"Deitado eternamente em berço esplêndido
Ao som do mar e à luz do céu profundo
Fulguras, ó Brasil, florão da América
Iluminado ao Sol do Novo Mundo!”
Joaquim Osório Duque Estrada ao se referir ao berço esplêndido, sobre o qual o nosso país se encontrava deitado, baseava-se no conhecimento que havia de nossas riquezas vegetais e minerais. Mas, por graça de Deus, no que diria respeito à Geopolítica, esse nosso torrão também foi abençoado. Benção que se faz tangível por desfrutarmos de localização que se apresenta como uma grande zona de paz em relação à muitos outros locais do globo. Geopoliticamente, Deus olhou por nós.
A benção, no entanto, ao longo do tempo, tem se apresentado como uma grande desculpa para que deixemos em segundo plano a preocupação com os assuntos de defesa. Por que tratar de assuntos de defesa, vivendo em região com pouquissímas ameaças? Se não existem ameaças para que Forças Armadas fortes? Alguns chegam a perguntar mesmo para que Forças Armadas?
A preocupação com esse tema vez ou outra se apresenta e só veio aparecer recentemente por essas bandas quando a nossa vizinha Venezuela teve o seu presidente capturado por uma força militar americana que o levou para que respondesse por seus crimes. Preocupação que aumentou quando essa grande potência atacou o Irã, tem ameaçado intervir em Cuba e classificou o PCC e CV como organizações terroristas. Quem será o próximo?
Como profissional da guerra bem sei que os assuntos de defesa não devem tratados episodicamente. Num mundo de grande instabilidade, deve-se ter em mente que é crucial, não só se dispor dos meios adequados, mas também de tropas treinadas e preparadas pois as ameaças não avisam quando se farão presentes. Mesmo sem a efetivação de ataques, o estar preparado é importante elemento de dissuasão que desencoraja pretensas intervenções.
Como elemento interessado e sabedor da criticidade do assunto, poderia me colocar na condição de intransigência diante de tanta passividade, mas prefiro ser racional frente a assunto que envolve a consciência sobre os riscos à nossa soberania. Digo mesmo que, em se encarando o nível de evolução de nossa cidadania, tal despreocupação é até compreensível.
Posso entender que esta preocupação não exista, quando se verifica que grande parte dos cidadãos não se preocupam mesmo com a evolução e estabilidade do Estado. O descumprimento da leis, as fraudes, a corrupção por parte dos agentes do Estado, a escolha de representantes desqualificados técnica e moralmente e a inação frente aos vários e recorrentes problemas institucionais, evidenciam a existência de uma sociedade que não está conectada com os reais interesses do Estado, o que se dirá, aí inclusos, dos assuntos de Defesa.
E quando falamos de soberania, há de se entender que a preocupação não é só com os meios de defesa. Existe um outro fator de igual relevância que hoje posso elencar como o mais preocupante: a nossa Diplomacia. As Relações Internacionais que hoje são orientadas por uma ideologia, afastaram-se da tradicional prudência, realismo, negociação e afirmação pacífica da soberania nacional exercitada e ensinada pelo Barão do Rio Branco.
O Brasil virou as costas e confrontou a maior potencia militar das Américas, se fazendo simpática aos regimes ditatoriais e aos grupos terroristas existentes no mundo. Por questões ideológicas, de forma anacrônica, resgata os ultrapassados ideais de luta ao imperialismo americano. A agenda de integração e desenvolvimento do MERCOSUL é esvaziada em detrimento da ação desintegradora e de antagonismo do Foro de São PAULO. Pragmatismo nenhum, apenas o ódio ideológico.
Nossas Forças Armadas, dentro do que lhes compete e dos recursos a elas disponibilizados, tem feito a sua parte, principalmente no que tange a ao preparo de seus quadros. As ameaças à soberania existem? Sim. Existem, mas têm nome e endereço, por sinal, moram em palácios no centro de nosso berço esplêndido.
*Eduardo Diniz
*Um cidadão brasileiro
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