SEMANÁRIO ZONA NORTE - JORNAL DE MAIOR CIRCULAÇÃO NA ZONA NORTE

A temporariedade da autoridade

A verdadeira riqueza é a soma dos conhecimentos e das qualidades morais armazenadas em cada um de nós

Em tempos de mudanças na política do país, com a eleição de novos governantes, é oportuno refletir sobre a responsabilidade e as implicações decorrentes da autoridade da qual algumas pessoas foram investidas.

Sendo certo que a existência corporal é transitória é lícito afirmar que, de fato, nada de material nos pertence, bem como a verdadeira riqueza é a soma dos conhecimentos e das qualidades morais armazenadas em cada um de nós. A partir dessa premissa é lícito afirmar que a autoridade da qual algumas pessoas são investidas não passa de uma mera delegação da qual terá de prestar contas, tanto na matéria como na espiritualidade, quem quer dela seja depositário.

Daí, aqueles que estão investidos dessa delegação devem ter claro que a autoridade é a liderança necessária, que deve ser exercida com o objetivo de conduzir o desenvolvimento e a harmonia da sociedade. A compreensão e prática disso repelirá o autoritarismo que se caracteriza pela opressão e tirania, porque o comando é exercido com fins meramente egoísticos.

Ao abordar essa questão o Evangelho alerta que “todo aquele que é depositário da autoridade, de qualquer extensão que ela seja, desde o senhor sobre seu servo até o soberano sobre seu povo, não deve se dissimular que tem encargo de almas, ele responderá pela boa ou má direção que tiver dado aos seus subordinados, e as faltas que estes poderão cometer, os vícios a que serão arrastados, em consequência dessa direção ou de maus exemplos recairão sobre ele, enquanto que recolherá os frutos da sua solicitude para conduzi-los ao bem. (...) Ele (Deus) perguntará àquele que possui uma autoridade qualquer: que uso fizeste dessa autoridade? Que mal detiveste? Que progresso fizeste? Se eu te dei subordinados não foi para fazer deles escravos da tua vontade, nem os instrumentos dóceis de teus caprichos e da tua cupidez, eu te fiz forte e confiei-te,  e te confiei os fracos para os sustentar e os ajudar subir até mim. O superior, que está compenetrado das palavras do Cristo, não despreza a nenhum daqueles que estão abaixo de si, porque sabe que as distinções sociais nada instituem diante de Deus.”

Se a ordem social colocou homens sob a dependência de outrem, o exercício da autoridade deve ser praticado com parcimônia e em benefício do bem comum, simplesmente porque todos são iguais perante Deus.

A nova conjuntura política do país, decorrente da soberania popular, ou seja, da vontade do povo, renova as expectativas de que o exercício da autoridade - por aqueles que foram escolhidos - cumpra a lei de justiça, de amor e de caridade na sua maior pureza, pois que antes de praticarem qualquer ato todos se lembrarão de Deus e interrogarão sua consciência sobre seus próprios atos e a si mesmo perguntarão se estarão violando essa lei, se não praticarão o mal, se estão fazendo todo o bem possível, enfim, se estarão fazendo tudo o que desejaria lhe fizessem e, ainda, se estão respeitando os princípios da igualdade, liberdade e fraternidade, bem como atuando em prol da construção de uma sociedade verdadeiramente justa e perfeita.

 1Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. XVII, item 9.

Paulo Eduardo de Barros Fonseca*Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International

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A temporariedade da autoridade

Em tempos de mudanças na política do país, com a eleição de novos governantes, é oportuno refletir sobre a responsabilidade e as implicações decorrentes da autoridade da qual algumas pessoas foram investidas.

Sendo certo que a existência corporal é transitória é lícito afirmar que, de fato, nada de material nos pertence, bem como a verdadeira riqueza é a soma dos conhecimentos e das qualidades morais armazenadas em cada um de nós. A partir dessa premissa é lícito afirmar que a autoridade da qual algumas pessoas são investidas não passa de uma mera delegação da qual terá de prestar contas, tanto na matéria como na espiritualidade, quem quer dela seja depositário.

Daí, aqueles que estão investidos dessa delegação devem ter claro que a autoridade é a liderança necessária, que deve ser exercida com o objetivo de conduzir o desenvolvimento e a harmonia da sociedade. A compreensão e prática disso repelirá o autoritarismo que se caracteriza pela opressão e tirania, porque o comando é exercido com fins meramente egoísticos.

Ao abordar essa questão o Evangelho alerta que “todo aquele que é depositário da autoridade, de qualquer extensão que ela seja, desde o senhor sobre seu servo até o soberano sobre seu povo, não deve se dissimular que tem encargo de almas, ele responderá pela boa ou má direção que tiver dado aos seus subordinados, e as faltas que estes poderão cometer, os vícios a que serão arrastados, em consequência dessa direção ou de maus exemplos recairão sobre ele, enquanto que recolherá os frutos da sua solicitude para conduzi-los ao bem. (...) Ele (Deus) perguntará àquele que possui uma autoridade qualquer: que uso fizeste dessa autoridade? Que mal detiveste? Que progresso fizeste? Se eu te dei subordinados não foi para fazer deles escravos da tua vontade, nem os instrumentos dóceis de teus caprichos e da tua cupidez, eu te fiz forte e confiei-te,  e te confiei os fracos para os sustentar e os ajudar subir até mim. O superior, que está compenetrado das palavras do Cristo, não despreza a nenhum daqueles que estão abaixo de si, porque sabe que as distinções sociais nada instituem diante de Deus.”

Se a ordem social colocou homens sob a dependência de outrem, o exercício da autoridade deve ser praticado com parcimônia e em benefício do bem comum, simplesmente porque todos são iguais perante Deus.

A nova conjuntura política do país, decorrente da soberania popular, ou seja, da vontade do povo, renova as expectativas de que o exercício da autoridade - por aqueles que foram escolhidos - cumpra a lei de justiça, de amor e de caridade na sua maior pureza, pois que antes de praticarem qualquer ato todos se lembrarão de Deus e interrogarão sua consciência sobre seus próprios atos e a si mesmo perguntarão se estarão violando essa lei, se não praticarão o mal, se estão fazendo todo o bem possível, enfim, se estarão fazendo tudo o que desejaria lhe fizessem e, ainda, se estão respeitando os princípios da igualdade, liberdade e fraternidade, bem como atuando em prol da construção de uma sociedade verdadeiramente justa e perfeita.

 1Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. XVII, item 9.

Paulo Eduardo de Barros Fonseca*Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International

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