Em Efésios 6:12, disse Paulo: "porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais", ou seja, a batalha não é contra a carne e o sangue porque transcende a matéria.
Nesse complexo contexto cabe lembrar que o Cristo, como afirmou, não veio para mudar a lei, mas para dar-lhe cumprimento, confirmando sua imutabilidade, e atualizar a moral evangélica ao enfatizar a lei do amor ao próximo como a si mesmo e à vida espiritual, mostrando-nos um Deus amoroso e justo e, por isso, bom, libertando os homens das orientações contraditórias de idolatria, temor e vingança.
Esses conceitos fundamentais universais únicos são o eixo da moral cristã e modificaram os aspectos sociais, culturais, econômicos e, porque não dizer, políticos da humanidade, com uma visão de mundo e interpretação da realidade que nos dá expectativas de liberação mais aprimorada que deveriam ser implementadas como um padrão comportamental.
Além disso, explicita que os benefícios da lei abrangem todos os seres humanos do planeta, porque sua consumação promove a realização da essência espiritual, uma vez que todo ser é objeto da mesma emanação divina.
Foi assim que, ao desfraldar o véu da ignorância dos "doutores da lei", sem qualquer idolatria, Jesus ensinou e exemplificou, por atos e atitudes, um novo sentido às lições divinas, trazendo à humanidade o verdadeiro sentido da lei divina ao demonstrar e praticar a caridade em todos os sentidos.
Cabe lembrar que Jesus é para todos, sendo uma figura central em diversas religiões do mundo, todas criadas pelo homem. No cristianismo é visto como o Filho de Deus e Salvador da humanidade; para o islamismo é um profeta importante; no hinduísmo é visto como um avatar; no budismo é considerado um ser iluminado; mas, em qualquer situação é um exemplo de amor e compaixão.
Mas, após 2024 anos, o ser humano na sua ignorância, insanidade e, porque não dizer – com o perdão da má palavra -, na sua imbecilidade, ainda divide o planeta em raças e religiões para, apoiado em premissas totalmente equivocadas e meramente materialistas, promover a desordem e a guerra que causam tantas angústias e sofrimento.
A escalada da violência, em todos os espectros da sociedade e, sobretudo, a guerra e seus horrores é obra dos homens que buscam um poder que é absolutamente efêmero, ante a temporariedade e finitude da vida material.
A toda evidência, isso comprova que o ser humano ainda não entendeu e nem pratica a lei de Deus e muito menos compreende sua justiça, deixando prevalecer em seus atos e atitudes a predominância da natureza animal sobre a espiritual e o extravasamento das paixões.
É tempo de compreender que a humanidade está sendo convidada para uma grande reflexão sobre o que e quem somos, bem como para se libertar das amarras da ignorância e do mal. É momento de refletirmos sobre as lições já recebidas e de demonstrarmos em atitudes voltadas para a paz, compreensão, fraternidade em todo e qualquer relacionamento que todos, sem qualquer distinção, que todo somos oriundos de uma única inteligência suprema do universo, causa primária de todas as coisas, a qual chamamos de Deus, que é base de tudo e de todas as religião e faz da humanidade uma única grande família.
Como ensinado pelo Irmão ALPE, "... a religião de Jesus é o amor, porque o amor tem a mesma validade tanto na terra como nos mundos superiores, pois ele sintetiza tudo o que almejamos. Ele é uma religião eterna e universal pois não sofre alterações, nem no tempo, nem no espaço. ...". Portanto, compreender a natureza divina de tudo e de todos libertará a humanidade das amarras da ignorância e do mal, a qual com tolerância e respeito às diferenças, consequentemente, abraçará a luz da sabedoria e do bem.
Enfim, como a batalha transcende a matéria, para que haja paz e amor no mundo é preciso que exista paz e amor em cada um de nós!
Paulo Eduardo de Barros Fonseca