O coronel PM Marcos Rogério da Cunha visitou na terça-feira, dia 6 de maio, o Semanário da Zona Norte.
Na ocasião, o comandante do Policiamento de Trânsito de São Paulo foi recebido pelo diretor responsável do jornal, João Carlos Dias.
Eles abordaram vários assuntos, entre eles: a sua trajetória profissional, a expectativa em comandar o Policiamento de Trânsito de São Paulo, as ações que pretende implatar, as estratégias e ações que pretende adotar em sua gestão no comando de Policiamento de Trânsito, o papel da Polícia Militar para a Sociedade, a relação entre a Polícia Militar e as outras Polícias e a Justiça, a importância das polícias comunitárias e dos Consegs e das mídias regionais, em especial o Semanário da Zona Norte.
Confira na íntegra a entrevista do coronel PM Cunha ao jornal Semanário da Zona Norte.
JSZN: Qual a sua formação e como foi seu início e trajetória na Polícia Militar do Estado de São Paulo até chegar ao Comando de Policiamento de Trânsito?
Coronel PM Cunha: Há 32 anos eu comecei a minha história na Polícia Militar do Estado de São Paulo. Em janeiro de 1993 eu iniciei o Curso de Formação de Oficiais na Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Me formei Aspirante a Oficial em dezembro de 1996 e fui classificado no 4º BPTran, que era o responsável pelo policiamento ostensivo de trânsito nas zonas Norte e Leste da Capital. No entanto, a maior parte da minha carreira trabalhei nas Marginais do Rio Tietê e do Pinheiros, então 3º BPTran e atualmente é a 3ª Cia do 2º BPTran. Quando da minha promoção a tenente-coronel fui classificado no 39º BPM/M, Zona Leste da Capital e após 1 ano e 6 meses, retornei ao CPTran e passei a comandar o 1º BPTran. Com a minha promoção ao posto de coronel, fui comandar o CPA/M- 7, Guarulhos e região, onde permaneci por 1 ano e 2 meses. E recentemente tive a felicidade de ser classificado no CPTran, unidade em que servi por mais de 25 anos.
JSZN: O Sr. se inspirou em alguém da família?
Coronel PM Cunha: Sim. Meu pai é Oficial da Força Aérea Brasileira.
JSZN: O que significa para o Sr. comandar o Policiamento de Trânsito? Qual sua expectativa?
Coronel PM Cunha: Ao longo dos anos, o CPTran demonstrou resiliência e capacidade de adaptação diante das transformações urbanas, atuando de forma estratégica e ostensiva na organização do sistema viário da cidade de São Paulo. Em parceria com órgãos municipais e estaduais, tem garantido o direito de ir e vir dos milhões de cidadãos, promovendo a ordem e a segurança no trânsito. Com orgulho de suas conquistas, o CPTran reconhece que os desafios superados foram oportunidades de aprendizado e aperfeiçoamento de seus protocolos operacionais e administrativos, reforçando em seu efetivo o compromisso com a melhoria contínua e o serviço à sociedade.
Diante da complexidade crescente da Região Metropolitana de São Paulo — maior metrópole da América Latina, com mais de 9 milhões de veículos registrados apenas na Capital (SENATRAN, 2023) —, o CPTran reafirma seu compromisso com a “Visão Zero”, buscando adotar políticas públicas que tenham como foco tornar o trânsito cada vez mais seguro para pedestres, ciclistas e motoristas.
JSZN: Quais ações o Sr. pretende implantar?
Coronel PM Cunha: O CPTran adotará um conjunto de medidas baseadas no fortalecimento do policiamento ostensivo de trânsito, com foco tanto na redução de sinistros, como na prevenção e repressão de ilícitos penais no contexto viário urbano.
Para tanto, serão realizadas operações com foco na visibilidade do policiamento de trânsito, reforçando a presença ostensiva em pontos estratégicos da cidade. Essas ações visam garantir a segurança viária, promover a fluidez do tráfego e, simultaneamente, manter a fiscalização das normas de trânsito, coibindo condutas irregulares e prevenindo sinistros.
JSZN: Durante sua carreira, quais casos que o senhor participou, mais lhe chamaram a atenção?
Coronel PM Cunha: A greve de caminhoneiros ocorrida no mês de maio de 2018 em todo Brasil em virtude do aumento dos preços dos combustíveis.
A paralisação e os bloqueios em vias urbanas e rodovias em todo país causaram o desabastecimento de alimentos, combustíveis, remédios em todo país, bem como, a paralisação dos transportes públicos, escolas e hospitais.
Causando grandes prejuízos aos cofres públicos, evidenciando a vulnerabilidade logística do país e uma dependência em relação ao transporte rodoviário de cargas.
A atuação das Forças de Segurança foi fundamental para garantir a Ordem Pública, desobstruindo vias públicas e garantindo o abastecimento dos serviços essenciais.
Foi uma atuação extremamente complexa, mas realizada com estratégica e uma atuação extremamente profissional.
JSZN: Quais as estratégias e ações que o senhor pretende adotar em sua gestão no comando de Policiamento de Trânsito?
Coronel PM Cunha: Diversos estudos comprovam que a imprudência dos motoristas é principal causa dos sinistros de trânsito, sendo responsável por mais de 90% das fatalidades.
Nesse sentido, Polícia Militar, por meio do CPTran, tem como estratégia de atuação, a aplicação rigorosa e contínua da legislação de trânsito, combinada, com a realização de campanhas de conscientização, que se constituem em ferramentas indispensáveis para educação e mudança do comportamento dos motoristas.
A chave para o sucesso de qualquer ação que tenha como principal objetivo, a preservação de vidas no trânsito, é fazer com que os motoristas tenham a percepção de que poderão ser responsabilizados pelos seus atos.
As pessoas tendem a ser mais cuidadosas e arriscam menos as suas vidas quando estão sujeitas à fiscalização.
Durante a minha gestão à frente do CPTran, serão adotadas ações estratégicas voltadas à segurança viária, com foco na prevenção de sinistros e repressão de ilícitos.
As operações de trânsito serão intensificadas em pontos estratégicos da cidade, priorizando a visibilidade do policiamento para inibir condutas de risco e aumentar a percepção de segurança.
Campanhas educativas contínuas, em parceria com instituições e mídias regionais, buscarão conscientizar a população sobre comportamentos seguros no trânsito.
A integração com demais Órgãos de Trânsito permitirá a construção de ações coordenadas e políticas públicas eficazes.
Além disso, operações direcionadas coibirão práticas criminosas no contexto viário.
Por fim, a aproximação com a comunidade, por meio das mídias regionais, será essencial para fortalecer a confiança entre a Instituição e o cidadão, garantindo um trânsito mais seguro e humano.
JSZN: Como o Sr. analisa o papel da Polícia Militar para a Sociedade?
Coronel PM Cunha: A Polícia Militar desempenha um papel essencial na preservação da Ordem Pública, no combate e prevenção à criminalidade e na proteção dos cidadãos.
A Polícia Militar é a face mais visível do Estado na Segurança Pública e exerce também um papel social importante ao realizar ações comunitárias, segurança no trânsito, atuação em emergências e desastre naturais.
Ao agir com disciplina, profissionalismo, respeito à lei, aos direitos humanos e com transparência, a Polícia Militar constrói uma relação de confiança e cooperação com a comunidade. Essa relação é essencial para a criação de um ambiente seguro onde os cidadãos de bem possam viver, trabalhar e prosperar.
JSZN: Uma das grandes preocupações da população é o fluxo de trânsito, como solucionar o problema?
Coronel PM Cunha: Esse é um problema que afeta as grandes cidades em todo mundo.
Um sistema de trânsito mais seguro depende de ações integradas como por exemplo:
- Educação e conscientização;
- Fiscalização rigorosa das leis de trânsito;
- Melhorias e investimentos em infraestrutura viária; e
- Controle de velocidade;
- Transporte público mais seguro e de melhor qualidade.
Outro eixo relevante é o estabelecimento de parcerias público-privadas, voltadas à promoção de campanhas educativas permanentes, com foco na conscientização de condutores, pedestres e ciclistas sobre comportamentos seguros e colaborativos no trânsito. Essas iniciativas reforçam o caráter preventivo da atuação policial e fomentam a cultura de paz e respeito nas vias públicas.
JSZN: Como funciona a relação entre a Polícia Militar e as outras Polícias e a Justiça?
Coronel PM Cunha: Segurança Pública é uma grande corrente com dezenas de elos, Sistema Policial, Sistema Legislativo, Sistema Carcerário, Sistema Judicial, todos transversalizados e dependentes um do outro e com responsabilidades compartilhadas.
Um elo enfraquecido compromete e sobrecarrega todos os demais.
O Polícia Militar sozinha não vai a lugar nenhum!
Nenhuma corrente é mais forte que seu elo mais fraco, um elo enfraquecido compromete todos os demais.
JSZN: Qual a importância das polícias comunitárias e dos Consegs?
Coronel PM Cunha: A polícia comunitária é uma estratégia fundamental para construir confiança, cooperação e uma prevenção eficaz da criminalidade entre a Polícia Militar e a comunidade. Ela se baseia na proximidade, no diálogo e na responsabilidade compartilhada pela Segurança Pública.
Nesse contexto, os CONSEGs (Conselhos Comunitários de Segurança) desempenham um papel crucial. Esses conselhos são fóruns onde cidadãos, policiais e instituições públicas e privadas se reúnem para discutir problemas locais e propor soluções conjuntas.
Tendo como principais benefícios:
- Fortalece a confiança entre a polícia e a comunidade;
- Estimula a participação da população nas decisões relacionadas à segurança;
- Identifica precocemente os problemas locais, permitindo respostas mais rápidas e eficazes;
- Aumenta a transparência das ações policiais.
JSZN: Qual a importância das mídias regionais, em especial o Semanário da Zona Norte?
Coronel PM Cunha: As mídias regionais exercem um papel estratégico na construção de uma sociedade mais informada, participativa e segura. Ao focarem em assuntos locais, elas conseguem atingir diretamente as comunidades, promovendo a conscientização sobre temas relevantes e fortalecendo o sentimento de pertencimento.
No contexto da segurança pública, sua atuação é ainda mais relevante. Por meio da divulgação de campanhas educativas, avisos, ações policiais e orientações preventivas, as mídias regionais contribuem para a redução da criminalidade e o aumento da sensação de segurança. Além disso, elas funcionam como canais de escuta da população, transmitindo demandas e denúncias que auxiliam o trabalho das forças de segurança.
Ao aproximar instituições públicas da sociedade, as mídias regionais também promovem a transparência, o controle social e a confiança entre cidadãos e autoridades.
Portanto, valorizar e fortalecer esses meios de comunicação é essencial para o desenvolvimento de comunidades mais conscientes e protegidas.
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