“Matrimônio é um vínculo estabelecido entre duas pessoas, mediante o reconhecimento governamental, cultural, religioso ou social e que pressupõe uma relação interpessoal de intimidade, cuja representação arquetípica é a coabitação, embora possa ser visto como um contrato. Normalmente é marcado por um ato solene.”
A palavra matrimônio, do latim matrimonium, tem origem em mater, matris, que significa mãe. O sentido subjacente é que, por meio dessa união, a maternidade se manifesta, trazendo à vida novas vidas, na bênção dos filhos...
Entretanto, se como expressa a definição acima, matrimônio é um “vínculo estabelecido entre duas pessoas”, cuja “representação arquetípica é a coabitação”, uma vez desfeita esta, desfaz-se também o vínculo. A separação significa que resolveram pôr fim ao vínculo que unia o casal: desfeito o matrimônio, cada um vai cuidar de sua vida. Em geral, procurar um novo matrimônio, um outro par com quem se consorciar. Simples assim...
Só que não!
Alguns indivíduos – demasiado ignorantes para entender a essência do matrimônio – não admitem que aquela que tomaram por esposa, e que juraram amar e respeitar, é uma pessoa com direito de exercer sua vontade e sua liberdade. E se sua vontade é a de não permanecer em uma união conjugal que não lhe convém ou agrada mais, tem a liberdade de rompê-la. Certo?
Não!
Os imbecis não aceitam isso. Estas são suas frases mais recorrentes: “Ela é minha!” e, pior ainda: “Se não for minha, não será de mais ninguém”! Confundem matrimônio com...
“Patrimônio: bens, direitos e obrigações de valor econômico e pertencentes a uma pessoa ou empresa.”
A palavra patrimônio origina-se do termo latino pater, patris, que significa pai, e do grego nomos, que tem o sentido de “recebido”. Reporta-se ao conjunto de bens que pertenciam, na tradição romana, ao pater familias, isto é, ao chefe do aglomerado familiar, que podia dispor de tudo e de todos a seu bel prazer. Sua autoridade era indiscutível e soberana: todos lhe obedeciam.
Em nossos dias, os idiotas de plantão sentem-se “donos” das pessoas à sua volta. De modo particular, a esposa ou companheira, que se incorporaria permanentemente ao seu patrimônio!
Qualquer tentativa de deixá-lo, é punida com a morte, no que se denomina hoje “feminicídio”!
O mais grave é que essa conduta bestial tem crescido. Só na Grande São Paulo, de janeiro a outubro deste ano, 44 mulheres foram assassinadas por seus namorados, maridos ou companheiros! Isso no Estado pioneiro no combate a tal monstruosidade: temos 133 Delegacias de Defesa da Mulher!
É desalentador pensar que aquele que jurou “amar até à morte”, seja, ele próprio, o autor da morte!
J.B. Oliveira - * Consultor, comunicador, jornalista, palestrante e-mail: jboliveira@jbo.com.br