SEMANÁRIO ZONA NORTE - JORNAL DE MAIOR CIRCULAÇÃO NA ZONA NORTE

Movimento contra Cracolândia na Zona Norte reúne centenas de pessoas na Igreja Salette

A iniciativa partiu da Associação dos Amigos do Mirante do Jd. São Paulo e Região em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil

iniciativa partiu da Associação dos Amigos do Mirante do Jardim São Paulo e Região em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Subseção Santana.

A suposta decisão da Prefeitura de São Paulo em transferir o fluxo de usuários de drogas do centro gera muita insegurança para a população, empresários, comerciantes e entidades da região. A ocasião também foi marcada por desavenças como o caso do  chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Desenvolvimento de Assistência Social, José Antonio de Almeida Castro, que saiu escoltado devido às vaias da comunidade.

Cerca de 280 pessoas, entre empresários, entidades, lideranças regionais, imprensa e a população, participaram na quinta-feira, dia 25 de outubro, no salão da Igreja Salette, do movimento contra a transferência dos  usuários e dependentes químicos de crack do bairro da Luz, conhecida como “Cracolândia”, para a região da Zona Norte.

A iniciativa de reunir a população e entidades locais partiu da Associação dos Amigos do Mirante do Jardim São Paulo e Região em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Subseção Santana.

A suposta decisão da Prefeitura de São Paulo em tentar tirar o fluxo de usuários de drogas do centro gera muita insegurança. A possibilidade de mudança e a  falta de transparência nas ações têm sido criticadas pela sociedade. A princípio o local escolhido é a  Rua Porto Seguro, ao lado do Santuário das Almas, e há poucos metros do Terminal Rodoviário do Tietê e da Estação Armênia do Metrô.  Ali próximo também funciona a sede do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (SINPEEM); da Escola Técnica Federal; do Colégio da Policia Militar; do Parque da Juventude;  da  Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas (APCD);  do Shopping Center Norte; do Lar Center, do Novotel; do ExpoCenterNorte; da Universidade Sant´Anna; do Hotel Ibis e do Shopping D.

As novas tendas que estão sendo construídas faz parte do programa “Atende” da Prefeitura, cujo  objetivo é  aumentar a capacidade de atendimento aos usuários de droga.  No entanto, a comunidade local e as entidades temem que o espaço se torne uma nova Cracolândia.

Abaixo depoimentos de entidades e lideranças da região sobre o assunto.

Para Alba Medardoni, presidente da Associação dos Amigos do Mirante do Jardim São Paulo e Região, o movimento surgiu a partir do momento em que tomei conhecimento de que a Cracolândia viria para a Zona Norte. A decisão de transferir a Cracolância para a região aconteceu de uma hora para a outra, a Prefeitura não nos avisou da decisão. É um assunto muito delicado que mexe com nossa segurança. Infelizmente, o prefeito Bruno Covas não comunicou a população. Conforme esta notícia, resolvi fazer um grande movimento na região convidando várias entidades a participarem, como Consegs, Associação Comercial de São Paulo, Ordem dos Advogados do Brasil entre outras.  Hoje pela manhã participei junto com outras entidades,  lideranças regionais, empresários, lojistas,  de um protesto na Avenida Cruzeiro do Sul.  Nós não temos direito a nada, a Zona Norte não recebe nenhum investimento, os políticos  aparecem aqui na região apenas em época de eleição para pedir votos e fazendo promessas. Criei este movimento, pois me senti na obrigação como associação de bairro lutar por melhorias e pela população.  Elaborei um ofício de repúdio porque acho que devemos cobrar, assim como pagamos nossos impostos. Nós não temos segurança, e somos reféns de nós mesmos e presos nas nossas próprias casas. Eu acho que o momento é agora. O prefeito Covas começou com essa ideia porque queria revitalizar o centro, hoje existe na região uma especulação imobiliária. Eu quero deixar claro que não sou contra os usuários de drogas, fico indignada com a atitude do prefeito Covas em  transferir o problema para outro lugar.  A Prefeitura possui locais maravilhosos na cidade de São Paulo, prédios e casas desocupadas e quem têm mais condições de recebê-los. Agora, eles são colocados em contêineres fechados à mercê do frio e calor. Os usuários não são prisioneiros, eles merecem um tratamento digno. Um prefeito joga para o outro e não existe tratamento para estes usuários. O terreno está instalado  próximo da Escola Técnica Federal,  do Colégio da Policia Militar, do Santuário das Almas, da Universidade Sant´Anna, do Terminal Rodoviário do Tietê e da Estação Armênia do metrô e  por ali passam milhares de pessoas diariamente.

O nosso movimento tem o objetivo de não trazer a Cracolância para a Zona Norte e lutar para que os usuários tenham tratamento digno e permanente  com médicos, psicólogos e assistentes sociais diariamente.

Outra preocupação que temos é com  a segurança, pois aumentaria o número de roubos e furtos na região, junto com os usuários virão os traficantes.  Eu repudio totalmente a vinda da Cracolândia para a Zona Norte. Torço para um lugar mais adequado para esses usuários, eles precisam de um aprendizado educacional, eles necessitam de atividades que agreguem no seu dia a dia, como música e artes”.

Alba falou ainda da sua parceria com a  Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subseção Santana.  “A OAB Santana também tomou conhecimento desta decisão da Prefeitura, ligou para a associação e desde então a OAB é nossa parceira. A entidade também nos apoia na questão jurídica, em seguida outras entidades aderiram ao movimento. Todos estão com o mesmo pensamento, a comunidade da Zona Norte cansou de tanto desmando e falta de comunicação. Está na hora de mostrar que a sociedade tem força, pagamos nossos impostos e temos o dever de cobrar. A união faz a força”, concluiu.

Cláudio Moreira do Nascimento,  presidente da  Subseção Santana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) disse que o movimento surgiu a partir  das informações na imprensa . Assim que surgiu a possibilidade da vinda da Cracolândia para a Zona Norte,  imediatamente entrei em contato com a Alba Medardoni, presidente da Associação dos Amigos do Mirante do Jardim São Paulo e Região. A partir daí, resolvemos marcar essa reunião com a população e todas as entidades da região.  Nós sabemos do tratamento que vem sendo feito na Zona Norte envolvendo as autoridades públicas. Essa situação de gestão precisa ser resolvida e sabemos que nada foi resolvido. Até agora, eles conseguiram apenas espalhar a Cracolândia  por diversas regiões da cidade. Desconfia-se que haja uma especulação imobiliária, precisamos apurar  essas coisas. A população deve ser ouvida. Esses usuários merecem ter um tratamento digno. Esses dias eu vi pessoas do poder público anunciando que a questão da Cracolândia teria sido resolvida. Eu fui pessoalmente  e observei que as pessoas são tratadas de forma desumana.

Claudio também destacou a questão da segurança pública na região. “ Nós sabemos que essas pessoas são dependentes, possuem um vício descontrolado e que elas são capazes de qualquer coisa. Isso será ruim para as polícias e a todos os comerciantes da região. Nós não podemos permitir que isso aconteça, somos contribuintes e devemos ser ouvidos pelas autoridades”. 

O advogado acredita que os usuários de drogas merecem um tratamento mais digno. “Eles devem ser tratados como ser humanos que necessitam efetivamente de um atendimento mais  específico e melhor elaborado, não basta jogar água em cima deles e tratar de qualquer jeito”.

O presidente da subseção Santana da OAB ainda afirmou que a entidade não  entrou com nenhuma medida judicial contra a Prefeitura .”Nós ainda não entramos com  nenhuma medida judicial, estamos estudando as viabilidades, queremos conversar com a autoridade pública e saber o que realmente está acontecendo. A reunião de hoje será suficiente para que eles nos escutem porque até agora a população e as entidades da região não foram ouvidas. Precisamos saber o que o realmente o poder público pretende, baseado nisso iremos discutir uma forma mais apropriada e quais medidas serão tomadas”.  

Presente na reunião, o diretor do Conseg Vila Maria e da Associação Amigos do Parque do Trote, Beto Freire, destacou  a importância do movimento. “Esse movimento é totalmente popular, apartidário, não nenhum negócio eleitoral, é um momento onde os governos e os candidatos estão olhando para a sociedade. Sabemos que as construtoras têm seus interesses, mas a população também tem os seus. Da mesma forma que o interesse deles é válido de revitalizar a região do centro, a comunidade tem direito de reivindicar sua qualidade de vida. Esse movimento busca preservar a pouca qualidade de vida que a região tem”. 

Beto disse dos riscos enfrentados pela população caso a Cracolândia for transferida para a Zona Norte. “O maior risco é tornar o entorno do Terminal do Tietê igual à Cracolândia, o usuário  consegue comprar a droga através de furtos. Eu acho que tanto a Prefeitura como governo do Estado deviam criar uma lei que penalizasse de forma maior quem consome o crack.   Aí é possível fazer uma internação compulsória do usuário, ou seja, dar a ele opções de fazer um curso. O caminho que a Prefeitura está buscando não é ideal. Eu acho que eles não devem ficar à mercê do tráfico e sim ter um tratamento mais digno e transformá-lo novamente em um cidadão longe da droga e do tráfico. Com isso, além de resgatá-lo da droga, deixa ele longe daquele mundo perverso que é a Cracolândia”.

De acordo com o  vereador Cláudio Fonseca, a unidade do ‘Atende’ na Zona Norte traria um impacto negativo à região.

“Além de ser vereador eu tenho a sede do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (SINPEEM) na região, isso traria um impacto negativo. Eu tomei conhecimento através da imprensa, não foi feito nenhum comunicado para a Câmara Municipal de São Paulo desta pretensão. O impacto é grande porque o terreno está situado numa via de acesso ao Mercado Cantareira, à antiga zona cerealista de São Paulo, à Rua 25 de Março, à Feirinha da Madrugada e a Rua Oriente, pois junto com os usuários virão também os traficantes. Aquela região já possui uma série de problemas de infraestrutura, uma quantidade enorme de moradores de rua. Ali não é o local adequado”.

Para o vereador a tal decisão da Prefeitura também acarretaria a falta de segurança. “Com certeza haverá ocorrência de furtos e agressões, temos como referência o que acontece na Cracolândia no centro da cidade. Com isso haverá confronto com a policia e o aumento da criminalidade. Acho muito positivo este movimento que está sendo realizado pela população”. 

Comércio

Para o coordenador das distritais da Associação Comercial de São Paulo, Daniel Aguilar, “nós temos tido uma peculariedade aqui na Zona Norte que é receber os presentes que a cidade de São Paulo não quer. A nossa região é esquecida por todos os órgãos públicos, e quando tem alguma coisa que a cidade não quer a Zona Norte acaba sendo presenteada. O comércio de Santana está muito próximo desta localidade do terreno da Cracolândia, além dos próprios cruzamentos entre as principais vias e a Marginal do Tietê.   Infelizmente esses usuários operam habitualmente de uma maneira a inibir as pessoas.  A nossa instituição  é contra esta decisão da Prefeitura . Minha sugestão é utilizar a região do Parque Dom Pedro, local  que poderia servir para esta população e não prejudicaria o entorno. O Parque Dom Pedro está abandonado, situação totalmente sem utilização.  Nós já recebemos situações semelhantes a essa como o caso do albergue na Av. Zakii Narchi. Além desse presente que tivemos, temos este da Cracolândia. Essa decisão da Prefeitura tirará a tranquilidade dos comerciantes e da população”

Posição da Prefeitura

Representando a Prefeitura de São Paulo, Milton Flávio  M. Lautenschlager, secretário especial de Relações Sociais garantiu  ao público presente de que não há nenhuma possibilidade de transferir a Cracolândia para a Zona Norte. 

“A primeira coisa a ser esclarecida é de que não há nenhuma possibilidade de transferir a Cracolândia para a Zona Norte.  A Cracolândia é um legado, os usuários escolhem onde querem ficar. Se pudéssemos transferiríamos a   Cracolândia para outro Estado. O que a Prefeitura está discutindo é  a transferência de uma das unidades do ‘Atende’ no centro. Não há nenhum estudo  e nenhuma previsão em trazer para cá a Cracolândia. A segunda questão que a Prefeitura está discutindo é saber o que fazer com o tratamento aos  usuários de drogas. Sabemos que apenas oferecer a desintoxicação e a internação por tempo prolongado  é insuficiente . É preciso dar a eles um treinamento e uma qualificação que lhes permitam serem inseridos na sociedade.  Isso é uma outra questão que estamos tratando, existe a possibilidade de criar oficinas cujo objetivo é integrá-los novamente à sociedade. A ideia é criar mecanismo para que esse indivíduo regresse à comunidade. O nosso grande problema é devolver o terreno, a cidade não pode prescindir deste contexto e precisamos colocá-los em algum lugar. Não há nenhum  projeto acabado, talvez essa reunião seja o início de conversas que nos permitam junto com a sociedade encontrar soluções para continuar atendendo as pessoas de maneira adequada e aprimorar o atendimento a esses usuários. Há muito o que fazer na região, investigar é um trabalho nosso. É preciso realizar obras compensatórias.

Segundo o secretário, o programa ‘Atende’ da Prefeitura já beneficiou centenas de pessoas. “Cerca de 1 milhão e 300 mil atendimentos. Mas o grande problema é saber quais deles não voltaram para as ruas.  Por exemplo, vejo a mesma dificuldade com os presidiários, não adianta treiná-los no presídio se depois  não tem ninguém  para acolhê-los, com certeza ele voltará para o crime. Então, precisamos superar essa fase, a socialização é muito importante. A família tem que estar preparada para recebê-lo de volta e a sociedade precisa   acolhê-lo. A mesma coisa acontece com o dependente químico. O problema não vai acabar, mas temos que amenizar. A nossa intenção é compartilhar as decisões com a população”.

Para o diretor do jornal Semanário da Zona Norte, João Carlos Dias,  um dos apoiadores do movimento, há um grande desrespeito com a Zona Norte.

“Primeiramente quero parabenizar a Alba Medardoni, presidente da Associação dos Amigos do Mirante do Jardim São Paulo e Região e também quem a apoia, como   a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) -Subseção Santana através do presidente Claudio Moreira do Nascimento e a  outras entidades e organizações por esta iniciativa em lutar por uma Zona Norte mais limpa, descente, ordera, justa e respeitada. Peço que não se traga a Cracolândia  para cá porque além de ser um desrespeito, é uma imoralidade com a nossa região. Temos que frisar aqui algumas  coisas que aconteceram ao longo do tempo, que ficaram na mente da comunidade da Zona Norte e das autoridades que hoje administram o poder municipal. A história começou na gestão do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab quando, ao lado do Iprem, na Av. Zaki Narchi, havia um galpão desativado.  Nós lutamos muito durante meses porque eles queriam trazer o entroposto da Ceagesp para nossa região, na época o assunto foi parar nas mãos do secretário  das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, pessoa extraordinária com uma visão maiúscula. Ele nos chamou para conversar e saber o que estava acontecendo, pois muitas coisas Andrea não sabia. Ali ficou decidido que o projeto seria paralisado. Então, num jantar entre eu, os vereadores Kamia e Police Neto, que se interessava em ser o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, assumiram um compromisso conosco em trazer a Defesa Civil para ocupar este espaço, pois o órgão não tinha nenhum outro local.  Mudou-se o governo, veio o então prefeito Fernando Haddad e a secretária de Assistência Social, Luciana Temer.  Durante uma reunião, depois de muito tempo de briga, ela acabou confessando que por brincadeira trouxe 42 pessoas moradoras rua para dentro desta grande área ao lado da Defesa Civil.  Essa brincadeira ficou séria, tiraram a Defesa Civil e instalaram um albergue que hoje possui 920 pessoas transitando ali dentro. Temos ainda do outro lado da rua o Cingapura onde sabemos que existe uma parte influente no tráfico de drogas.   Em seguida outra brincadeira de mau gosto, o então secretário de Esportes, o  vereador Celso Jatene selou uma parceria com o prefeito Haddad. Ali  construíram oito galpões para a instalação  de alegorias das escolas de samba do grupo de Acesso. Veja o problema que teremos quando estes galpões estiverem funcionando, como o trânsito, o tráfico de drogas, a orgia, insegurança e a prostituição. Não bastasse isso, esse ano o processo do ex-prefeito João Doria e na sequência do prefeito Bruno Covas, a instalação do Centro de Reabilitação em frente ao Deic. Essa região está com muitos problemas  que cria uma total insegurança para a nossa comunidade, comerciantes e empresários, e a Segurança Pública não consegue dar estrutura para tudo isso.  A Polícia Militar até tem tentado, mas as pessoas acabam ficando com receio de fazer boletim de ocorrência. Agora querem trazer a Cracolândia para frente do Shopping D. Com certeza será uma situação insuportável, de tráfico de drogas, prostituição, furto, roubo, homicídio.  Com isso nós não teremos qualidade de vida. É lamentável que isso ocorra.  Reitero os parabéns a esse movimento idealizado pela Alba Medardoni junto com a OAB e outras entidades. É triste saber que durante a reunião realizada na quinta-feira, dia 25 de outubro, tenham vindo representantes da Prefeitura,  como o  secretário especial de Relações Sociais, Milton Flávio  M. Lautenschlager e o  chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Desenvolvimento de Assistência Social, José Antonio de Almeida Castro, que pouco esclarecerem sobre o assunto. Havia várias perguntas  a serem respondidas, porém o chefe de gabinete José Antonio disse que  tinha compromisso pré-assumido e resolveu ir embora, teve que ser escoltado pela Polícia Militar devido às vaias. Felicito a Alba, a OAB,  a Associação Comercial de São Paulo, o Diário da Zona Norte e o jornal Semanário da Zona Norte, que comprou esta briga. É muito importante que isso não pare, não podemos deixar que isso ocorra, é um total desrespeito.  A população deve cobrar os políticos, principalmente os vereadores da cidade de São Paulo, para que eles levantem o acento da sua cadeira  e venham conversar com a comunidade e as autoridades. Aonde há faísca com certeza há fogo.  Não podemos esquecer dos momentos dramáticos da moradora Noemi Silveira, que morou na região da Cracolândia. Segundo Noemi, ela tinha que pedir escolta policial toda vez que saía de casa. É lamentável que isso ocorra, vamos lutar. A Zona Norte não merece ser desrespeitada dessa forma pelo poder municipal”.

  • Compartilhe
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Google Plus
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no WhatsApp

Movimento contra Cracolândia na Zona Norte reúne centenas de pessoas na Igreja Salette

iniciativa partiu da Associação dos Amigos do Mirante do Jardim São Paulo e Região em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Subseção Santana.

A suposta decisão da Prefeitura de São Paulo em transferir o fluxo de usuários de drogas do centro gera muita insegurança para a população, empresários, comerciantes e entidades da região. A ocasião também foi marcada por desavenças como o caso do  chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Desenvolvimento de Assistência Social, José Antonio de Almeida Castro, que saiu escoltado devido às vaias da comunidade.

Cerca de 280 pessoas, entre empresários, entidades, lideranças regionais, imprensa e a população, participaram na quinta-feira, dia 25 de outubro, no salão da Igreja Salette, do movimento contra a transferência dos  usuários e dependentes químicos de crack do bairro da Luz, conhecida como “Cracolândia”, para a região da Zona Norte.

A iniciativa de reunir a população e entidades locais partiu da Associação dos Amigos do Mirante do Jardim São Paulo e Região em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Subseção Santana.

A suposta decisão da Prefeitura de São Paulo em tentar tirar o fluxo de usuários de drogas do centro gera muita insegurança. A possibilidade de mudança e a  falta de transparência nas ações têm sido criticadas pela sociedade. A princípio o local escolhido é a  Rua Porto Seguro, ao lado do Santuário das Almas, e há poucos metros do Terminal Rodoviário do Tietê e da Estação Armênia do Metrô.  Ali próximo também funciona a sede do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (SINPEEM); da Escola Técnica Federal; do Colégio da Policia Militar; do Parque da Juventude;  da  Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas (APCD);  do Shopping Center Norte; do Lar Center, do Novotel; do ExpoCenterNorte; da Universidade Sant´Anna; do Hotel Ibis e do Shopping D.

As novas tendas que estão sendo construídas faz parte do programa “Atende” da Prefeitura, cujo  objetivo é  aumentar a capacidade de atendimento aos usuários de droga.  No entanto, a comunidade local e as entidades temem que o espaço se torne uma nova Cracolândia.

Abaixo depoimentos de entidades e lideranças da região sobre o assunto.

Para Alba Medardoni, presidente da Associação dos Amigos do Mirante do Jardim São Paulo e Região, o movimento surgiu a partir do momento em que tomei conhecimento de que a Cracolândia viria para a Zona Norte. A decisão de transferir a Cracolância para a região aconteceu de uma hora para a outra, a Prefeitura não nos avisou da decisão. É um assunto muito delicado que mexe com nossa segurança. Infelizmente, o prefeito Bruno Covas não comunicou a população. Conforme esta notícia, resolvi fazer um grande movimento na região convidando várias entidades a participarem, como Consegs, Associação Comercial de São Paulo, Ordem dos Advogados do Brasil entre outras.  Hoje pela manhã participei junto com outras entidades,  lideranças regionais, empresários, lojistas,  de um protesto na Avenida Cruzeiro do Sul.  Nós não temos direito a nada, a Zona Norte não recebe nenhum investimento, os políticos  aparecem aqui na região apenas em época de eleição para pedir votos e fazendo promessas. Criei este movimento, pois me senti na obrigação como associação de bairro lutar por melhorias e pela população.  Elaborei um ofício de repúdio porque acho que devemos cobrar, assim como pagamos nossos impostos. Nós não temos segurança, e somos reféns de nós mesmos e presos nas nossas próprias casas. Eu acho que o momento é agora. O prefeito Covas começou com essa ideia porque queria revitalizar o centro, hoje existe na região uma especulação imobiliária. Eu quero deixar claro que não sou contra os usuários de drogas, fico indignada com a atitude do prefeito Covas em  transferir o problema para outro lugar.  A Prefeitura possui locais maravilhosos na cidade de São Paulo, prédios e casas desocupadas e quem têm mais condições de recebê-los. Agora, eles são colocados em contêineres fechados à mercê do frio e calor. Os usuários não são prisioneiros, eles merecem um tratamento digno. Um prefeito joga para o outro e não existe tratamento para estes usuários. O terreno está instalado  próximo da Escola Técnica Federal,  do Colégio da Policia Militar, do Santuário das Almas, da Universidade Sant´Anna, do Terminal Rodoviário do Tietê e da Estação Armênia do metrô e  por ali passam milhares de pessoas diariamente.

O nosso movimento tem o objetivo de não trazer a Cracolância para a Zona Norte e lutar para que os usuários tenham tratamento digno e permanente  com médicos, psicólogos e assistentes sociais diariamente.

Outra preocupação que temos é com  a segurança, pois aumentaria o número de roubos e furtos na região, junto com os usuários virão os traficantes.  Eu repudio totalmente a vinda da Cracolândia para a Zona Norte. Torço para um lugar mais adequado para esses usuários, eles precisam de um aprendizado educacional, eles necessitam de atividades que agreguem no seu dia a dia, como música e artes”.

Alba falou ainda da sua parceria com a  Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subseção Santana.  “A OAB Santana também tomou conhecimento desta decisão da Prefeitura, ligou para a associação e desde então a OAB é nossa parceira. A entidade também nos apoia na questão jurídica, em seguida outras entidades aderiram ao movimento. Todos estão com o mesmo pensamento, a comunidade da Zona Norte cansou de tanto desmando e falta de comunicação. Está na hora de mostrar que a sociedade tem força, pagamos nossos impostos e temos o dever de cobrar. A união faz a força”, concluiu.

Cláudio Moreira do Nascimento,  presidente da  Subseção Santana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) disse que o movimento surgiu a partir  das informações na imprensa . Assim que surgiu a possibilidade da vinda da Cracolândia para a Zona Norte,  imediatamente entrei em contato com a Alba Medardoni, presidente da Associação dos Amigos do Mirante do Jardim São Paulo e Região. A partir daí, resolvemos marcar essa reunião com a população e todas as entidades da região.  Nós sabemos do tratamento que vem sendo feito na Zona Norte envolvendo as autoridades públicas. Essa situação de gestão precisa ser resolvida e sabemos que nada foi resolvido. Até agora, eles conseguiram apenas espalhar a Cracolândia  por diversas regiões da cidade. Desconfia-se que haja uma especulação imobiliária, precisamos apurar  essas coisas. A população deve ser ouvida. Esses usuários merecem ter um tratamento digno. Esses dias eu vi pessoas do poder público anunciando que a questão da Cracolândia teria sido resolvida. Eu fui pessoalmente  e observei que as pessoas são tratadas de forma desumana.

Claudio também destacou a questão da segurança pública na região. “ Nós sabemos que essas pessoas são dependentes, possuem um vício descontrolado e que elas são capazes de qualquer coisa. Isso será ruim para as polícias e a todos os comerciantes da região. Nós não podemos permitir que isso aconteça, somos contribuintes e devemos ser ouvidos pelas autoridades”. 

O advogado acredita que os usuários de drogas merecem um tratamento mais digno. “Eles devem ser tratados como ser humanos que necessitam efetivamente de um atendimento mais  específico e melhor elaborado, não basta jogar água em cima deles e tratar de qualquer jeito”.

O presidente da subseção Santana da OAB ainda afirmou que a entidade não  entrou com nenhuma medida judicial contra a Prefeitura .”Nós ainda não entramos com  nenhuma medida judicial, estamos estudando as viabilidades, queremos conversar com a autoridade pública e saber o que realmente está acontecendo. A reunião de hoje será suficiente para que eles nos escutem porque até agora a população e as entidades da região não foram ouvidas. Precisamos saber o que o realmente o poder público pretende, baseado nisso iremos discutir uma forma mais apropriada e quais medidas serão tomadas”.  

Presente na reunião, o diretor do Conseg Vila Maria e da Associação Amigos do Parque do Trote, Beto Freire, destacou  a importância do movimento. “Esse movimento é totalmente popular, apartidário, não nenhum negócio eleitoral, é um momento onde os governos e os candidatos estão olhando para a sociedade. Sabemos que as construtoras têm seus interesses, mas a população também tem os seus. Da mesma forma que o interesse deles é válido de revitalizar a região do centro, a comunidade tem direito de reivindicar sua qualidade de vida. Esse movimento busca preservar a pouca qualidade de vida que a região tem”. 

Beto disse dos riscos enfrentados pela população caso a Cracolândia for transferida para a Zona Norte. “O maior risco é tornar o entorno do Terminal do Tietê igual à Cracolândia, o usuário  consegue comprar a droga através de furtos. Eu acho que tanto a Prefeitura como governo do Estado deviam criar uma lei que penalizasse de forma maior quem consome o crack.   Aí é possível fazer uma internação compulsória do usuário, ou seja, dar a ele opções de fazer um curso. O caminho que a Prefeitura está buscando não é ideal. Eu acho que eles não devem ficar à mercê do tráfico e sim ter um tratamento mais digno e transformá-lo novamente em um cidadão longe da droga e do tráfico. Com isso, além de resgatá-lo da droga, deixa ele longe daquele mundo perverso que é a Cracolândia”.

De acordo com o  vereador Cláudio Fonseca, a unidade do ‘Atende’ na Zona Norte traria um impacto negativo à região.

“Além de ser vereador eu tenho a sede do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (SINPEEM) na região, isso traria um impacto negativo. Eu tomei conhecimento através da imprensa, não foi feito nenhum comunicado para a Câmara Municipal de São Paulo desta pretensão. O impacto é grande porque o terreno está situado numa via de acesso ao Mercado Cantareira, à antiga zona cerealista de São Paulo, à Rua 25 de Março, à Feirinha da Madrugada e a Rua Oriente, pois junto com os usuários virão também os traficantes. Aquela região já possui uma série de problemas de infraestrutura, uma quantidade enorme de moradores de rua. Ali não é o local adequado”.

Para o vereador a tal decisão da Prefeitura também acarretaria a falta de segurança. “Com certeza haverá ocorrência de furtos e agressões, temos como referência o que acontece na Cracolândia no centro da cidade. Com isso haverá confronto com a policia e o aumento da criminalidade. Acho muito positivo este movimento que está sendo realizado pela população”. 

Comércio

Para o coordenador das distritais da Associação Comercial de São Paulo, Daniel Aguilar, “nós temos tido uma peculariedade aqui na Zona Norte que é receber os presentes que a cidade de São Paulo não quer. A nossa região é esquecida por todos os órgãos públicos, e quando tem alguma coisa que a cidade não quer a Zona Norte acaba sendo presenteada. O comércio de Santana está muito próximo desta localidade do terreno da Cracolândia, além dos próprios cruzamentos entre as principais vias e a Marginal do Tietê.   Infelizmente esses usuários operam habitualmente de uma maneira a inibir as pessoas.  A nossa instituição  é contra esta decisão da Prefeitura . Minha sugestão é utilizar a região do Parque Dom Pedro, local  que poderia servir para esta população e não prejudicaria o entorno. O Parque Dom Pedro está abandonado, situação totalmente sem utilização.  Nós já recebemos situações semelhantes a essa como o caso do albergue na Av. Zakii Narchi. Além desse presente que tivemos, temos este da Cracolândia. Essa decisão da Prefeitura tirará a tranquilidade dos comerciantes e da população”

Posição da Prefeitura

Representando a Prefeitura de São Paulo, Milton Flávio  M. Lautenschlager, secretário especial de Relações Sociais garantiu  ao público presente de que não há nenhuma possibilidade de transferir a Cracolândia para a Zona Norte. 

“A primeira coisa a ser esclarecida é de que não há nenhuma possibilidade de transferir a Cracolândia para a Zona Norte.  A Cracolândia é um legado, os usuários escolhem onde querem ficar. Se pudéssemos transferiríamos a   Cracolândia para outro Estado. O que a Prefeitura está discutindo é  a transferência de uma das unidades do ‘Atende’ no centro. Não há nenhum estudo  e nenhuma previsão em trazer para cá a Cracolândia. A segunda questão que a Prefeitura está discutindo é saber o que fazer com o tratamento aos  usuários de drogas. Sabemos que apenas oferecer a desintoxicação e a internação por tempo prolongado  é insuficiente . É preciso dar a eles um treinamento e uma qualificação que lhes permitam serem inseridos na sociedade.  Isso é uma outra questão que estamos tratando, existe a possibilidade de criar oficinas cujo objetivo é integrá-los novamente à sociedade. A ideia é criar mecanismo para que esse indivíduo regresse à comunidade. O nosso grande problema é devolver o terreno, a cidade não pode prescindir deste contexto e precisamos colocá-los em algum lugar. Não há nenhum  projeto acabado, talvez essa reunião seja o início de conversas que nos permitam junto com a sociedade encontrar soluções para continuar atendendo as pessoas de maneira adequada e aprimorar o atendimento a esses usuários. Há muito o que fazer na região, investigar é um trabalho nosso. É preciso realizar obras compensatórias.

Segundo o secretário, o programa ‘Atende’ da Prefeitura já beneficiou centenas de pessoas. “Cerca de 1 milhão e 300 mil atendimentos. Mas o grande problema é saber quais deles não voltaram para as ruas.  Por exemplo, vejo a mesma dificuldade com os presidiários, não adianta treiná-los no presídio se depois  não tem ninguém  para acolhê-los, com certeza ele voltará para o crime. Então, precisamos superar essa fase, a socialização é muito importante. A família tem que estar preparada para recebê-lo de volta e a sociedade precisa   acolhê-lo. A mesma coisa acontece com o dependente químico. O problema não vai acabar, mas temos que amenizar. A nossa intenção é compartilhar as decisões com a população”.

Para o diretor do jornal Semanário da Zona Norte, João Carlos Dias,  um dos apoiadores do movimento, há um grande desrespeito com a Zona Norte.

“Primeiramente quero parabenizar a Alba Medardoni, presidente da Associação dos Amigos do Mirante do Jardim São Paulo e Região e também quem a apoia, como   a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) -Subseção Santana através do presidente Claudio Moreira do Nascimento e a  outras entidades e organizações por esta iniciativa em lutar por uma Zona Norte mais limpa, descente, ordera, justa e respeitada. Peço que não se traga a Cracolândia  para cá porque além de ser um desrespeito, é uma imoralidade com a nossa região. Temos que frisar aqui algumas  coisas que aconteceram ao longo do tempo, que ficaram na mente da comunidade da Zona Norte e das autoridades que hoje administram o poder municipal. A história começou na gestão do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab quando, ao lado do Iprem, na Av. Zaki Narchi, havia um galpão desativado.  Nós lutamos muito durante meses porque eles queriam trazer o entroposto da Ceagesp para nossa região, na época o assunto foi parar nas mãos do secretário  das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, pessoa extraordinária com uma visão maiúscula. Ele nos chamou para conversar e saber o que estava acontecendo, pois muitas coisas Andrea não sabia. Ali ficou decidido que o projeto seria paralisado. Então, num jantar entre eu, os vereadores Kamia e Police Neto, que se interessava em ser o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, assumiram um compromisso conosco em trazer a Defesa Civil para ocupar este espaço, pois o órgão não tinha nenhum outro local.  Mudou-se o governo, veio o então prefeito Fernando Haddad e a secretária de Assistência Social, Luciana Temer.  Durante uma reunião, depois de muito tempo de briga, ela acabou confessando que por brincadeira trouxe 42 pessoas moradoras rua para dentro desta grande área ao lado da Defesa Civil.  Essa brincadeira ficou séria, tiraram a Defesa Civil e instalaram um albergue que hoje possui 920 pessoas transitando ali dentro. Temos ainda do outro lado da rua o Cingapura onde sabemos que existe uma parte influente no tráfico de drogas.   Em seguida outra brincadeira de mau gosto, o então secretário de Esportes, o  vereador Celso Jatene selou uma parceria com o prefeito Haddad. Ali  construíram oito galpões para a instalação  de alegorias das escolas de samba do grupo de Acesso. Veja o problema que teremos quando estes galpões estiverem funcionando, como o trânsito, o tráfico de drogas, a orgia, insegurança e a prostituição. Não bastasse isso, esse ano o processo do ex-prefeito João Doria e na sequência do prefeito Bruno Covas, a instalação do Centro de Reabilitação em frente ao Deic. Essa região está com muitos problemas  que cria uma total insegurança para a nossa comunidade, comerciantes e empresários, e a Segurança Pública não consegue dar estrutura para tudo isso.  A Polícia Militar até tem tentado, mas as pessoas acabam ficando com receio de fazer boletim de ocorrência. Agora querem trazer a Cracolândia para frente do Shopping D. Com certeza será uma situação insuportável, de tráfico de drogas, prostituição, furto, roubo, homicídio.  Com isso nós não teremos qualidade de vida. É lamentável que isso ocorra.  Reitero os parabéns a esse movimento idealizado pela Alba Medardoni junto com a OAB e outras entidades. É triste saber que durante a reunião realizada na quinta-feira, dia 25 de outubro, tenham vindo representantes da Prefeitura,  como o  secretário especial de Relações Sociais, Milton Flávio  M. Lautenschlager e o  chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Desenvolvimento de Assistência Social, José Antonio de Almeida Castro, que pouco esclarecerem sobre o assunto. Havia várias perguntas  a serem respondidas, porém o chefe de gabinete José Antonio disse que  tinha compromisso pré-assumido e resolveu ir embora, teve que ser escoltado pela Polícia Militar devido às vaias. Felicito a Alba, a OAB,  a Associação Comercial de São Paulo, o Diário da Zona Norte e o jornal Semanário da Zona Norte, que comprou esta briga. É muito importante que isso não pare, não podemos deixar que isso ocorra, é um total desrespeito.  A população deve cobrar os políticos, principalmente os vereadores da cidade de São Paulo, para que eles levantem o acento da sua cadeira  e venham conversar com a comunidade e as autoridades. Aonde há faísca com certeza há fogo.  Não podemos esquecer dos momentos dramáticos da moradora Noemi Silveira, que morou na região da Cracolândia. Segundo Noemi, ela tinha que pedir escolta policial toda vez que saía de casa. É lamentável que isso ocorra, vamos lutar. A Zona Norte não merece ser desrespeitada dessa forma pelo poder municipal”.

Publicidade