O país vive momentos de ebulição política. Em poucos dias todos os cidadãos serão chamados ao exercício do dever cívico do voto.
Se, de um lado, o ato de cidadania é um exercício de fraternidade; de outro lado, é oportuno lembrar a diretriz para todos os tempos no sentido de “dar a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”, de modo a evitar que a política partidária venha a se imiscuir nas questões da religião, sob pena desta perder sua independência e até mesmo seu caráter religioso.
No templo a política adotada é do Evangelho, da boa nova, que conduz o ser humano para mais próximo de Deus. Isso porque o Evangelho traduz uma doutrina de consequências morais e não tem qualquer relação com ideologia econômica ou partidária.
Mas, como viver em sociedade é uma lei natural, fora do templo, na vida social, todos devem contribuir para o progresso coletivo, auxiliando-se mutuamente e influenciando no aperfeiçoamento das relações sociais e humanas.
Allan Kardec, em artigo escrito na Revista Espírita de 1863, já dizia que “nós trabalhamos para dar a fé aos que em nada creem; para espalhar uma crença que os torna melhores uns para os outros, que lhes ensina a perdoar os inimigos, a se olharem como irmãos, sem distinção de raça, casta, seita, cor, opinião política ou religiosa; numa palavra, uma crença que faz nascer o verdadeiro sentimento de caridade, de fraternidade e deveres sociais”.
Espera-se, portanto, que toda pessoa, no seu dia a dia, possa refletir em seus atos a postura que deve ser adotada “...diante dos fenômenos sociais que, ante a lei do progresso, transforma o planeta, como certamente é o caso dos sistemas democráticos, haja vista respeitarem o livre arbítrio e permitirem que a vontade de todos seja considerada, ainda que por óbvio, estejamos distantes da situação ideal.” (Waldo Vieira, Conduta Espírita, cap. 10).
Se nossa crença faz nascer e crescer o sentimento de caridade, fraternidade e deveres sociais é nosso dever praticá-la fora do templo, exercendo o direito pleno de cidadania, mesmo porque, como disse Kardec, “quando (o homem) praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade e ele próprio será melhor.”
Como o amor e respeito a democracia está baseado na observância de direito e deveres é indispensável que todo cidadão reflita sobre o Brasil enxergando a si mesmo e sendo a diferença que quer ver, agindo com coerência moral e ética na certeza de que ao exercer a cidadania está privilegiando o bem comum e atuando em prol da construção de um mundo mais justo e perfeito e, como consequência, de um Brasil melhor.
Enfim, no templo, cuja tarefa essencial é a evangelização, a crença pura e sincera não deve ser veículo de especulações na arena das ambições humanas. Mas, fora do dentro, no cotidiano, repita-se, todos devem exercer a cidadania fazendo crescer o sentimento de caridade, fraternidade e cumprimento dos deveres sociais, colocando em pratica a diretriz para todos os tempos no sentido de “dar a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”.
É de se lembrar do alerta expresso em Provérbios 29:2 quando diz que “quando o justo governa o povo se alegra, mas quando o ímpio domina o povo geme”.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca