SEMANÁRIO ZONA NORTE - JORNAL DE MAIOR CIRCULAÇÃO NA ZONA NORTE

Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 22 de Abril 2026

Notícias Colunistas

Ainda se come lixo

Colunista José Renato Nalini

Ainda se come lixo
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Inconcebível para a nação que se funda sobre uma Constituição democrática e avançada, conviver com seres humanos que se alimentam a partir daquilo que conseguem recuperar em lixões.  

O lixo do Brasil é um dos mais ricos do planeta. Tanto que alguns especialistas defendem que ele deva ser vendido e não que o povo pague por sua coleta. Um dos cruéis paradoxos desta República é a simultaneidade de dois opostos: o celeiro do mundo tem mais de trinta e três milhões de pessoas que passam fome todos os dias. Os famintos são os excluídos. Situam-se às margens da vida. Estão espalhados, mas um número considerável é de moradores em favelas. 

Muito se fala em favela, mas esta entidade é pouco estudada e conhecida. Há necessidade de elaboração de diagnóstico integrado propositivo, em que se leve em consideração uma pesquisa histórica, as questões ambiental e social, antes de oferecer uma proposta de solução.  

A cultura ESG pode ajudar o tratamento de um problema que parece insolúvel, como esse da fome crônica. Nada é impossível. Em tempos de extermínio da natureza, é preciso pensar em bioeconomia, estratégia de salvação da floresta e, principalmente, de salvação do povo que vive na floresta.  

É preciso enfrentar com coragem os inúmeros desafios postos pelo abandono a que o Estado condenou os excluídos. Há startups que podem ajudar a criar tecnologias importantes para corrigir distorções que permanecem diante da inércia do poder público e insensibilidade da população. O agro é pop, o agro é tudo, então onde está o agro diante da fome? 

Fala-se bastante em ODS, os objetivos de desenvolvimento sustentável, mas tais bandeiras estão no discurso e não na ação. Tudo deve começar na cidade. É nela que as pessoas moram. Não faz sentido deixar que essas habitações toscas e vulneráveis se multipliquem, ampliando as chagas abertas nesta sociedade complexa: aparentemente emotiva e fanatizada quanto a alguns assuntos, mas também cruel ao deixar de lado a obrigação de mudar o inaceitável ambiente social à vista de todos nós. 

Nenhum brasileiro deveria dormir tranquilo, enquanto houver um semelhante a passar fome e a remexer lixo para suprir suas necessidades vitais. O que você está fazendo para saciar a fome de seu irmão? 

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e autor de “Ética Ambiental”.       

+ Lidas

Nossas notícias no celular

Receba as notícias do Semanário ZN no seu app favorito de mensagens.

Telegram
Whatsapp
Entrar

Veja também

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR