A humanidade evoluiu, sobreviveu a duas Grandes Guerras e, apenas, em fins do século 20 veio tratar com mais ênfase da questão ambiental. A partir da iniciativa de países europeus, a Organização das Nações Unidas difundiu vários entendimentos visando a preservação da fauna, flora e dos recursos naturais do planeta, colocando em destaque a água.
Embora todos compreendamos quão importante é essa discussão notadamente para as gerações futuras, devemos, como cidadãos responsáveis, estudar esse assunto sem paixões, com o fito de poder buscar soluções factíveis que respeitem as possibilidades que temos para implementar as respectivas políticas, levando-se em conta o nosso estágio de desenvolvimento.
Devemos entender que, muitas das vezes a visão de um ativista ambiental é cheia de idealismo que despreza a realidade existente ou mesmo ela é viciada por interesses outros, políticos, econômicos ou ideológicos, que, portanto, não pode ser considerada como verdade suprema e assim influenciar a forma como devemos enxergar o problema. O ideal nem sempre é realizável. O discurso bonito e cativante pode encobrir as reais intenções.
Fazendo um paralelo com a pirâmide de Maslow que, de forma hierarquizada ordenou as necessidades dos seres humanos, os Estados encaram e trabalham pelas questões ambientais, de acordo com a prioridade que consideram deve ser tratado o assunto, frente a outros desafios como saúde, educação segurança e economia. Enquanto países mais desenvolvidos têm condições de voltarem-se para o tratamento do ambiente de forma adequada, existem aqueles países com infindáveis necessidades que não dispõem das capacidades para enfrentarem esse problema. Numa mesma ilha no Caribe, Haiti e República Dominicana expõem essa realidade. A banda ocidental da ilha é pobre e devastada enquanto a porção oriental, a segunda economia do Caribe, é verde e vicejante.
Ao tratarmos de nossa Amazônia podemos também relacionar o desenvolvimento do país, Estados e municípios da região com a preservação do ambiente . A falta de desenvolvimento naquele Estados e municípios não só tem dificultado a exploração sustentável daquelas terras como tem contribuído para que os órgãos de fiscalização não estejam presentes como deveriam, de forma a coibir a ocorrência dos conhecidos crimes ambientais. A tese do isolamento da floresta, pregada por alguns, atende a interesses alienígenas espúrios e só tem contribuído ao longo de todos esses anos para aumentar os problemas com que nos deparamos no dia a dia, além de condenar aqueles povos a uma vida de carências.
Sem o desenvolvimento da região a preservação não acontece. E é sempre bom lembrar aos incautos: a Amazônia é nossa.
General Eduardo Diniz
* Analista do Núcleo de Estudos Estratégicos em Defesa e Segurança da UFSCAR