Marido fora de casa. Toca o telefone e ela atende:
– Oi, querida, sofri um acidente. Tive um desmaio, fraturei três costelas, estou com hematoma na cabeça, luxação no braço esquerdo e fratura exposta na perna direita, mas a Solange me trouxe ao hospital e estou recebendo tratamento na cardiologia e na ortopedia!
Nervosa e extremamente preocupada, ela responde:
– Quem é essa tal Solange???
Nos dias atuais, a mulher vive continuamente tensa e preocupada com a manutenção da posse de seu homem. Isso porque, sem dúvida alguma, é ele um “produto” que está se tornando raro “no mercado”! Convenhamos que não está sendo fácil às moçoilas casadoiras – ou já casadas – encontrar ou segurar seu par. Quem consegue realizar tal façanha pode considerar-se – literalmente – consorte!
Algumas chegam a comparar o homem ao velho “orelhão” (lembram-se dele: eram aparelhos telefônicos que ficavam dispostos nas ruas para que as pessoas, usando fichas, fizessem ligações). Segundo elas, muitos desses exemplares do grupo Homo Sapiens, à semelhança daqueles aparelhos, “ou estão ocupados ou não funcionam...”
Em razão disso, há fortes e firmes estratégias e táticas de defesa do patrimônio masculino do matrimônio!
Numa festa, por exemplo, tudo vai correndo normal, mansa e pacificamente. Copos à mão, os maridos batem papos descontraídos sobre política, futebol, pescaria, enquanto as esposas conversam animadamente sobre os mais diversos, interessantes e inusitados assuntos (todos ao mesmo tempo, é claro, num cruzamento de palavras, perguntas, respostas, informações e que tais que só mulher consegue entender...). Então aponta, na entrada do salão, aquele “mulherão-duzentos talheres”, com um belo e justo vestido, ornado com reluzentes joias... Como um corisco faiscante, uma mensagem não falada atravessa o salão de festas de ponta a ponta, transmitindo um alerta vermelho: “perigo na área!” De imediato, o burburinho cessa, o riso apaga, o grupo se desfaz e cada mulher se esgueira para junto de seu marido, enganchando-se em seu braço ou, pelo menos, segurando sua mão, numa outra mensagem não falada: “Este é meu!”
Há alguns anos, fiz amizade com um casal de meia idade. Ele era um ainda jovem e simpático desembargador do nosso Tribunal de Justiça. Ela, uma mulher alta, esguia, loira, de marcantes olhos azuis. Festeiros e comunicativos, participavam de festas, passeios, excursões, cruzeiros e tudo mais, sendo sempre bem aceitos por todos. Foi então que o imprevisto aconteceu: ele morreu. A partir daí, tudo mudou para ela. Não sei se alguém adivinha porquê...