Praticamente todos os países que um dia lutaram numa guerra possuem um monumento ao soldado desconhecido. O motivo é óbvio: prestar uma homenagem àqueles soldados que morreram em batalha e que nunca puderam ser identificados. Também é muito grande o número de soldados simplesmente desaparecidos em batalha - seus restos jamais puderam ser encontrados - a eles também é dedicado o mausoléu. Os mais famosos estão na Europa, referentes aos soldados da II Guerra, nos EUA, idem. Para nós brasileiros, talvez o mais importante esteja na Itália, cidade de Pistóia, referente aos combatentes brasileiros desaparecidos na 2ª Guerra.
No Brasil
Os 466 soldados brasileiros mortos na Segunda Guerra Mundial foram trazidos do cemitério militar de Pistóia, na Itália, para o Monumento Nacional aos Mortos da 2ª Guerra Mundial, no Rio de Janeiro. Desses, 13 corpos não foram identificados. Localizado no Museu Histórico do Exército brasileiro, O Monumento Nacional aos Mortos tem por finalidade: recolher os despojos dos militares mortos no Teatro de Operações da Itália e nos serviços de patrulhamentos e comboio a cargo da Marinha de Guerra durante a Segunda Guerra Mundial; manter acesa uma chama junto ao Túmulo do Soldado Desconhecido; e - recolher, classificar e expor objetos e documentos referentes à participação das Forças Armadas e da Marinha Mercante naquela conflagração.
No mundo
Homenagem à memória de soldados mortos em combate, cujo corpo não pôde ser identificado. Após a Primeira Guerra Mundial, os governos da Bélgica, França, Grã-Bretanha, Itália e EUA decidiram fazer uma homenagem especial à memória desses soldados. Cada governo escolheu um soldado desconhecido simbólico, enterrou seus restos mortais na capital nacional e ergueu um monumento em sua honra. A Bélgica colocou seu soldado desconhecido em um túmulo na base da Colunata do Congresso em Bruxelas. A França enterrou seu soldado desconhecido embaixo do Arco do Triunfo de L’Étoile, no centro de Paris, e mantém uma chama ardendo permanentemente sobre a sepultura. A Grã-Bretanha fez o mesmo com seu soldado desconhecido, enterrando-o na abadia de Westminster. O soldado desconhecido da Itália jaz à frente do monumento a Vítor Emanuel I, em Roma.
O primeiro monumento
Ao que se sabe, o primeiro monumento foi construído na Grécia. A Tumba do Soldado Desconhecido é um cenotáfio existente em frente à sede do Parlamento grego, em Atenas, onde os evzones, soldados da Guarda Presidencial trajados em fardas históricas, fazem a vigília. Sua construção começou em 1929 e foi inaugurado em 25 de março de 1932. O monumento é formado por um grande nicho onde está um baixo-relevo mostrando uma figura deitada de soldado grego da antiguidade. Ao pé está um altar e em ambos os lados diversas inscrições comemorativas
Um pouco de história
Podemos dizer que a história do Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial inicia-se com o ideal do marechal Mascarenhas de Moraes, ex-comandante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), expresso na sua célebre frase: “Eu os levei para o sacrifício, cabia-me trazê-los de volta”. Com esse ideal, o marechal desejava que se fizesse o translado, para o Brasil, dos restos mortais dos soldados brasileiros sepultados no Cemitério Militar Brasileiro de Pistóia, na Itália. Iniciou, então, o marechal Mascarenhas, uma jornada que seria coroada com a construção daquele que viria a ser conhecido como o “Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial” e, carinhosamente, chamado pela população brasileira como “Monumento dos Pracinhas”. Os trabalhos de repatriamento dos restos mortais dos “pracinhas” foram iniciados quando, no dia 10 de outubro de 1952, após solicitação do marechal Mascarenhas ao presidente Getúlio Vargas, foi nomeada a Comissão de Repatriamento dos Mortos do Cemitério de Pistóia, presidida pelo próprio marechal e composta por membros pertencentes aos três ministérios militares. Inicialmente, constituída por oito oficiais generais do Exército e um oficial superior da Aeronáutica, foi acrescida, posteriormente, de um almirante, como representante da Marinha de Guerra e da Marinha Mercante. A primeira reunião da Comissão de Repatriamento realizou-se, em novembro de 1952, na qual se deliberou pela construção do Monumento, pelo seu nome atual e sua finalidade, isto é, homenagear os brasileiros mortos da Segunda Guerra Mundial e receber seus restos mortais. Nele deveria, também, ser construído o Túmulo de Soldado Desconhecido.
Após diversos entendimentos com as autoridades locais e estudos acerca de onde construir o Monumento, no dia 28 de junho de 1955, Alim Pedro, prefeito do então Distrito Federal, assinou o ato doando o terreno para sua construção, uma área com 10.000 metros quadrados no Aterro da Glória. Foi então aberta uma concorrência pública para escolha de um projeto, na qual se inscreveram trinta e seis concorrentes. O projeto vencedor de autoria dos arquitetos Marcos Konder Netto, Hélio Ribas Marinho, com obras dos escultores, Júlio Catelli Filho, Alfredo Cheschiati e do pintor Araújo Madeiros, previa uma área total de 10.000 metros quadrados, dos quais 6.900 de área construída. Foi posto em execução no dia 24 de junho de 1957 e concluído em 24 de julho de 1960. Finalmente, no dia 5 de agosto de 1960, com a presença do então presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira e de autoridades civis e militares, realizou-se a entrega do Monumento ao Governo Federal. Passaria a constituir um patrimônio das Forças Armadas, ficando sob a direção do então Ministério da Guerra e, atualmente, é uma organização militar (OM) do Exército brasileiro, subordinada à Diretoria de Assuntos Culturais.
Em 20 de julho de 1960, foi nomeada uma Comissão de Exumação e Acondicionamento dos Mortos do Cemitério Militar Brasileiro de Pistóia, sob a presidência do general de divisão Oswaldo de Araújo Motta. A Comissão partiu para a Itália, onde procedeu à exumação dos 466 militares sepultados no além-mar. No dia 30 de novembro, os trabalhos estavam concluídos. A Comissão de Transladação dos Mortos do Cemitério Militar Brasileiro de Pistóia, presidida pelo general de exército Oswaldo Cordeiro de Farias, chegou ao Rio de Janeiro, em 15 de dezembro de 1960, trazendo as urnas em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Uma semana depois, em solenidade no Monumento, foram colocadas nos respectivos jazigos do Mausoléu. A urna do Soldado Desconhecido foi entregue pelo ex-combatente e ex-comandante da FEB, marechal Mascarenhas de Moraes, ao presidente da República, que a depositou na base do Pórtico Monumental.
Guerra do Paraguai
Uns viraram heróis, outros se sacrificaram sonhando com liberdade. Houve os que nem sabiam o que estavam fazendo. Soldados negros, ex-escravos, representavam 10% dos 123 mil brasileiros que combateram na Guerra do Paraguai (1864-1870). Nosso Exército era formado, na maior parte, de trabalhadores livres ou agregados, muitos engajados à força, os ‘voluntários da corda’, pois seguiam amarrados até a batalha. Escravo não era cidadão. O Império concedeu liberdade aos excluídos da pátria que se alistassem. Vinte mil teriam conseguido, incluindo suas mulheres, também beneficiadas, num País com dois milhões e meio de escravos, cerca de um terço da população. Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, as nações envolvidas, levaram legiões de negros. Na Companhia dos Zuavos da Bahia, ocorreu um dos raros casos de oficialato, o capitão de cavalaria Marcolino dos Santos, herói da tomada de Curuzu. Fazendeiros doavam escravos para livrar-se da convocação; o governo imperial cedeu africanos sob sua custódia, pois tinham vindo ilegalmente, depois de 1850, quando foi proibido o tráfico. Estes mal sabiam o que se passava. O Brasil perdeu entre 20 mil e 50 mil homens, anônimos escravos e brancos pobres, na mais sangrenta guerra do continente.
Notícias Datas
Dia do Soldado Desconhecido-11 de novembro
Praticamente todos os países que um dia lutaram numa guerra possuem um monumento ao soldado desconhecido.
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