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Domingo, 20 de Setembro 2026
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Como os primeiros cristãos

Colunista Paulo Eduardo de Barros Fonseca

Como os primeiros cristãos
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Quem tem a possibilidade de ler os documentos ecumênicos dos primeiros anos do cristiainismo, especialmente os escritos dos chamados pais da igreja, pode, eventualmente, se surpreender ao constatar que os primeiros cristãos mantinham um íntimo relacionamento com o etéreo, ou seja, com a espiritualidade.  

Essa situação manteve-se inalterada principalmente até o advento do Concílio de Nicéia, enquanto uma assembleia ecumênica, no ano de 325 d.C., sob os auspícios do imperador romano Constantino, quando foram discutidas controvérsias doutrinárias dos cristãos de então e promulgada a lei canônica. 

Fato é que no início do cristianismo a espiritualidade e aquilo que chamamos de fenômenos ou, milagres para alguns, eram encarados e aceitos com absoluta tranquilidade.  

Certamente não foi por acaso que Santo Agostinho, um dos maiores filósofos do cristianismo, que viveu entre 395 a 430 d.C., em suas pregações e escritos analisava a vida levando em conta a psicologia, o conhecimento da natureza, falando com segurança e exatidão sobre essas questões. Exemplo disso está no livro De cura pro mortuis gerenda - Cuidados para com os mortos – quando disse que: “Os Espíritos dos mortos podem ser enviados aos vivos e revelar-lhes o futuro, que aprenderam de outros Espíritos ou dos Anjos, ou ainda por revelação divina”. No livro De civitale Dei - A Cidade de Deus - volta a enfocar o tema ao discorrer sobre as práticas usadas por determinadas pessoas para se comunicarem, por meio de seu corpo etéreo, com os Espíritos, bem como para terem visões. 

Ante tal constatação, muitas vezes tenho refletido sobre o assunto e, pessoalmente, concluo que o desprezo por essas questões impulsiona o ser humano ao materialismo, tornando-o mais egoísta ao afastá-lo do sentido que o vincula ao Criador. 

 O que naquela época - pelo menos nos três primeiros séculos da era cristã - era a pedra de toque no fortalecimento da fé, tempos depois e agora, muitas vezes é tratado em tom jocoso, quando não é ridicularizado. 

Minha particular convicção é no sentido de que, ao longo dos tempos, o homem perdeu o contato com as vastas forças que o rodeiam, criando verdadeiro abismo entre encarnados e desencarnados, ficando restrito às vibrações do seu próprio espectro. Em sentido diverso, os chamamos de cristãos primitivos foram categóricos ao entender a relação da matéria com a espiritualidade e, sobretudo, acerca da vida espiritual. Aliás, a Bíblia é repleta de passagens que retratam a interação entre encarnados e desencarnados, bem como o exercício daquilo que modernamente é denominado de mediunidade.  

Disso, ainda no meu particular entender, infiro que, ao se entregarem às coisas da matéria, o homem moderno, não raro, retrocedeu moralmente, simplesmente porque se distanciou das questões espirituais. Esqueceu-se, por exemplo, de que a alma é a condição temporária na qual o espírito se encontra enquanto encarnado em um corpo material. 

A fé e a religião devem caminhar juntas na busca do conhecimento, porque um sem o outro não se bastam, não são suficientes para viabilizar uma integração plena dos aspectos científico, filosófico e ético ou religioso.  Einstein inquieto quanto ao controle das aplicações militares dos átomos que ameaçava ´e poque não Dizer, ameaça a própria sobrevivência da humanidade, já alertou que “a ciência sem a religião é cega; e a religião sem a ciência é manca”. 

Assim, tal qual os primeiros cristãos, procurar entender a espiritualidade e as relações existentes entre planos – material e espiritual -, bem como buscar compreender os conceitos da reencarnação, ajuda na conscientização de que na medida em que nós nos depuramos, o mesmo se sucederá no ambiente em que vivemos aproximando-nos do Criador.  

Isso, invariavelmente, contribui para a evolução individual e coletiva do planeta, de modo que cada alma humana progredirá, de céu em céu, até que alcance o esplendor da glória e os olhos da imaginação não possam mais acompanhá-la. 

Paulo Eduardo de Barros Fonseca 

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