízos à saúde. A cura é plenamente possível e o tempo para isto vai depender da causa, gravidade e da vontade da pessoa em curar-se, pode levar poucos meses até muitos anos.
Sabe-se que devido às peculiaridades hormonais as mulheres são mais suscetíveis, principalmente durante o período fértil, contudo há inúmeros fatores e gatilhos (acontecimentos) que podem fazer surgir a doença, como ambientais, genéticos, histórico familiar, bioquímica cerebral, lutos e perdas, eventos traumáticos, vivências estressantes, mudanças bruscas na vida, perda de emprego, divórcio, etc.
Os sintomas são inúmeros e varia de pessoa a pessoa, sendo mais comuns sentimentos de tristeza, culpa, vazio existencial, perda do prazer e alegria, apatia, pensamento de morte como forma de alívio, baixa autoestima, alteração do sono e apetite, desesperança, choro sem motivo definido, cansaço excessivo, preguiça, falta ou perda de memória, atenção e concentração, perda do interesse sexual, insônia, irritabilidade social, dores, mal-estar e outros.
Pesquisas sugerem que a depressão afeta sobremaneira a Qualidade de Vida podendo os sintomas serem mais danosos que outras doenças crônicas, além do que podem ir além das características próprias do transtorno. Nessa balança entre doença e bem-estar, vale destacar o modelo teórico sobre qualidade de vida baseado nas necessidades do sujeito, o que segundo Hunt & McKenna (1992) a qualidade de vida será tanto maior quanto for a habilidade e capacidade da pessoa satisfazer as suas necessidades, assim se realizadas será alta, do contrário ficará prejudicada.
Nesse sentido o importante diante disso tudo é saber se cuidar, buscando um estilo de vida que favoreça a homeostase e que fortaleça o EU biopsicossocial. Muito importante também fazer uma dieta balanceada, combater o estresse, evitar álcool e drogas, melhorar a rotina do sono, fazer atividade física, cuidar da espiritualidade/religiosidade, etc.
Indispensável uma terapia com psicólogo(a) para desenvolver o autoconhecimento, identificar as necessidades, nomear os sentimentos, encontrar suas causas e quando necessário, associar tratamento medicamentoso. A boa notícia é que se trata de uma doença curável.
A receita para se proteger está posta, então faça o que te faz sentir bem, ouça suas necessidades, tenha sempre uma válvula de escape, cultue pensamentos positivos, seja otimista, afinal as escolhas são feitas por nós mesmos, desse modo a Qualidade de Vida e Saúde prevalecerão.
Coronel PM PAULO AUGUSTO LEITE MOTOOKA
Comandante do Policiamento Ambiental do Estado de São Paulo
Mestre e Doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública
Bacharel em Psicologia, Direito e Especialista em Direito Ambiental