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Quarta-feira, 13 de Maio 2026
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A mesa global em crise: Mais do que celebrar, é preciso agir no Dia Mundial da Alimentação

Editorial

A mesa global em crise: Mais do que celebrar, é preciso agir no Dia Mundial da Alimentação
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O dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, é muito mais do que uma data no calendário; é um espelho que reflete o estado mais fundamental da humanidade: nossa relação com o alimento. Criada para celebrar a fundação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), esta data se tornou um momento crucial para confrontar a parcialidade da mesa global.

Enquanto a ciência e a tecnologia agrícola avançam a passos largos, a realidade é um contraste chocante: em um planeta com capacidade de produzir comida suficiente para todos, milhões de pessoas ainda sofrem com a fome e a insegurança alimentar. O paradoxo se aprofunda quando olhamos para o outro lado da balança: o crescimento das taxas de obesidade e doenças crônicas ligadas a dietas inadequadas, resultado da má qualidade e do excesso de alimentos ultraprocessados.

A alimentação mundial enfrenta um duplo fardo. De um lado, temos a tragédia da subnutrição e da fome crônica, impulsionadas por conflitos, crises climáticas e desigualdades socioeconômicas. A ausência de acesso regular e financeiramente viável a alimentos nutritivos impede o desenvolvimento humano e perpetua o ciclo da pobreza.

De outro lado, a dieta global se inclina perigosamente para o insustentável e o não saudável. O modelo de produção e consumo dominante não só adoece a população com excessos de açúcar, sal e gorduras, mas também sobrecarrega o planeta. A pressão sobre os recursos hídricos e o solo, o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa associadas à agricultura industrial colocam em xeque o futuro da própria alimentação. Não há segurança alimentar em um planeta doente.

A pauta que ecoa neste Dia Mundial da Alimentação é clara: a necessidade de transformar radicalmente nossos sistemas alimentares. O foco global, como tem sido defendido, deve estar na construção de um futuro sustentável – um futuro onde o alimento seja um direito e não um privilégio.

Isso requer mais do que caridade; exige ações políticas robustas e coordenadas. É fundamental: Apoiar a agricultura familiar e a agroecologia; combater o desperdício; priorizar dietas saudáveis e sustentáveis e garantir o acesso a alimentação.

O Dia Mundial da Alimentação nos convoca a ir além da retórica. É preciso que governos, setor privado, academia e a sociedade civil assumam a responsabilidade de mudar um sistema que, apesar de produzir fartura, falha em nutrir com equidade e sustentabilidade. A saúde do ser humano e a saúde do planeta estão intrinsecamente ligadas ao que escolhemos comer e a como esse alimento é produzido e distribuído.

A mudança começa na conscientização, mas só se concretiza na ação. Que este 16 de outubro não seja apenas uma data de lembrança, mas sim um marco de compromisso inadiável com um futuro alimentar mais justo e saudável para todos.

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