Aguarde, carregando...

Sábado, 27 de Junho 2026
Notícias Colunistas

Celebrar derrotas

Colunista José Renato Nalini

Celebrar derrotas
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Celebram-se vitórias, não derrotas. Assim, não há o que celebrar quando se noticia que o desmatamento na Amazônia cai 42% no primeiro trimestre de 2024. Isso porque, no primeiro trimestre de 2023, a destruição levou 844,6 km2 e agora foram “só” 491,8 quilômetros quadrados. 

Na verdade, uma derrota da natureza, que vai desaparecendo sem que a indignação atinja toda a sociedade civil, que é vítima das mudanças climáticas, provocadas pelo aquecimento global, causado pela extinção do verde. 

O encadeamento dessa tragédia é claro e comprovado. Os cientistas já exauriram sua voz para alertar a humanidade. Esta resta inerte. Salvo algumas exceções de quem brada no deserto de atitudes, a maioria não toma conhecimento do drama. O cerrado chegou ao mais alto patamar de extinção. Foram 1.445,6 quilômetros quadrados. Uma área equivalente à cidade de São Paulo. 

E por falar na cidade de São Paulo, o extremo sul, onde se encontram as últimas nascentes que abastecem a represa do Guarapiranga, também é vítima de ocupação indiscriminada e de célere derrubada da cobertura vegetal que garante água para mais de 30%. Não é diferente em outras cidades do nosso Estado, que já perdeu quase toda a sua Mata Atlântica.  

Isso mostra que todos os biomas estão sendo devastados. É hora daqueles que têm dinheiro e poder acordarem e se disporem a adotar nascentes, glebas ainda passíveis de restauração, para que não cheguemos ao ponto irreversível de um desastre total.  

Todos sabem que a cobertura vegetal não é panaceia, mas ajuda a mitigar os efeitos dessas mudanças bruscas de temperatura, a ajudar a escoar a água das precipitações extremas, outro fenômeno decorrente das mudanças climáticas e a melhorar o nível do sumidouro de carbono na atmosfera. 

O mundo precisa de um trilhão de árvores. O Brasil de um bilhão. A Capital de um milhão. Se cada habitante dessa conurbação de concreto se dispusesse a plantar uma árvore, a situação seria outra. Isso é que deve merecer a atenção de todos, não a celebração de uma catástrofe que continua em estágio incompatível com a qualidade de vida e com a subsistência da experiência humana sobre este planeta. 

* Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.  

+ Lidas

Nossas notícias no celular

Receba as notícias do Semanário ZN no seu app favorito de mensagens.

Telegram
Whatsapp
Entrar

Veja também

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR