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Quarta-feira, 24 de Junho 2026
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Da crise climática à climática resiliência

Colunista José Renato Nalini

Da crise climática à climática resiliência
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O Papa Francisco é o Papa ecológico. Produziu a Encíclica “Laudato Si”, há oito anos. Depois escreveu “Fratelli Tutti” e “Laudate Deum”, sempre atento às transformações pelas quais o mundo passa, por indesculpável atuação humana. Ele percebeu que tais esforços não receberam resposta adequada, enquanto o mundo em que vivemos está colapsando e próximo ao ponto de não retorno. A questão não é apenas ambiental, mas seus reflexos na vida de todos são drásticos e a cada dia mais graves. Aumenta o sofrimento da vida familiar de milhões de pessoas e seus efeitos em áreas de vulnerabilidade se potencializam de forma dramática. 

As mudanças climáticas se tornaram o principal desafio para a sociedade mundial. Pensando nisso, o papa fez com que as duas Academias Pontifícias: a de Ciências e a de Ciências Sociais, convocassem um encontro de cúpula, para reunir cientistas e vinte lideranças mundiais, entre as quais a do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. O evento ocorreu entre 15 e 17 de maio, dentro da Santa Sé, na Casina Pio IV. 

Ao receber os partícipes em audiência privada, o Santo Padre observou que “os dados da mudança climática estão piorando a cada ano, daí a urgência de agir com presteza para proteger pessoas e natureza... Os mais pobres, que têm muito pouco a ver com a poluição do ambiente, precisam receber maior apoio e proteção. A destruição do ambiente é uma ofensa contra Deus, um pecado que não é só pessoa, mas também estrutural”. Daí a intenção de elaboração e assinatura de um Protocolo de Resiliência que venha a elaborar planos concretos de ação, pois o perigo ronda toda a humanidade e recairá, de forma a mais cruel, exatamente sobre os mais pobres. 

Estes os que mereceram a maior atenção do Santo Padre: “Os pobres do mundo sofrem mais, embora contribuam menos para esses problemas. As nações mais ricas, cerca de um bilhão de pessoas, produzem mais do que metade das emissões venenosas. Ao contrário, os três bilhões de pessoas, contribuem menos do que 10%, embora sofram 75% dos danos que emergem da poluição. As 46 menos desenvolvidas nações, a maior parte na África, representam apenas 1% das emissões globais de dióxido de carbono, enquanto as nações do G20 são responsáveis por 80% dessas emissões”. 

O Prefeito Ricardo Nunes teve duas apresentações na Summit das duas Academias Pontifícias. Na primeira, foi solicitado a tecer comentários sobre a fala de Hoesung Lee, do IPCC da ONU, da governadora Maura Healey, de Massachusetts, ao lado do prefeito de Roma, Roberto Gualtieri e do governador de Vihiga County, no Kenia. Já na segunda oportunidade, destinada a transmitir informações partidas de quem está na linha de frente da reação às mudanças climáticas, esteve em companhia dos Prefeitos de Yokohama, de Atenas, de Colônia, de Bolonha, de Florença, de Bolzano e de Milão.    

O Prefeito Ricardo Nunes foi cumprimentado pelos demais partícipes do evento, que quiseram conhecer detalhes sobre aquilo que São Paulo já realiza em termos de mitigação e atenuação dos impactos e de adaptação da cidade para que seus habitantes não sejam vítimas de catástrofes que ocorrerão com intensidade e frequência maior. 

Dentre os pontos abordados pelo prefeito encontram-se o exitoso Plano de Prevenção de Chuvas de Verão – PPCV, que, mediante trabalho de praticamente todas as Secretarias, evitou mortes no verão de 2023/2024. Macro e microdrenagem, limpeza e retificação de córregos, recomposição de matas ciliares, criação de “pocket forests” e de “jardins de chuva”, ampliação de áreas verdes, inauguração e manutenção de parques, contenção de encostas e remoção de famílias de áreas inundáveis ou impróprias para habitação. 

O Comfrota é o trabalho articulado para impulsionar a substituição da frota movida a combustíveis fósseis para modalidades de transporte com energia limpa. Além do aumento do número de ônibus elétricos, fez sucesso a notícia de um transporte hidroviário que diminui o percurso de quem tem de se deslocar do extremo sul para a cidade, considerada a dimensão paulistana e o número de seus habitantes: algo superior a 12 milhões de almas. 

Também fez sucesso a notícia de que São Paulo passará a ter 27% de cobertura vegetal nativa, com a expropriação de trinta e duas áreas verdes acrescentadas às já existentes. O Santo Padre, em sua conversa com Ricardo Nunes, evidenciou sua satisfação pela evidente preocupação que o Prefeito manifesta em relação aos mais humildes, aos mais carentes, aos miseráveis, aos antes “invisíveis”, mas que hoje são bem contemplados por uma administração humana, sensível e pioneira no trato das mudanças climáticas.  

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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