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Terça-feira, 28 de Abril 2026
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SAMPA 470 anos – A Cidade de todos nós

Colunista Paulo Eduardo de Barros Fonseca

SAMPA 470 anos –  A Cidade de todos nós
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Lá se vão 470 anos desde que o padre Manoel da Nobrega, auxiliado pelo noviço José de Anchieta, de apenas 19 anos de idade, reunidos em um paupérrimo casebre de alguns poucos metros quadrados e feito de taipa de pilão que, entre outras coisas, servia de moradia aos jesuítas, colégio e hospital, em 25 de janeiro de 1954, realizaram a primeira missa no local que denominaram de São Paulo, em homenagem à conversão do apóstolo Paulo. 

Aquele minúsculo povoado nascia sob a égide da educação, pois tinha por finalidade a catequização dos índios tupiniquins que viviam na região do planalto de Piratininga, cujo cacique era Tibiriça, e, em razão de seu patrono, para ser um local de todos e para todos, pois que um fator importante de seu ministério apostólico foi levar a boa nova do Evangelho do Cristo aos povos, para todos os povos. 

Por mais de dois séculos aquele povoado permaneceu como uma pequena e pobre vila isolada do centro de gravidade da colônia, mantendo-se por meio de lavouras de subsistência. Mas, após a Independência do Brasil, ocorrida em 1822 as margens do riacho do Ipiranga, em solo paulistano, a cidade de São Paulo recebeu, em 1823, o título de Imperial Cidade, conferido pelo imperador dom Pedro I. 

 A indústria cafeeira do século 19 transformou a cidade em um importante centro econômico que é até hoje. Mas, a partir de 1827, com a instituição dos cursos jurídicos no Convento de São Francisco, que deram origem à Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a cidade tornou-se o núcleo intelectual do Brasil porque ganhou um novo impulso de crescimento com o fluxo de estudantes e professores, graças ao qual, a cidade passou a ser denominada Imperial Cidade e Burgo dos Estudantes de São Paulo de Piratininga.  

Atualmente, a cidade de São Paulo, cujo dístico em latim proclama: non ducor duco, ou seja, não sou conduzido, conduzo, é a maior cidade e centro empresarial, industrial e financeiro do país, concentrando cerca de 10,3% do produto interno bruto nacional e está entre as 10 cidades mais ricas do mundo, bem como é responsável por cerca de 30% da produção científica nacional e o epicentro das artes, cultura e diversidade do Brasil.  

Ainda como um exemplo de liderança, a cidade congrega cerca de 12 milhões de pessoas e sua região metropolitana cerca de 22 milhões de habitantes, sendo uma das aglomerações urbanas mais povoadas do planeta e considerada a cidade brasileira mais influente no cenário global.   

Como já foi dito, “esta São Paulo são tantas Cidades”. Mas, apesar desse estrondoso crescimento e de tantas contradições, a cidade segue na sua missão de romper paradigmas históricos e inspirar, dentre outros exemplos, o universalismo defendido pelo apóstolo Paulo, seu patrono, recebendo e agregando fraternalmente pessoas de todo país e do orbe.   

 O monólogo “São Paulo fim do dia”, de José Domingos e Jair Oliveira talvez traduza um pouco da SAMPA que eu enxergo quando mostra algo da sua gente ao dizer: “São Paulo fim do dia, portas que se fecham, luzes que se acendem, mãos que se despedem, olhares que prometem. Coisas que acontecem porque tem que acontecer. Gente buscando casa, gente buscando gente, gente buscando nada. Vejo cinco continentes pisando a mesma calçada. O aglomerado constante dessa massa que se ajeita faz ainda mais bonita minha cidade gigante…”. 

É por isso que, como Oswald de Andrade, no poema Nossa Cidade, posso afirmar que “Não sei que sentimento é esse que faz com que se amem as pedras das calçadas. São Paulo nada tem fora disso. Só as pedras das calçadas. No entanto, duvido que haja na terra agarramento maior por um trecho de chão do que o que sentimos por nossa cidade”.  

Enfim, essa é um pouco da minha São Paulo ... a cidade de todos nós, que nasceu sob o signo da educação e, sobretudo, da universalidade para unir pessoas sem qualquer tipo de distinção, pouco importando a raça, condição social, crença ou qualquer outro tipo de diferença, sendo, pois, de todos e para todos. 

Parabéns, São Paulo por seus 470 anos! 

Paulo Eduardo de Barros Fonseca  

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