“Onde está a vossa fé?” indagou Jesus aos seus discípulos quando, numa pequena barca, se viram em meio a uma tempestade (Lucas, 22- 8:25).
Essa passagem mostra-nos quão frágil é a fé do homem. Ante as mais simples dificuldades do cotidiano normalmente nos apequenamos mostrando nossa fragilidade. Seja no aspecto material, mas, sobretudo, no espiritual, mormente falta-nos confiança porque não nos preparamos para as adversidades.
Ainda que inconscientemente, achamos que isso ou aquilo nunca acontecerá conosco. Nos colocamos, sempre, num patamar mais elevado e, quando surpreendidos pelas inconstâncias da vida, por vezes, nos perdemos. Nós nos abatemos a ponto de duvidarmos da bondade e da justiça de Deus. Esquecemo-nos da nossa fé, porque frágil, e dos ensinamentos trazidos pelo mestre Jesus.
Essa constatação nos leva a indagar o que a fé significa em nossas vidas? E, ainda que inconscientemente, nos faz admitir que nossa fé, embora seja um sentimento inato, cujo germe foi depositado no homem em estado latente e depois deve eclodir e crescer por sua vontade ativa, nem sempre é convicta.
A partir dessa constatação percebemos que para ser proveitosa a fé deve ser ativa, não deve se entorpecer, devendo ser reconhecida como a mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus e estar fincada sobre as bases da razão, para que, em qualquer circunstância, traga como consequência a esperança e a caridade.
Allan Kardec define a fé como sendo uma força de vontade direcionada para um certo objetivo, ou seja, a vontade de querer. Essa força pode ser aplicada no campo material, definido como a fé humana, e no espiritual, a fé divina, que orienta o homem na crença em uma força superior a ele e a tudo, que a tudo organiza e o direciona na busca da descoberta do seu lado imortal. Diz mais, que a fé é humana e divina; se todos os encarnados estivessem bem persuadidos da força que têm em si, se quisessem colocar a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o que, até o presente, chamou-se de prodígios, e que não é senão um desenvolvimento das faculdades humanas.
Bezerra de Menezes, o médico dos pobres, esclarece que a fé é uma realidade literal que conduz o nosso destino, promovendo o alcance das benesses as quais o Criador dispõe e que todos podem conquistar.
Fortalecidos no entendimento da fé, reconhecida como a mãe de todas as virtudes, porque traz como consequência a esperança e a caridade, encontraremos Paz, sobretudo de espírito, e seremos capazes de transformar nossas vidas elevando nossos corações.
Entendida a lição, no aspecto moral e espiritual, teremos claro que com fé e resignação as adversidades da vida material nos trazem valiosos ensinamentos, bem como fortalecem nosso espírito, porque fazem de nós pessoas melhores e, portanto, mais próximas de Deus.
Enfim, a fé deve se apoiar sobre a lógica dos fatos, não deixando atrás de si nenhuma obscuridade. A fé deve ser raciocinada para fazer valer o pensamento que diz que “não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade”.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca