Somos uma democracia. Podemos, como povo, escolher nossos dirigentes e cobrar deles aquilo que queremos na condução do nosso país. Cremos, não haja forma melhor de vermos respeitada a nossa vontade como cidadãos, num Estado politicamente organizado.
Passados pouco mais de trinta anos de uma nova Constituição que, em seu art 1º, define o Brasil como um Estado Democrático de Direito, vê-se com certa frustração que, a despeito de todo ordenamento de funcionamento do sistema representativo de governo, a nossa República continua mergulhada em grandes problemas que vão desde a desigualdade social, a falta de segurança e o pequeno desenvolvimento.
Se nos debruçarmos sobre a relação daqueles a quem foi dado o poder de condução de nossos destinos, nos últimos anos, em todas as esferas, seja no Executivo, Legislativo ou no Judiciário, verificamos um grande número de atores despreparados seja tecnicamente para o desempenho da função, seja pela ausência de uma conduta estritamente ética. Aliás, sem medo de errar, podemos dizer que o difícil é encontrar o oposto.
O problema está do regime de governo? Por que não se escolhe corretamente? Por que faltam os talentos?
Não, jamais podemos pensar que o problema esteja na adoção da democracia. O problema está nos homens que tentam implementá-la. O problema desses homens pode responder as outras duas indagações. Não precisamos de muita reflexão para chegar à conclusão de que esse problema é fruto da pouca educação de nós brasileiros.
Escolhemos mal porque sem a educação que abre a mente para o pensar, a muitos falta o discernimento de qual é o melhor candidato para cuidar dos interesses daquela coletividade. Escolhemos mal pois, sem conhecimento, somos mais facilmente manipulados por aqueles que dominam o discurso da mentira. Escolhemos mal na medida que, sem valores éticos adquiridos na educação, apoiamos candidatos que poderão nos trazer alguma vantagem em detrimento de todos os interesses da coletividade.
Faltam os talentos porque, sem educação, maior é a quantidade de pessoas que não dispõe de qualificação para ocupar os postos de direção, da mesma forma não existe um grande número de pessoas que, pela educação, desenvolveu e pratica valores que resultem em conduta ética exemplar.
O problema está no descuido que tivemos com a educação. O que nos assusta e nos entristece é que esse descaso pode ter sido proposital.
Gen. Diniz
* Um cidadão Brasileiro