A dama está enjaulada. Ela é destaque no mundo criminal, cheia de charme, glamour, elegância e alto poder financeiro. A dama presa não é a número 1, o que implicaria em vínculo afetivo com homem no alto escalão do Executivo.
No caso agora em destaque, os vínculos, aprofundados por quem está acusando criminalmente, teriam uma estreitíssima relação com o topo da organização do crime, mas de outro tipo, alimentado por fortunas em dinheiro, moradia de alto luxo e uma frota impressionante de veículos importados. Ostentação.
O que gira em torno da bela dama também impressiona. Curioso o paralelo com a palavra que não é só substantivo. É um jogo: manda quem pode, obedece quem tem juízo. As regras precisam ser rigorosamente cumpridas. O desafio é entre dois jogadores: mexem peças, num tabuleiro quadrado, com casas alternadas e escuras. Divide-se em dois tipos: brasileiros (64) e internacionais (100). Quem alcançar a linha da casa adversária, conquista a promoção para dama, podendo movimentar-se em várias direções. A vitória caberá a quem capturar as peças do outro, deixando-o imobilizado. O jogo exige do participante doses acentuadas de estratégia, alto nível de paciência, talento habilidoso e capacidade de antecipar-se.
Observe essas regras e compare como crime organizado. As semelhanças em nada são coincidentes. A dama enclausurada atrai desejos antagônicos. O chefe do Ministério Público diz que sua captura possui efeito pedagógico, por desestimular jovens a estudar Direito para servir ao crime. A OAB reage, argumentando que não se pode confundir uma atividade com a outra. Os neófitos imaginam uma luta titânica entre o promotor no processo (que não será o atual, empenhado nas investigações sobre crime organizado) e um novo advogado, contratado a peso de ouro.
A guerra no Oriente Médio não se restringe a preocupação com aumento da gasolina. Alguns preferem buscar políticas de destaque, por vezes extravagantes. Outros querem aparecer ou preferir exibir-se profissionalmente e faturar.
A sociedade espera que essa luta contra o glamour ostentado pela dama possa simbolizar eficácia contra quem exibe, com adeptos, um romantismo à margem da lei. Isso pode exigir, em realistas tempos modernos, que quando se invoque a legítima presunção de inocência, não se esqueça de que existe a presunção de culpa. Não se trata de duelo. É um jogo, não de damas, mas com fatos.
*Jornalista e escritor
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