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O Eu Social da criança, Qualidade de Vida e Segurança

Colunista Coronel PM PAULO AUGUSTO LEITE MOTOOKA

O Eu Social da criança, Qualidade de Vida e Segurança
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De tempos em tempos, surgem na internet jogos que despertam a atenção das crianças e adolescentes. Por vezes, consistem em disputas faseadas, desafios que põem em risco a vida e integridade física e aqueles ainda que vulnerabilizam o equilíbrio da saúde emocional. 
Certa vez, foi motivo de grande veiculação pelas mídias a seguinte manchete: “Menino de 4 anos corta os pulsos por influência da Momo em vídeos e pais fazem alerta”. Para quem não se recorda a boneca Momo incentivava a autoagressão, e resgatava assim idênticos riscos do tão falado jogo da Baleia Azul. Na época, mês de março do ano de 2019, creio que muitos adultos ficaram preocupados, assustados e clamando talvez uma atuação das autoridades policiais. 
Ao ter criança(s) em casa com 8, 10, 12 ou mais de idade e com acesso diário às plataformas de canais ou aplicativos como Youtube, Tik Tok, Whatsapp, Instagram, Facebook, etc., percebo o quanto estas ficam vulneráveis às informações que circulam nas redes. Por esta razão entendo ser pertinente sugerir aos pais uma reflexão quanto à permissão concedida aos filhos para brincarem nos jogos para celular, tablet, ipad, etc. de maneira deliberada, pois o certo é que uma janela para que tragédias ocorram está sendo aberta.
Essa abertura acontece normalmente por desatenção, comodidade ou conveniência dos pais, pois as crianças ficam tão entretidas com os eletrônicos que parecem se acalmarem, com tantos estímulos visuais e sonoros, e assim se isolam do mundo real. Por outro lado, e ao mesmo tempo, sobra um espaço aos pais para relaxar e descansar, além do que podem aproveitar para acessar as curtidas e comentários de suas postagens, e porque não dizer acalmar os sintomas da nomofobia.
Ocorre que o Eu Social da criança, ainda em construção, é tão frágil e sensível quanto o Eu Psicológico, o Eu Biológico e o Eu Espiritual. Parece bem simples entender que a criança não possui uma consciência de mundo, assim como presumimos terem os adultos, por isso não conseguem distinguir a diferença entre segurança e perigo, bondade e maldade, sinceridade e falsidade. Daí porque as malvadezas sociais, envolta e dissimulada pelo lúdico, podem resultar em um final trágico e triste, como já vimos outrora.         
O “Eu” das crianças necessitam de brincar, brincar e brincar, mas também de proximidade, atenção, carinho e afeto dos adultos, pois estes são os alimentos que as fortalecem e protegem dos perigos dos relacionamentos sociais presentes e virtuais. Assim, penso que não há outra opção aos pais senão acolher os pequenos, ouvir suas vivências e sentimentos, e juntos construírem ambientes seguros e protegidos, pois se assim não fizerem outros farão certamente. 
Deixar para depois poderá ser tarde. Sentimento de culpa e arrependimentos não fazem o tempo voltar o momento, é o Aqui e Agora.


Coronel PM PAULO AUGUSTO LEITE MOTOOKA
Comandante da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo
Mestre e Doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública
Bacharel em Psicologia, Direito e Especialista em Direito Ambiental

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