Se observarmos as últimas notícias e algumas declarações de autoridades da República, podemos inferir que, por ignorância ou má intenção, usam esse sagrado termo com significado diverso do que ele realmente representa.
Não é preciso ser um luminar para se saber que a democracia é um regime de governo que é exercido pelo povo. Nas democracias indiretas, como a nossa, o povo elege aqueles que o representarão. Enganam-se, no entanto, aqueles que acham que a coisa para por aí. Se os seus representantes não vêm desempenhando da melhor forma o papel para o qual foram eleitos, nada mais democrático que ele, o povo, faça as suas petições e tome as ruas para expressar o seu descontentamento e/ou promova panelaços e carreatas na busca por mudanças.
Apesar de tudo, o entendimento que alguns têm é que, embora seja o elemento central desse regime, o povo não pode confrontar ou desrespeitar os poderes constituídos. E quando se veem no centro de todas as reclamações, esses poderes passam a tratar tais manifestações como antidemocráticas ou até criminosas. Fazem isso como se fossem os ungidos que verdadeiramente encarnam o ideal democrático.
Não meus senhores, vocês são apenas instrumentos do regime que, até onde sabemos, deve ser de total controle do povo. Poder Executivo, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal, os senhores têm um único patrão que é o povo e é a ele que os senhores devem prestar contas.
O presidente da República deve saber que governa para toda uma nação e não apenas para uma pequena parcela de seguidores fanáticos a quem pode impressionar com suas performances midiáticas e que nem sempre são a melhor conduta para um presidente em momentos de crise.
O nosso Congresso Nacional deve despertar para o atendimento das aspirações de seu povo, que refuta a corrupção, anseia pela melhoria da economia e clama por mais segurança, o que não pode ser atendido com a sua antiga e costumeira postura de toma lá da cá. A chantagem que praticam com o Poder Executivo só tem um prejudicado: o povo.
O nosso Supremo Tribunal Federal por sua vez, é um capítulo à parte. Do povo nada sabem e nada querem saber. Os grandes responsáveis pela aplicação das leis no país e guardiões de nossa Constituição, a usam para, de acordo com sua interpretação, favorecer os apadrinhados e distribuir Habeas Corpus a criminosos confessos. Nos últimos tempos de polarização política, eles não ficaram de fora e demonstram abertamente as suas preferências. De Poder Judiciário podemos dizer que o "julgar" ficou em segundo plano e hoje só restou a percepção de ser o próprio Poder.
A mídia em geral por sua vez, eivada de progressistas em suas fileiras, vem dar eco aos reclamos daqueles que se acham injustamente atacados pelo povo. Mais que isso sustentam a farsa de manifestações engendradas por opositores do governo e as tratam de democráticas apenas por entoarem o o grito de “democracia”. Como se torcida organizada, central sindical e movimento social todos manipulados por partidos políticos representassem a vontade popular.
A democracia é uma só. Ela não está na Praça dos Três Poderes e nem em ideologias que dominam os pensamentos de alguns, ela está dispersa pelo país, no coração e na vontade de cada brasileiro.
* Um cidadão brasileiro
General Eduardo Diniz