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O monarquismo patriota

Colunista José Renato Nalini

O monarquismo patriota
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Alguns dos brasileiros mais lúcidos e amantes da Pátria brasileira eram monarquistas. Além de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, é de se mencionar Hipólito da Costa, o criador do “Correio Brasiliense”. Este jornal, escrito em português e editado na Inglaterra, foi publicado entre 1808 e 1822 e só deixou de sê-lo porque, a partir da independência, o Brasil passou a contar com a liberdade de imprensa. 
O monarquismo do jornalista estava alicerçado na convicção de que a república só atrairia ambições. E não estava certo?

Citava uma passagem da história inglesa para ilustrar seu pensamento: “Um rei da Inglaterra, Ricardo II, achando-se entre os rebeldes, em uma grande comoção popular em Londres, gritou ao povo, vendo a sua vida em perigo: “Quereis vós matar o vosso rei? Quem então remediará os vossos agravos?”. Esta máxima é aplicável a todos os países, porque destruído o Governo, quem há de remediar os males e os abusos da nação?”. 

Vaticinou corretamente. A história da República tupiniquim é uma série de calamidades em que a política, a arte de governar para o bem do povo, tornou-se profissão. Uma das mais rentáveis. Ela acalenta filhotes como o nepotismo, a corrupção, a deseducação, a destruição ambiental, o aprofundamento do fosso entre carentes e abonados. 

Contrário ao separatismo republicano, que tantos males trouxera à França de 1789, e agitava a América Espanhola, Hipólito da Costa citava a Itália e a Holanda, contaminadas pelo vírus da revolução francesa. Cria ser absurdo supor que as revoluções sejam o meio de melhorar a nação. 

Era ardoroso defensor da grandeza de um Brasil uno e indivisível, comparando-o com o divisionismo na América Espanhola e das vantagens que isso nos trazia. Dizia: “Estas nações naturalmente devem ser republicanas, ao princípio: esta forma de governo por sua natureza é falha na prontidão das medidas executivas; e, quando não fossem outras circunstâncias, bastaria esta para dar a el-rei grande preponderância nos negócios da América em geral”. Para ele, o futuro da monarquia portuguesa estava na América, e não na Europa. O tempo iria comprovar a razão desse monarquista patriota que foi Hipólito da Costa. 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.

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