O conceito da verdade desafia a humanidade há séculos.
Segundo estudiosos, a palavra verdade deriva de três origens distintas, quais sejam: do grego aletheia, que se refere ao que as coisas são; do latim veritas, que se refere aos fatos que foram e do hebraico emunah, que se refere às ações e as coisas que serão.
Os filósofos, desde a antiguidade, discutem sobre a natureza da verdade, se é real e absoluta ou relativa e ilusória.
Sócrates afirmava que existiam verdades universais, válidas para toda a humanidade em qualquer espaço e tempo. Para encontrá-las, era necessário refletir sobre elas. Platão e Aristóteles entendiam que a verdade seria a exata correspondência de um enunciado com a realidade da coisa por ele proferida. René Descartes e Immanuel Kant defendiam que a verdade é a correspondência do que está no pensamento com o que existe no mundo, nas coisas. É a adequação do intelecto, do inteligido e das coisas. E, segundo Friedrich Nietzsche, a verdade é uma ilusão, é uma enganação que tomamos como valor de verdade e serve para manter nossos corpos adestrados, já que ela é aquilo que trava nossas ações, que pontua nossos julgamentos e que define o que vale à pena ser levado a sério.
Na ciência, por sua vez, é comum dizer que a verdade é uma verdade até que outra verdade àquela se sobreponha. Isso, aliás, é de fácil mensuração quando nos lembramos que somos seres em formação e que as coisas da natureza estão em constante transformação e evolução.
Nesse mesmo sentido, em Suas pregações, Jesus demonstrou-nos que a verdade humana é relativa e manipulável de acordo com os interesses de quem tem a intenção de afirmá-la. Mas, quando falou sobre a verdade espiritual o fez como um fato revelado e eterno, obviamente porque se referia à palavra de Deus que é verdadeira independentemente do fato de se concordar, de aceitar e obedecer ou rejeitar e contestar.
Disse Jesus, “...vim ao mundo para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade, ouve a minha voz ...”. (João, 18:37). Mais ainda, afirmou: “... conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jó 8:32). Logo, segundo a sentença evangélica, conhecer não se traduz como mera informação, mas assimilação de conhecimentos que favoreçam o combate às imperfeições.
Essa questão também está revelada em outras passagens bíblicas, como por exemplo quando Paulo, o apóstolo, instrumento da manifestação espiritual da estrada de Damasco, disse que "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." (Timóteo 3:16-17) e que seu ensinamento não tinha palavras de sabedoria humana e sim palavras reveladas pelo Espírito Santo (Coríntios 2:9-13).
Nesse contexto é de se dizer que “a verdade não constitui edificação que se levante por informações alheias, no caminho da vida. É realização eterna que cabe a cada criatura consolidar aos poucos, dentro de si mesma, utilizando a própria consciência.” (Xavier, F. C. - Lázaro redivivo, pelo Espírito Irmão X. Cap. 32).
Enfim, por ser imutável, exata, incorruptível e objetiva é que Jesus, trazendo-nos as diretrizes e bases para a libertação espiritual do homem, exortou: Busca a Verdade e a Verdade te libertará (Paulo. 6:22).
Paulo Eduardo de Barros Fonseca