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Bye bye Amazônia!

Talvez não haja mais tempo de reverter ritmo e rumo do desastre final.

Bye bye Amazônia!
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Talvez não haja mais tempo de reverter ritmo e rumo do desastre final. A Amazônia já ultrapassou o seu limite. O mundo prestou atenção à devastação e exigiu providências. A Amazônia não é de interesse exclusivo do Brasil. É um patrimônio universal. Têm razão outros governos e outros povos de se indignarem com o que ocorre no Brasil. Não é uma questão de soberania, conceito relativizado e muito vulnerado.

Basta pensar na chuva ácida, no imenso arquipélago de pets que navega pelos oceanos, no contrabando de armas, de drogas e de pessoas. Esses fenômenos respeitam fronteiras? As frágeis convenções humanas cedem à primazia da verdade. Já não é possível continuar a acreditar que exista aquele poder absoluto, incontrastável, indelegável, que os tratados de “Teoria Geral do Estado” chamavam de “soberania”.

O estágio do extermínio da floresta e da biodiversidade, é considerado apavorante. A cada mês cresce o número de queimadas. O quadro é trágico. Mais trágica ainda, é a criminosa distorção da política estatal que obriga o governo a proteger o ambiente, por força do artigo 225 da Constituição da República.

Em lugar de cumprir seu dever de zelar por um ambiente que não foi construído por ninguém, mas que está sendo celeremente exterminado, por omissão, negligência – e, o que é pior – com estímulo de quem é pago pelo povo para fazer exatamente o contrário: proteger a natureza.

É doloroso pensar que um Brasil tão necessitado de recursos de toda a ordem – humanos, econômicos, científicos e tecnológicos, entre outros, se ocupe de extingui-los. Antes até de se descobrir a exuberância da floresta amazônica e dela extrair potenciais riquezas, que poderão mitigar a crise gravíssima em que estamos imersos, este país desalmado e ignorante incentiva a atuação dos grileiros, dos dendroclastas, dos inimigos da flora e da fauna. Verdadeiros delinquentes, não raras vezes protegidos ostensivamente por autoridades que deveriam responder por essa conduta em juízo.

Outra perda nefasta é o Brasil deixar de obter os setenta trilhões de dólares disponíveis para uma descarbonização que é levada a sério em todo o planeta. Menos em terra de Vera Cruz... Se continuar assim, Bye-bye, Amazônia.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.    

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