SEMANÁRIO ZONA NORTE - JORNAL DE MAIOR CIRCULAÇÃO NA ZONA NORTE

A tragédia se repete em MG

Passados três anos, da tragédia de Mariana (MG)

Passados três anos, da tragédia de Mariana (MG), o Brasil se vê novamente em outro desastre, desta vez, em Brumadinho, localidade há 200 quilômetros de distância. No intervalo entre as datas, estão 1.177 dias, e neste período pouco foi resolvido sobre a queda da barragem de Fundão, imagine agora, com a tragédia do Córrego do Feijão?

O povoado de Bento Rodrigues, no município de Mariana sumiu do mapa, e o mesmo, aconteceu com os moradores de Brumadinho. E o que nos faz pensar que agora será diferente?

No primeiro acidente, mais de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro vazaram, atingiram o Rio Doce e chegaram ao mar. Desta vez, as causas ainda estão sendo apuradas pela Vale do Rio Doce, responsável pelas duas barragens.

Quando aos moradores, houve uma promessa de construção de novas casas, que estava prevista para 2019, porém, foi adiada para 2020, e devido aos processos deverá ser prolongada por tempo. Será que podemos pensar que agora será diferente?

Se olharmos para o começo da década, vemos que este tipo de acidente é frequente na região. Em junho de 2001, uma barragem da empresa Rio Verde se rompeu na cidade de São Sebastião das Águas Claras, conhecida como Macacos, em Nova Lima, devastando uma área de 80 hectares de Mata Atlântica. Em 2003, outro rompimento, dessa vez na cidade de Cataguases, na Zona da Mata, despejou 900 mil metros cúbicos de lixívia negra na bacia do Paraíba do Sul.

Em janeiro de 2007, foi a vez dos moradores de Miraí, também na Zona da Mata, sofrerem com uma tsunami de rejeitos. Uma represa da empresa Mineração Rio Pomba Cataguases cedeu, destruindo dezenas de casas.

O que ninguém discute, são os dados ambientais causados por estes “acidentes”. Terras devastadas e sem vida sairão do mapa, e as mortes, tristemente, virarão estatísticas diante de tanta impunidade e de tanto jogo do “político”. Temos que olhar para esta situação, como os olhos marejados, com vergonha de ver o país, se acabar. Ou mudamos o nosso pensamento, ou jamais mudaremos este pais.

João Carlos Dias

* Diretor-resposável do jornal Semanário da Zona Norte

 

  • Compartilhe
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no LinkeDin
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no WhatsApp

A tragédia se repete em MG

Passados três anos, da tragédia de Mariana (MG), o Brasil se vê novamente em outro desastre, desta vez, em Brumadinho, localidade há 200 quilômetros de distância. No intervalo entre as datas, estão 1.177 dias, e neste período pouco foi resolvido sobre a queda da barragem de Fundão, imagine agora, com a tragédia do Córrego do Feijão?

O povoado de Bento Rodrigues, no município de Mariana sumiu do mapa, e o mesmo, aconteceu com os moradores de Brumadinho. E o que nos faz pensar que agora será diferente?

No primeiro acidente, mais de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro vazaram, atingiram o Rio Doce e chegaram ao mar. Desta vez, as causas ainda estão sendo apuradas pela Vale do Rio Doce, responsável pelas duas barragens.

Quando aos moradores, houve uma promessa de construção de novas casas, que estava prevista para 2019, porém, foi adiada para 2020, e devido aos processos deverá ser prolongada por tempo. Será que podemos pensar que agora será diferente?

Se olharmos para o começo da década, vemos que este tipo de acidente é frequente na região. Em junho de 2001, uma barragem da empresa Rio Verde se rompeu na cidade de São Sebastião das Águas Claras, conhecida como Macacos, em Nova Lima, devastando uma área de 80 hectares de Mata Atlântica. Em 2003, outro rompimento, dessa vez na cidade de Cataguases, na Zona da Mata, despejou 900 mil metros cúbicos de lixívia negra na bacia do Paraíba do Sul.

Em janeiro de 2007, foi a vez dos moradores de Miraí, também na Zona da Mata, sofrerem com uma tsunami de rejeitos. Uma represa da empresa Mineração Rio Pomba Cataguases cedeu, destruindo dezenas de casas.

O que ninguém discute, são os dados ambientais causados por estes “acidentes”. Terras devastadas e sem vida sairão do mapa, e as mortes, tristemente, virarão estatísticas diante de tanta impunidade e de tanto jogo do “político”. Temos que olhar para esta situação, como os olhos marejados, com vergonha de ver o país, se acabar. Ou mudamos o nosso pensamento, ou jamais mudaremos este pais.

João Carlos Dias

* Diretor-resposável do jornal Semanário da Zona Norte

 

Publicidade