O jornal Semanário da Zona Norte promoveu na quarta-feira, dia 26 de julho, no Novotel Center Norte, um jantar em homenagem ao cel PM Leandro Carlos Navarro, comandante do CPA – M3, do inspetor superintendente da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, José Aparecido Cesar Filho, comandante Operacional Norte e do delegado titular da Seccional da Polícia Civil, Ronaldo Tossunian.
O evento contou com a presença de convidados, autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e das Forças Armadas, além de empresários.
A iniciativa do diretor do jornal Semanário da Zona Norte João Carlos Dias, foi elogiado por todos os convidados e autoridades que comentaram sobre a importância deste tipo de evento para a sociedade.
Para o vereador Coronel Salles o evento promovido pelo jornal Semanário da Zona Norte é um dos mais significativos da cidade de São Paulo. “É uma alegria poder estar aqui porque o jornal Semanário da Zona Norte tem essa vocação de reunir pessoas. E o João Carlos Dias, meu estimado amigo, e vocês da equipe são professores nisso em juntar pessoas com espírito público. Essa ação encurta caminhos, pois aqui conseguimos conversar com os subprefeitos, delegados, coronéis e generais. O papel do Semanário da Zona Norte é fundamental e pedagógico para toda cidade de São Paulo”.
Para Paulo Eduardo Fonseca, coordenador Regional da Fundação Rotária do Brasil “mais uma vez o Semanário da Zona Norte reconhece a importância do serviço público sendo que desta vez focado na Segurança Pública. E as pessoas que efetivamente se doam profissionalmente e pessoalmente em prol da sociedade merece muito respeito. O trabalho não é fácil, todos os dias esses profissionais saem as ruas e não há certeza do retorno mas a dedicação é grande”.
Para o desembargador Waldir Sebastião de Nuevo Campos Junior, “é um prazer poder estar aqui para prestigiar este evento tão importante para a Zona Norte de São Paulo. Essa integração é importantíssima para a sociedade e para a Segurança Pública. O evento é uma forma de aproximar as autoridades da comunidade, e ainda, facilitar o diálogo entre as autoridades”.
Já para o procurador de Barueri, Marcos Porto “é muito importante este evento pois aproxima a sociedade das autoridades. Parabenizo todo o trabalho das polícias civil e militar e da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo”.
Segundo a secretária Municipal de Segurança Urbana Elza Paulina de Souza “este tipo de evento é fundamental porque é possível encontrar no mesmo espaço as lideranças do setor de segurança especificamente desta região da Zona Norte, e ainda, fortalecer os laços entre as autoridades. Esse momento é agradável onde as pessoas podem se confraternizar. Isso fortalece o trabalho de cada um dentro da sua função. A Segurança é envolvida de vários formas. Parabéns ao João Carlos Dias, o jornal Semanário da Zona Norte é um instrumento que leva informação de qualidade. Agradecemos por estarmos aqui presentes no evento e pela oportunidade”.
De acordo com o comandante geral da GCM, inspetor superintendente Agapito Marques “agradecemos a oportunidade e as homenagens especialmente hoje que o inspetor superintendente José Aparecido Cesar Filho comandante operacional Norte está sendo homenageado. Agradeço ao João por tudo isso que ele faz pelas instituições de segurança e pela população. Nossa gratidão a ele. E quem ganha sempre é a população através dessas articulações”.
Para o neurocirurgião dr. Marcos Lopes “é uma satisfação estar aqui. Nesses 24 anos de história do jornal Semanário da Zona Norte é a primeira vez que o João Carlos conseguiu concentrar todas as autoridades da região num único evento. E precisamos disso, dessa harmonização. Infelizmente, temos visto muita individualização em relação aos políticos. O Brasil está precisando de algo mais harmônico, o país está muito dividido. É preciso combater o crime através da inteligência e não apenas com armas. Quanto mais inteligência nós usarmos, menos combate a mão armada teremos”.
Já para o chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Sudeste (CMSE) Maurício Vieira Gama, “o João Carlos faz este trabalho importante que agrega e articula as autoridades especialmente aquelas ligadas à Zona Norte. Aqui encontramos sinergia e uma grande oportunidade de rever os amigos e estreitar relações com as instituições. Parabéns por este trabalho de integração entre as autoridades. Com certeza, quem se beneficia é a sociedade”.
Para o Carlos Romagnoli, presidente Sociedade Veteranos de 1932 (MMDC) “o trabalho do João Carlos é de excelência e o jornal tem o objetivo de proporcionar aos cidadãos a oportunidade de conhecer as autoridades pessoalmente. É fundamental que o cidadão tenha conhecimento e contato com os dirigentes e autoridades competentes de cada região. Quanto mais próximos confiarmos nos nossos agentes públicos, mais teremos condições de procurá-los para qualquer entrever que tenhamos em nossas vidas”.
Já para o desembargador Ademir Modesto de Souza “o Semanário da Zona Norte é importante pois promove a congregação da população que reside na região. Encontramos aqui representantes de vários segmentos da sociedade. Essas pessoas conhecem a realidade da região e seus problemas. Isso acaba revertendo em melhorias para a região”.
Para o empresário Guilherme Brito “é uma oportunidade das pessoas estarem reunidas num único local. Parabenizo e agradecer por participar deste grande momento”.
Para o Juiz Presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, cel Orlando Geraldi é uma característica do Semanário prestigiar e principalmente colocar as autoridades que assumem seus cargos na Segurança Pública. Isso é um mérito que o jornal e o Joao têm em reverenciar essas autoridades. O mais importante é que essas instituições trabalham em conjunto em prol da comunidade. Reputo que quem ganha é a população e o povo da Zona Norte”.
Para o empresário David Fernandes “para nós que somos da Zona Norte é gratificante este trabalho do Semanário da Zona Norte. Estamos sempre admirando o trabalho do João Carlos em prol da região. Essa integração que ele faz com todas as polícias é muito importante. Através desse relacionamento conseguimos ter uma conversa e um diálogo muito mais próximo deles e sempre buscando melhorar a qualidade de vida da região. Tenho orgulho de ser convidado mais uma vez pelo jornal. Obrigado.”
Já para o comandante-geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, coronel PM Cássio Araújo de Freitas “essa homenagem é muito importante e gratificante para nós policiais militares. Aproveito para destacar o excelente trabalho do coronel PM Navarro que está levando à Zona Norte para os menores indicadores de criminalidade. É bom para todos os moradores que residem e trabalham aqui. Menos crime nas ruas significa mais trabalho e mais pessoas felizes. Tenho certeza que estamos trabalhando neste sentido. Parabéns para o Semanário da Zona Norte”.
Para a presidente do Sindicato dos delegados de Polícia de São Paulo, Jacqueline Valadares “o evento de hoje é de suma importância. Eu destaco duas importantes vertentes. A primeira é a extrema relevância de união entre as autoridades de Segurança Pública. Isso proporciona um intercâmbio de informações e de relacionamentos. E o segunda vertente é a valorização desses profissionais. Sabemos que muitas vezes esses profissionais não são valorizados em termos salariais, mas um evento como este em que o trabalho deles é valorizado isso é extremamente importante. Agradeço por estar aqui e ao João Carlos por este evento que foi feito com muito amor e carinho”.
Presente no evento, a vereadora Eli Teruel destacou a relevância do evento. “o João tem um olhar clínico e ele consegue juntar num único evento tantas pessoas importantes para nossa cidade de São Paulo. Esse contato entre as autoridades é essencial para nossa população e nossa Zona Norte. A gente quando quer fazer a gente faz. Estou muito feliz em participar deste maravilhoso evento. Obrigada”.
Entrevistas
As autoridades homenageadas também concederam com exclusividade uma entrevista ao jornal Semanário da Zona Norte. Confira na íntegra as entrevistas.
Coronel PM Leandro Carlos Navarro – Comandante do CPA – M3
JSZN: Qual a sua formação e como foi seu início e trajetória na Polícia Militar do Estado de São Paulo?
Cel. PM Navarro: Ingressei na Academia de Policia Militar em 15 de janeiro de 1990, sendo declarado Aspirante Oficial em 19 de dezembro de 1994. Durante a carreira trabalhou por 13 anos no comando do policiamento ostensivo territorial do 18º Batalhão (zona norte) e do 27 Batalhão (zona sul) e também desempenhou funções de comandamento especializado no policiamento ambiental por cerca de 16 anos.
Sou Bacharel em Direito pela Universidade Bandeirante de São Paulo, pós graduado em Gestão e Educação Ambiental pela Universidade Federal de São Paulo, mestrado e doutorado em Ciências Policias de Segurança e Ordem Pública pelo Centro de Altos Estudos da Polícia Militar - CAES, além de vários estágios profissionais e cursos de especializações nas áreas de Policiamento Ambiental, Polícia Judiciária Militar, Inteligência Policial de Segurança Pública e Técnicas de Ensino. Possuidor de inúmeras condecorações, dentre elas destaco a Láurea do Mérito Pessoal em 1º Grau, Medalha Valor Militar Prata e a Medalha Cruz de Sangue Bronze (ferido em confronto).
Fui promovido ao último posto do oficialato da Polícia Militar pelo Governador do Estado de São Paulo no dia 7 de fevereiro de 2023, sendo designado para o Comando do Policiamento de Área Metropolitano Norte – CPA/M-3, responsável pelo Policiamento Ostensivo e a Preservação da Ordem Pública em toda a Zona Norte da Capital de São Paulo e que possui cerca de 3.500 policiais militares sob seu Comando.
De origem humilde, me inspirei no meu saudoso pai José Carlos Navarro que ensinou os valores de um verdadeiro chefe de família, da necessidade do esforço e da honra das conquistas pelo trabalho e que sempre apoiou, incentivou e aconselhou na sua carreira militar.Foram muitas ações e intervenções policiais que marcaram e forjaram a experiência e a maturidade profissional do oficial, como por exemplo quando houve policiais feridos no cumprimento do dever, ou então, ações que envolvem crianças como vítimas de delito ou vítimas que necessitaram do socorro da Polícia Militar para salvaguarda de suas vidas.
JSZN: Qual conselho você daria a quem sonha ingressar na carreira de oficial da PMESP?
Cel. PM Navarro: O jovem policial militar que está iniciando sua carreira deve ter em mente sua responsabilidade social com o cidadão de bem e também procurar as boas referências profissionais dos mais antigos para lhe servirem de exemplo de conduta, doutrina e de valores institucionais, pois os jovens policiais representam o presente, mas, principalmente, o futuro da nossa histórica Polícia Militar
JSZN: Como o Sr. vê o crescimento de mulheres na corporação?
Cel. PM Navarro: A profissão policial militar tem sido cada vez mais procurada pelas mulheres, e isso é ótimo para a Instituição e para a sociedade, pois a profissional mulher, por regra, é mais atenta aos detalhes que muitas vezes nós homens deixamos passar, além de possuírem uma percepção diferente de organização, proteção, sem falar na capacidade única de realizarem várias tarefas ao mesmo tempo. A junção profissional de homens e mulheres nas patrulhas da Polícia Militar é a receita ideal para atuação com maior eficácia em razão da diversidade de público e da amplitude das naturezas de ocorrências, as quais necessitam do trabalho forte e perspicaz e da intervenção com precisão da Polícia Militar.
JSZN: E qual foi o seu maior desafio até chegar ao Comando Norte?
Cel. PM Navarro: Estar à frente do Comando Norte é uma benção de Deus, a realização de um sonho, uma grande honra e uma missão desafiadora. O Comando da Instituição tem planos audaciosos para a Zona Norte e não faltará empenho e dedicação em realiza-los, visando principalmente a proteção dos cidadãos de bem da nossa região, a valorização da atividade policial e, por consequência, dos nossos combativos patrulheiros.
JSZN: Quais os principais desafios da Corporação para promover melhorias na prestação de serviço à sociedade?
Cel. PM Navarro: Já está em curso ações para aquisição da área para construção da sede da Companhia de Policiamento de Parada de Taipas e também para aquisição e construção de uma sede de Batalhão para atender o Distrito Anhembi, visando dar suporte adequado ao policiamento ostensivo nos inúmeros eventos que lá acontecem.
Graças ao grande esforço operacional; com ações de presença policial em locais norteados pelos sistemas inteligentes da Polícia Militar e realizando operações para prisões de criminosos, procurados pela justiça e apreensão de armas de fogo ilegais e drogas, os ‘indicadores criminais na Zona Norte estão com forte tendência de queda, principalmente, o homicídio (-11,8%), o roubo veículos (- 16%), o furto de veículos (-8,7%), o estupro (-9,1%) e, ainda, houve redução em 137 casos de roubos diversos a menos nos primeiros 5 meses desse ano, comparado ao mesmo período do ano anterior.
Temos nos Conselhos Comunitários de Segurança, no Programa Vizinha Solidária e no Proerd nossos grandes aliados no combate a criminalidade, pois são instrumentos consolidados de prevenção primária e fonte de informações, além de oportunidades de aproximação com nossa população, principalmente aquela que mais precisa dos serviços da Polícia Militar.
JSZN: Qual a importância das mídias regionais, em especial o jornal Semanário da Zona Norte?
Cel. PM Navarro: A mídia tem um papel democrático fundamental de informar com qualidade e precisão a toda sociedade e o Semanário da ZN executa esse papel aqui na região, e vai além disso, cito exemplo a matéria de “Golpes em condomínios – quais os mais comuns e como evitá-los” que foi publicada na edição nº 1215, matéria que auxilia a segurança pública com orientações de prevenção aos cidadãos da Zona Norte.
Inspetor Superintendente da GCM José Aparecido Cesar Filho – Comandante Operacional Norte
JSZN: Qual a sua formação e como foi seu início e trajetória na Guarda Civil Metropolitana de São Paulo?
Inspetor José Aparecido: Meu início na GCM foi em 1987 onde ingressei como GCM e no decorrer dos meus 35 anos na corporação passando por todas as progressões chegando a Insp. Superintendente último posto da carreta.
JSZN: E qual foi o seu maior desafio até chegar à Guarda Civil Metropolitana de São Paulo?
Inspetor GCM José Aparecido: O meu maior desafio, foi passar no concurso e todas as etapas para ingressar na Academia de Formação.
JSZN: Qual papel da Guarda Civil Metropolitana?
Inspetor GCM José Aparecido: O papel da GCM/SP conforme a Lei 13.22 é trabalhar no policiamento preventivo comunitário e auxiliar na Segurança Publica. Não esquecendo que o nosso maior bem é a vida o munícipe.
JSZN: Quais são as expectativas em assumir a chefia da GCM na Zona Norte?
Inspetor GCM José Aparecido: Nosso objetivo é trabalhar de forma conjunta com outros órgãos da região e sempre atender o munícipe.
JSZN: Quais ações o Sr. Já implantou na sua gestão?
Inspetor GCM José Aparecido: Vários, mas quero destacar o compromisso que passei para todo efetivo subordinado, além de atender bem a população.
JSZN: Há uma proposta de modernização?
Inspetor GCM José Aparecido: Sim. Pretendemos implantar mais equipamentos para assim melhorar o atendimento à comunidade da região.
JSZN: Como o Sr. pretende aprimorar a valorização e a capacitação dos profissionais da região?
Inspetor GCM José Aparecido: O aprimoramento se dá através de cursos de continuidade pela nossa Academia de Formação e reconhecimento dos agentes colaboradores.
JSZN: Quais os principais desafios da Corporação para promover melhorias na prestação de serviço à sociedade?
Inspetor GCM José Aparecido: O principal desafio é criar um elo de confiança do nosso trabalho com a Municipalidade da Região.
JSZN: Como o Sr. analisa o crescimento de mulheres na corporação?
Inspetor GCM José Aparecido: O crescimento de mulheres na nossa corporação é um grande glamour. A mulher pode e deve estar onde ela quiser.
JSZN: Qual a importância das mídias regionais, em especial o jornal Semanário da Zona Norte?
Inspetor GCM José Aparecido: A mídia é de suma importância para divulgar os trabalhos com a máxima transparência. Em especial o jornal Semanário da Zona Norte que vem estreitando os laços dos Órgãos de Segurança, Forças Armadas e iniciativa privada em prol de atender de forma conjunta a população desta grande região Norte. Que Deus nos proteja e nos abençoe para o cumprimento da nossa missão.
Delegado Ronaldo Tossunian – Delegado Titular da Seccional da Polícia Civil
JSZN: Fale um pouco sobre sua carreira profissional e qual foi seu maior trabalho realizado na Polícia Civil?
Delegado Tossunian: Venho de uma família de comerciantes de calçados. Sou descendente de armênios, por parte de meu pai. Os armênios vieram para o Brasil, fato conhecido como diáspora armênia, ocorrido nas primeiras décadas do Séc. XX, em decorrência do genocídio do povo armênio comandado pelo governo da Turquia, à época, nas mãos do Império Turco Otomano, onde 1,5 milhão de armênios foram mortos e milhares conseguiram fugir. Assim, até os meus 26 anos de idade, com muito orgulho, trabalhei no comércio de calçados com meu pai, tios e meus irmãos cuidando dos negócios da família.
Mas o destino me reservava outros desafios. Em 1988, ao terminar o curso de bacharelado em direito pela PUC/SP, no ano subsequente, fui aprovado no exame da OAB/SP, tendo exercido a advocacia em 1989 por um pequeno período. Ainda nesse mesmo ano, no mês de dezembro, com 27 anos de idade, realizei um grande sonho, fui aprovado em concurso público para o ingresso na carreira de delegado de polícia, a qual exerço, desde então, com muita paixão.
Nesses 33 anos de serviço público, tive a honra e oportunidade de trabalhar em importantes Departamentos desta centenária instituição, Polícia Civil do Estado de São Paulo.
Após o término do curso na Academia de Polícia do Estado de SP, localizado na Cidade Universitária, em 1990 , fui designado para o meu primeiro trabalho no Departamento de Polícia Judiciária da Capital – DECAP, à época denominado DEGRAN, como titular de uma equipe de plantão de polícia judiciária no bairro de Santo Amaro - 92º DP – Parque Santo Antônio. O início da carreira, via de regra, é realizado numa unidade territorial, Distrito Policial, em sistema de plantão, caminho normal a ser seguido, até os dias de hoje, por qualquer policial, seja ele delegado ou não, todos começam, necessariamente, no plantão, que é uma verdadeira escola onde de tudo se vê, e o profissional vai aprendendo na prática, sobre a maioria dos crimes que irá enfrentar no decorrer de toda sua jornada na atividade policial. Depois de trabalhar em algumas outras delegacias da região de Santo Amaro fui redesignado para a Assistência Policial da Seccional de Santo Amaro, órgão que coordenava as 13 delegacias lá existentes. Guardo muito carinho com esse momento da minha vida profissional na polícia, pois em 2016, portanto 26 anos depois, retornei para Santo Amaro, onde iniciei a minha carreira, como Delegado Seccional de Polícia.
Tive uma pequena passagem pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito), quando ainda era órgão que pertencia à Polícia Civil, e então fui para o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) de São Paulo, onde trabalhei por cerca de 15 anos em várias Divisões. Estive também no Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico), depois novamente do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), onde fui designado, como disse anteriormente, para assumir a Delegacia Seccional de Santo Amaro. Depois, em nova designação, fui comandar a Delegacia Seccional de São Bernardo do Campo, por onde fiquei por quatro anos, antes de vir para cá, em janeiro de 2023, como Delegado Seccional da Zona Norte.
Quanto ao melhor trabalho realizado é difícil apontar um específico, diante de vários que tive oportunidade de participar, não individualmente, mas fazendo parte de equipes notáveis policiais, como por exemplo no Deic, nos anos de 1995 a 2006. Esse departamento, naquele período, foi responsável por esclarecimentos de diversos crimes que ganharam, à época, repercussão nacional, só para ilustrar, com relação a casos de sequestros esclarecidos, lembro de um em especial, o do publicitário Washington Olivetto, que ficou 53 dias em cativeiro com pedido de resgate de R$ 10 milhões. Já nos crimes de roubos, recordo-me do praticado contra o Banespa (hoje Santander) de R$ 8 milhões de reais, de outra banda, o brilhante trabalho realizado na identificação e envio de toda a cúpula de uma organização criminosa de SP para o presídio de Segurança Máxima de Venceslau, interior de São Paulo . Entretanto, um crime que realmente me marcou, não por ter sido o de maior repercussão, mas por ter ocorrido no início da minha carreira. Ainda sem muita experiência profissional, atendi um crime de estupro ocorrido na região do Parque Santo Antônio, onde toda uma família, uma mãe que morava com suas três filhas, fora feita refém na própria casa, por um criminoso que usava uma máscara de borracha de terror. Ele invadiu aquela residência fazendo uso de uma arma de fogo, subjugou, amarrou e vendou as três mulheres em quartos separados da casa e, depois, estuprou uma delas. Uma vez na delegacia, passei a ouvir minuciosamente o relato de todas, e um pequeno detalhe, fornecido por aquela que tinha sido vítima de estupro, que o criminoso possuía graxa veicular debaixo das unhas das mãos, levou-me , imediatamente, mesmo com uma diminuta equipe de plantão e horário avançado da madrugada, passei a realizar diligências em todas as oficinas e borracharias existentes nas imediações da casa das vítimas. Quase desistindo, depois de vistoriar vários locais, eu e a equipe tivemos sucesso em um deles, um indivíduo nos atendeu e permitiu o ingresso naquela oficina. Depois de vasculhar todos os cantos daquele local, num sótão, sem iluminação e sujo, foi possível encontrar uma máscara, idêntica a descrita pelas vítimas e uma de fogo, ambas debaixo de um travesseiro que estava sob uma cama improvisada. O mecânico foi preso em flagrante. Numa forma de gratidão, durante vários meses, no meu plantão, recebi a visita daquela família.
JSZN: Quais são as principais dificuldades enfrentadas pela Polícia Civil na cidade de São Paulo?
Delegado Tossunian: A Polícia Civil do Estado de SP, nos últimos anos, tem recebido muitos recursos materiais, viaturas, armamentos, drones, coletes, etc, mas o que fez a diferença mesmo foram os investimentos em tecnologia. A Polícia Civil está muito mais tecnológica, não apenas com relação aos sistemas implantados, como por exemplo o Sistema de Polícia Judiciária - SPJ, que reestruturou todo o registro de ocorrências no Estado, o inquérito policial eletrônico - IPE, a Delegacia de Defesa da Mulher On Line, os incrementos de registros pela Delegacia Eletrônica, oitivas de testemunhas, vítimas e indicados realizadas a distância, mas, verdadeiramente, nas ferramentas de inteligência voltadas às investigações. Temos avançado muito nessa área. Os esclarecimentos estão sendo feitos em investigações mais científicas. Temos avançado muito e os investimentos continuam. Nossa carência, hoje, são os recursos humanos, necessidade urgente da contratação de mais policiais de todas as carreiras, delegados de polícia, investigadores, agentes, escrivães, carcereiros, agentes de telecomunicações, papiloscopistas, auxiliares de papiloscopistas e valorização daqueles que estão na ativa, o que tem sido priorizado na atual gestão.
JSZN: Como a população pode ajudar a Polícia Civil ?
Delegado Tossunian: A parceria entre a comunidade e a Polícia Civil é uma ferramenta importante para definir as estratégias de segurança e diminuir a criminalidade?
Segurança pública é um dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, assim dispõe nossa CF no seu art. 144. Vejo nos Conselhos Comunitários de Segurança- CONSEGS o caminho mais efetivo da participação da população nas questões de melhorias na segurança pública em cada região de São Paulo. Mensalmente, o Delegado de Polícia Titular e o Comandante da Polícia Militar de determinada região, juntamente com representantes dos mais variados setores da sociedade realizam reuniões ordinárias para debaterem questões enfrentadas por aquela localidade, as quais podem auxiliar na solução de problemas, não só quanto às questões de policiamento e investigações afetas as duas polícias mas de fatores de outra ordem, como por exemplo, necessidade de asfaltamento e iluminação de vias públicas, poda de árvores, dicas de segurança, monitoramento integrado, campanhas educativas, etc.
JSZN: Como combater a violência nas grandes metrópoles?
Delegado Tossunian: A questão da violência extrapola o tema Segurança Pública. A polícia apenas lida com os efeitos e não com as causas da violência. Estas são questões mais complexas e de variada ordem, entre outras, as sócio-educativas, as econômicas, a desigualdade social, as moradias sem qualquer planejamento ou fiscalização pública, a falha da ressocialização do preso, etc . No que diz respeito às suas atribuições específicas as Polícias Civil e Militar, ambas fazem a sua parte. Isso é fácil de constatar, basta uma simples constatação do número de presos hoje existente no Sistema Penitenciário do Estado de SP, cerca de 210 mil presos. Nenhum estado da federação prende tanto como São Paulo. Tiramos os criminosos de circulação, privando-os de sua liberdade. A questão maior é saber se apenas a prisão resolve o problema da violência. Sabemos que não. A polícia sozinha não resolve e nunca resolverá o problema sozinha. Administramos uma “panela de pressão” para não explodir. Essa conta é de todos nós.
JSZN: Uma mulher é morta a cada nove horas e de acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os casos de feminicídio cresceram nos últimos meses. Como combater este tipo de violência contra a mulher?
Delegado Tossunian: Preliminarmente, ressalto o caráter multidisciplinar do problema da violência doméstica, não sendo apenas uma questão única de segurança pública. Neste combate destaco a importância da conscientização e educação como forma de desconstituir os padrões de violência, infelizmente ainda enraizados em nossa sociedade patriarcal. É imperioso fortalecer a rede de apoio como um todo, amparando as vítimas e seus familiares não apenas quando da denúncia, mas em seus atos posteriores, rompendo o ciclo da violência doméstica. Ainda, destaco a relevância do trabalho policial neste combate, seja no atendimento inicial, seja nos atos subsequentes, fazendo a Polícia Civil, o que faz muito bem, dando respostas exemplares a este tipo de agressores.
JSZN: Qual recomendação o Sr. deixa para as mulheres vítimas de violência?
Delegado Tossunian: Se há indícios da prática de violência, procurem orientação em uma Delegacia de Mulher. A violência contra a mulher não é apenas aquela física, mas também moral, patrimonial, sexual e psicológica. Denunciem, não apenas as vítimas, mas qualquer pessoa que tenha conhecimento da prática de violência doméstica, lembrando que o Estado de São Paulo inclusive viabiliza além do atendimento especializado presencial, um atendimento eletrônico, através da DDM Online. Hoje há mecanismos eficazes para conter esse tipo de violência, a Lei Maria da Penha é uma das melhores do mundo na proteção às vítimas de violência doméstica que podem inclusive valerem-se das medidas protetivas de urgência, como instrumento rápido e eficaz de proteção às vítimas e familiares e que, cujo descumprimento, pode ensejar a prisão do agressor.
JSZN: O número de denúncias de violência e maus tratos contra os idosos também cresceu no Brasil. Como denunciar os agressores?
Delegado Tossunian: Igualmente ao que ocorre com os crimes de violência contra a mulher na capital, onde existe pelo menos uma delegacia especializada nas várias regiões da Capital (Seccionais), também há unidades especializadas no atendimento de violência contra a pessoa idosa. Tendo suas atribuições alicerçadas no Estatuto do Idoso ( Lei nº10.741/2003) a Delegacia do Idoso assegura uma série de direitos ao idoso, promovendo a prevenção e a repressão de qualquer violação a esses preceitos, tais como, o direito à vida, à alimentação, à educação, ao trabalho, o convívio familiar, enfim o direito à plena cidadania.
Na região norte o atendimento ao idoso é realizado, de segunda a sexta, no horário de expediente na Rua dos Camarés 94, Carandiru, no mesmo prédio onde se encontra o 9º Distrito Policial. Já nos finais de semana e feriados (24 horas) qualquer delegacia de polícia, a que for de melhor conveniência para a vítima, deverá realizar o atendimento.
JSZN: Qual foi a expectativa em assumir a Seccional Norte?
Delegado Tossunian: Igualmente aos cargos de direção que assumi anteriormente em outras regiões , mercê da confiança em mim depositada pelos meus superiores, que resultaram na consecução de importantes e reconhecidos trabalhos, guardo, da mesma forma, a esperança de realizar um trabalho de excelência na região norte de São Paulo, no que respeita às atividades de polícia judiciária conferidas legalmente à Polícia Civil. Para isso conto com a dedicação dos excelentes profissionais que aqui já trabalham e de alguns novos que comigo chegaram no início deste ano, para enfrentar esse novo desafio. Já possuía certa intimidade com a Zona Norte de São Paulo pois, como disse anteriormente, trabalhei por cerca de 15 anos no DEIC, cuja sede fica na Av. Zaki Narchi, no bairro do Carandiru, mas diferente do trabalho que realizamos naquele importante Departamento Estadual Especializado, agora o contato é mais intenso com as unidades territoriais e com os problemas que afligem o cidadão local. É uma “afinação” daquele trabalho do DEIC. Para isso, uma importante característica que reputo de suma importância é a efetiva participação dos vários setores da sociedade local nos diversos temas cotidianos, em especial, na área da Segurança Pública, modelo que vi apenas em importantes cidades da grande São Paulo, e agora aqui na região Norte.
JSZN: Quais são os principais desafios da Seccional Norte no ano de 2023?
Delegado Tossunian: Ao assumirmos, em janeiro deste ano, a direção da Delegacia Seccional Norte da Capital, norteados pela determinação de nossa hierarquia superior, Exmos Senhores: Secretário de Segurança Pública, Delegado Geral e Diretor do DECAP, tivemos como o foco de atuação a repressão a todos os tipos delitos que vinham apresentando maior incidência criminal, em especial aqueles que, pelo modo de agir empregado pelos criminosos, uso de violência, causavam maior sensação de insegurança na população. Identificamos, assim, uma grande incidência dos crimes de roubos majorados, extorsões qualificadas e sequestros, o famigerado “golpe Tinder” onde a vítima é enganada por perfil fake em rede social para marcar encontro presencial amoroso, quando então ela é sequestrada no destino, levada ao cativeiro é mantida refém é obrigada a fazer várias transferências financeiras, via PIX, para contas bancárias de criminosos.
Infelizmente, a Zona Norte, em especial as regiões da Vila Brasilândia, de Parada de Taipas e da Vila Penteado era a que apresentava a maior incidência desse tipo de crime no Estado. Diante desse quadro, imediatamente, elegemos esse delito como de repressão prioritária pela Polícia Civil da Seccional Norte. Graças à dedicação e empenho de todos, comparados os índices da incidência criminal desse crime do primeiro semestre/23 com aqueles do ano passado, experimentamos um decréscimo de 50% de casos. Nesse período foram realizadas cerca de 30 prisões de criminosos só dessa modalidade criminosa, exclusivamente feita pelos policiais civis da região Norte. O trabalho continua sendo feito para erradicar esse crime da região e elegemos mais prioridades, tendo como desafio ainda no decorrer deste ano a repressão a todos os demais crimes patrimoniais, roubos, tráfico de drogas, desmanches ilegais, furtos e punindo, com todo o rigor legal, os crimes de violência doméstica.
Importante realçar a qualidade do trabalho desenvolvido pela Polícia Civil, pois resulta num resultado mais efetivo à repressão criminosa. Nosso papel principal é esclarecer crimes. Aquilo que não foi possível evitar de acontecer cabe a Polícia Civil investigar, quando ela tira de circulação quadrilhas, como mencionado no caso do Golpe Tinder”, evita-se a reincidência, mata-se o mal pela raiz. Tem impacto relevante na queda da incidência criminal.
JSZN: O que mudou no dia a dia das delegacias após a pandemia? Houve alguma alteração no boletim de ocorrência eletrônico? Como usar esta ferramenta?
Delegado Tossunian: O registro de ocorrência digital e todos os sistemas a ele integrados avançaram muito nos últimos anos. Hoje a vítima pode registar qualquer tipo de crime, pela delegacia on line, sem ter que obrigatoriamente se deslocar até um delegacia, exceto nos crimes de estupro, homicídio e latrocínio. Basta digitar o endereço eletrônico https://www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp-de-cidadao/home e o própro site vai conduzindo a víitma, passo a passo, até a efetivação do registro da ocorrência. Nos casos de violência doméstica, dentro da própria plataforma da delegacia eletrônica, por meio da DDM On Line, a vítima pode registar a ocorrência e até representar por medidas protetivas de urgência .
JSZN: Qual a importância das mídias regionais, em especial o Semanário da Zona Norte?
Delegado Tossunian: Como dito anteriormente, a participação da sociedade nas questões de Segurança Pública são fundamentais para a melhoria desse serviço prestado pelo Estado por meio de suas polícias. Os meios de comunicação, neste sentido, sejam eles oriundos da imprensa televisiva, escrita, falada, ou pela internet, mídias em geral, realizam um importante trabalho pois proporcionam à sociedade o acesso à informação e promovem o debate buscando uma sociedade mais justa, inclusive cobrando e participando da gestão pública. As mídias regionais têm papel mais relevante ainda pois proporciona a discussão dos problemas no âmbito de cada localidade, bairro, vila, rua, etc. Neste sentido vejo como de crucial importância o papel realizado pelo Semanário da Zona Norte.