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Quarta-feira, 16 de Setembro 2026
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Aí vem tempestade!

Colunista José Renato Nalini

Aí vem tempestade!
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Mais um presente que a natureza injuriada oferta à humanidade. Os furacões no Oceano Atlântico têm o dobro de chance de não serem mais tempestades fracas, mas se tornarem violentos. Uma descoberta que valeria como aviso urgente, se os homens fossem ajuizados. 

Isso já era empiricamente comprovado. O furacão Maria matou mais de três mil pessoas em Porto Rico e nas ilhas vizinhas em 2017. Essa mudança repentina de categoria – tempestade fraca para furacão – torna quase impossível prever as consequências e antecipar os lugares afetados.  

Entre 2001 e 2020, os ciclones tropicais atlânticos tinham 8% de chance de se tornarem tempestades fortes. Os furacões mais fortes são aqueles que têm ventos a uma velocidade de 177 km por hora. Eles resultam do aquecimento da água do mar que evapora para a atmosfera. Ganham força devido à diferença de temperatura entre a superfície do oceano e a atmosfera superior mais fria. E é por isso que a temporada de furacões no Atlântico Norte ocorre de junho a novembro: é a época do ano em que a água está mais quente. 

O grave é que as temperaturas oceânicas estão aumentando. O mar absorve mais de 90% do calor adicional retido na superfície do planeta pelas emissões dos gases do efeito estufa. Sem limitar o aquecimento futuro, a tendência é a multiplicação de fenômenos extremos.  

A intensificação rápida dos furacões é o pesadelo dos meteorologistas. Mas é muito mais séria para as populações afetadas e para a navegação. Os cruzeiros marítimos se tornam perigosos. E o risco para as populações das orlas litorâneas aumenta consideravelmente. Não há tempo de avisá-las para evacuação e a destruição e morte serão certas.  

Incrível o poder do bicho-homem de perverter a ordem natural das coisas. O clima da Terra é o único propício para o desenvolvimento da vida e assim foi durante milhões de anos. Bastaram poucos anos de industrialização para que a contaminação tomasse conta do solo, da atmosfera e da água.  

Por enquanto, a humanidade está cega e surda aos reiterados avisos da Mãe-Terra, que não tem como revidar aos ataques, senão mostrando ao homem o quão insignificante ele é. Haverá tempo para assimilarmos a lição? 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Geral da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS. 

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