A palavra ‘Apego’ é definida no dicionário como um sentimento de afeição, de estima, de ligação forte, que une uma pessoa às pessoas ou coisas de que gosta, logo é fácil entender que está diretamente relacionada a pessoas e coisas que se tem como importantes e que seria impensável perder ou desfazer. Isso gera uma grande dificuldade, por exemplo, quando as pessoas têm de se desfazer de coisas, o que a leva ao acúmulo de objetos, roupas, brindes, documentos, joias, bijuterias, assim como de histórias tristes, mágoas, doenças (favorece atenção e cuidados), dores, poder, autoridade, etc.
Uma pessoa pode apegar-se, consciente ou inconscientemente, ao trabalho, à família, a um esporte, à carreira ou até mesmo a um amor, sendo estas as razões, além dos ganhos secundários, recompensas e benefícios, desse sentimento estar tão presente em nossas vidas.
O ‘Apego’ pode ser saudável ou doentio. Quando relacionado a coisas que levam a uma recordação triste, a um passado infeliz, que remete a uma dor constante, e mesmo a algum objeto que não consegue se livrar, apesar de não ter serventia ou não o usar, será ruim; por outro lado, será bom e salutar ao referir-se à afeição por certa pessoa ou animal, prazeres no geral como viajar, confraternizar ou por um objeto cujo valor seja sentimental.
Como tudo em excesso pode causar mal, o ‘Apego’ exagerado também pode gerar sofrimento de dependência afetando a saúde física e emocional provocando estresse, ansiedade, depressão e fobia. Nesse estado a pessoa praticamente coloca-se numa prisão, cuja chave para liberdade está em suas mãos, contudo não consegue acessá-la por si, sendo preciso recorrer a ajuda de psicoterapia, religiosidade, espiritualidade, remédios, etc.
Quando estiver relacionado ao sentimento por uma pessoa pode causar uma confusão entre o que seja Amor e ‘Apego’, daí porque sobrevém uma relação de sofrimento que a torna doentia, pois a pessoa apegada (dependente) preocupa-se muito mais em receber (carinho, cuidados, atenção, admiração), do que oferecer sua presença, vivência e conhecimentos. Existindo esta carência emergem os sentimentos de controle, ciúmes, desconfiança, raiva, possessividade, assim como a mínima possibilidade de terminar o relacionamento torna-se desesperadora, gerando intensa angústia com choros e crises.
É ‘Apego’ e não Amor quando a pessoa necessita saber a todo momento onde e com quem o outro(a) está; se está longe recorre a chantagem emocional para trazê-lo(a) de volta; a distância traz a percepção de estar faltando um pedaço seu; vive angustiado para saber quem enviou mensagens no Whatsapp, facebook, e-mail para ele(a) ou quando não é respondido(a); o ciúme dos amigos(as) é insuportável; quando há uma discordância e não conseguem estabelecer uma comunicação, reprimem o desconforto silenciando, esquecendo ou empurrando para debaixo do tapete, enfim abre mão da vida pessoal por achar que a outra pessoa é insubstituível.
A boa notícia vem do desapego que tem o significado de despedir, soltar, deixar ir. O desapego decorre das constantes mudanças, evoluções, atualizações, desenvolvimento das pessoas, onde nada é eterno, pois pessoas morrem, vêm e vão nas nossas vidas, objetos envelhecem, vencem e quebram, relacionamentos terminam, afinal as vivências do passado e as histórias de vida fazem as pessoas serem outras no presente.
Não aceitar o desapego significa manter-se aprisionado e, por vezes, sofrendo, então porque não começar a praticá-lo, principalmente, nesse período de ficar em casa? Começando pela arrumação dos armários, livrando-se de roupas, sapatos, bijuterias, objetos sem utilidade; no escritório desfazendo-se de livros, documentos e arquivos; sobre os sentimentos e pensamentos, vivenciar e aceitá-los; sendo moderado nas expectativas; livrando-se também de tudo que lhe causa mal; e etc.
Finalmente, a prática do desapego potencializa a felicidade e favorece a prosperidade, além de ser muitíssimo importante para o bem-estar, a Qualidade de Vida e Saúde.
Coronel PM PAULO AUGUSTO LEITE MOTOOKA
Comandante do Policiamento Ambiental do Estado de São Paulo
Mestre e Doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública
Bacharel em Psicologia, Direito e Especialista em Direito Ambiental