No lento processo de transformação espiritual é imprescindível que o indivíduo combata a si mesmo, refreando-se e corrigindo-se pacientemente para que possa se fortalecer. Verdadeiramente, é um árduo labutar em prol da renovação interior, muitas vezes sem se deixar desanimar diante das fraquezas que são inerentes às pessoas. É um constante “Orar e Vigiar”, aliás, consoante reiteradas lições da espiritualidade, pois tudo é ensinamento e, como tal, crescimento.
Havendo certeza disso, no convívio cotidiano e ante alguma decepção ou algo que te chateie, um grande aliado é o silêncio, que se apresenta como a gentileza do perdão que se cala e espera o tempo para construir e manter a paz.
Acerca dessa questão, Emamnuel *i – que significa Deus em mim -, com muito mais propriedade, já ensinou que: “No tumulto das inquietações da Terra, é provável encontres igualmente os desafios que se erigem por testes de compreensão e serenidade, no caminho de tantos companheiros de experiência.
Quanto possível, habitua-se a entesourar paciência, com a qual disporás de suficientes recursos para adquirir forças espirituais de que necessitarás, talvez, para a travessia de grandes provas, sem risco de soçobro nas correntes do desespero.
Provavelmente ainda agora estarás suportando a incompreensão de pessoas queridas, em forma de prevenções e censuras indébitas; entretanto, se o assunto diz respeito unicamente ao teu brio pessoal, cala-te e espera.
Se amigos de ontem transformaram-se em adversários de tuas melhores intenções, tolera as zombarias e remoques de que te vês objeto e de nada te queixes.
Diante de criaturas que te golpeiem conscientemente a vida, impondo-te embaraços e desilusões, desculpa e esquece, renovando os próprios pensamentos na direção dos objetivos superiores que pretendas alcançar.
E ainda mesmo que agressões e ofensas te firam nos recessos da alma, sugerindo-te duros acertos de conta, à face da manifesta injustiça com que te tratem, não passes recibo nas afrontas que te sejam endereçadas e nada reclames em teu favor.
Não piores situações em que alguém te coloque, não te revoltes, nem te lastimes.
Silencia e espera, porque Deus e o Tempo, tudo esclarecem restabelecendo a verdade, e, para que os irmãos enganados ou enrijecidos na ignorância se curem das ilusões e das crueldades a que se entregam, bastar-lhes-á simplesmente viver.”
Como o crescimento moral se expressa nas relações sociais, a arte de conviver – que deve ser exercitada por meio da benevolência para com todos; da indulgência para com os erros alheios e do perdão das ofensas - é essencial para a construção de um mundo feliz.
*i Médium Chico Xavier - Silencia e Espera - Do Livro: Calma
*Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International -
Paulo Eduardo de Barros Fonseca