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Domingo, 02 de Agosto 2026
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A fé e o cinema

Colunista *José Renato Nalini

A fé e o cinema
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A crença é algo presente na existência da imensa maioria da humanidade. Ainda os que não creem, devem acreditar em alguma coisa: a natureza, a lógica inexplicável da vida, o enigma e o mistério da morte.

            Mas os cineastas, quando creem, deixam o DNA de sua fé na sua obra. Para conhecer melhor como é que o catolicismo influenciou a cinematografia de Martin Scorsese, coautor do livro “Diálogos sobre a Fé”, junto com o sacerdote Antonio Spadaro.

            O livro não é como aquele já publicado há tempos por Jürgen Habermas e Joseph Ratzinger, que depois viria a se tornar o Papa Bento XVI. Era uma conversa em que ambos falavam sobre o mesmo tema, a partir de uma indagação. No livro de Scorsese, o Padre Spadaro, hoje responsável pelo departamento de educação e cultura do Vaticano, quer que o autor principal seja o cineasta.

            Encontraram-se e conversaram entre 2012 e 2024. Scorsese fala de questões místicas com singeleza. Não sofistica sua fala. Mas é possível constatar que o seu catolicismo está presente em toda a sua obra. A graça divina, por exemplo, está nos filmes “Touro Indomável” e “Táxi Driver”. A imensa generosidade divina permite que todos possam voltar atrás e se arrepender, como ocorre com os assassinos de “Os Bons Companheiros” e “Cassino”.

            Mas o catolicismo está explícito em “Silêncio”, baseado no livro de Shusaku Endo, que contempla a missão católica no Japão e a violência com que foi dizimada no século XVI. Mas ele fez também “A última tentação de Cristo”. Scorsese confessa que pensou em fazer um filme sobre a vida de Cristo na Nova Iorque moderna. Porém, desistiu do projeto depois de assistir “O Evangelho Segundo São Mateus”, em que Pier Paolo Pasolini “fabricou” um Cristo impressionante.

            Para Scorsese, crença e questionamento sobre a fé, ou seja, a descrença, constituem realidades indissolúveis. Ambos ou ambas se retroalimentam. Já a violência, também presente em seus filmes, é o sinal de que os humanos foram dotados de livre arbítrio. É a liberdade de se opor aos desígnios da Providência, que nos quer senhores de nosso destino.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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