Aguarde, carregando...

Quinta-feira, 10 de Setembro 2026
Notícias Colunistas

Viramos avestruzes humanos?

Meus amigos gostam mais de você ou do celular

Viramos avestruzes humanos?
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Meus amigos gostam mais de você ou do celular? Essa é uma pergunta que pouca gente faz, mas deveria fazer. Quando estiver com alguém, tente medir quanto tempo demora até que essa pessoa deixe de prestar atenção e você para verificar se chegou alguma mensagem no celular.

Olhar constantemente para o dispositivo móvel tem um lado social e um fisiológico, diz Adam Popescu, do NYT. A cabeça humana média pesa entre 4,5 kg e 5,5 kg e, ao curvar nosso pescoço para escrever uma mensagem de texto ou olhar o Facebook, a atração gravitacional sobre a cabeça e a tensão no pescoço crescem até o equivalente a 27 quilos de pressão. É uma postura que resulta em perda gradual da curva espinhal.

A postura afeta o humor, o comportamento e a memória. Ficar permanentemente encurvado causa depressão. Afeta até mesmo a quantidade de oxigênio que nossos pulmões absorvem.

75% dos americanos acreditam que o uso de smartphones não interfere com a capacidade de prestar atenção. Um terço acredita que usar celulares em situações sociais ajuda a conversação. Mas será que ajuda de fato? Especialistas em etiqueta e cientistas sociais dizem que não.

O comportamento “sempre conectado” afasta da realidade. Além das consequências para a saúde, nossos bons modos também encolhem. Não é educado deixar de prestar atenção na conversa para “conversar” com o mobile.

Isso eu já notara em relação ao telefone. Esse intruso que interrompe o diálogo pessoal para fazer com que nos dediquemos a ele, que está a distância. Mas tudo piorou com os celulares. Eles se incorporaram à nossa rotina. Adultos ficam vidrados e ensinam as crianças por osmose. Estas também acabam viciadas. Os aparelhos móveis são a mãe da cegueira por desatenção, diz Henry Alford, que escreveu “Would it Kill You to Stop Doing That: A Modern Guide to Manners”. É esse o nome que se dá ao estado de esquecimento maníaco que toma conta de alguém que se deixa absorver por uma atividade que exclua tudo mais. A cientista social Sherry Turkle analisou 30 anos de interações familiares em seu livro “Alone Together: Why We Expect More From Technology and Less From Each Other” e constatou que as crianças hoje competem pela atenção dos pais com os aparelhos eletrônicos, o que resulta em uma geração que teme a espontaneidade de um telefonema ou a interação face a face.

“Olhos nos olhos”, hoje, é uma opção. Não é mais a regra da franqueza, sinceridade e verdade nos diálogos. Com isso, os níveis de empatia despencam e o narcisismo escapa ao controle. Há impacto sobre o desenvolvimento emocional, a saúde e a confiança, sempre que abaixamos nossas cabeças como se fôssemos avestruzes humanos.

Não é possível jogar fora o celular. Mas reconhecer o estado de dependência é um bom começo.

A resposta mais simples está na Bíblia: trate os outros como gostaria de ser tratado. De preferência, sem o smartphone frente aos olhos o tempo todo. Tente não ser o primeiro, no grupo, a olhar o celular. Há vida fora da bugiganga eletrônica.

*Dr José Renato Nalini, Desembargador, reitor da Uniregistral, palestrante e conferencista

Veja também

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR